Plano São Paulo

Estado ‘esconde’ que Baixada Santista já estava na fase amarela desde o 1º turno

Desde o fim do primeiro turno, o Governo do Estado já sabia que a Baixada Santista estava na fase amarela, mas recuou na divulgação. Teria sido em razão do segundo turno?

01 de dezembro de 2020 - 22:30

Fernando De Maria

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Pelo plano, que foi postergado em 16 de novembro, logo após o primeiro turno, a Baixada Santista já estaria na fase amarela. Foto: Divulgação

 

Ao entrar em vigor a partir desta quarta-feira (2), a nova fase do plano São Paulo, que coloca todo o estado na fase amarela, revela também que a Baixada Santista já estava nesta etapa desde o dia 16 de novembro – um dia após o primeiro turno.

No entanto, como houve alteração nas datas de divulgação, isso acabou não se tornado público.

Pelo menos, oficialmente.

Assim, a Baixada Santista seria a única região do Estado de São Paulo que retroagiria naquela ocasião, ficando no mesmo patamar do Vale do Ribeira, São José do Rio Preto, Araçatuba e Barretos.

Na ocasião, o governo do Estado prorrogou automaticamente a quarentena no estado, inicialmente até 16 de dezembro – o que foi alterado agora e passa a vigorar a partir desta quarta (2) – com  a nova reclassificação, conforme informação oficial, devido a instabilidade de dados do Ministério da Saúde.

Se tivesse sido mantida e anunciada na ocasião, justamente um dia após as eleições do primeiro turno, o cronograma anterior deixaria 89% da população do estado na fase verde, com o progresso de outras sete regiões.

Ou seja, passariam para a fase verde as regiões de Franca, Ribeirão Preto, Araraquara, São João da Boa Vista, Bauru, Marília e Presidente Prudente.

E seriam mantidas as regiões de Piracicaba, Grande São Paulo (incluindo a Capital), Campinas, Sorocaba e Taubaté.

Casos crescentes

No entanto, com a verificação do avanço de casos e internações por Covid-19, o Governo de São Paulo optou pela ampliação de medidas de distanciamento social, conforme anunciado na segunda (30), um dia após o fim das eleições do segundo turno, provocando sérias críticas por parte da imprensa e de munícipes nas redes sociais.

Com base nos dados divulgados durante a coletiva de segunda (30), quando o governador João Doria anunciou as alterações, é possível verificar que em relação ao total de óbitos por 100 mil habitantes, a Baixada Santista já estaria na fase laranja – anterior à nova reclassificação.

Os índices, aliás, são os maiores do Estado: 7,9 óbitos/100 mil habitantes, conforme dados divulgados pelo comitê de contingenciamento.

Indicadores sobre ocupação de leitos e elevação de pacientes internados em UTIs têm crescido desde outubro, conforme revelam reportagens do Boqnews.

Confiram alguns links e textos

 

Tristes recordes

Conforme estudo do médico e professor da USP e Santa Casa,  Carlos Eid, da Abramet – Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, quatro das dez cidades do Estado de São Paulo com o maior índice de mortes pela Covid/100 mil habitantes são da Baixada Santista.

São os casos de Santos, líder absoluta, Cubatão (4º lugar), São Vicente (7º) e Guarujá (8º).

Coordenador dos estudos, o médico analisa os gráficos divulgados pelo governo do Estado, publicados pela Fundação Seade, sendo atualizado sempre às quartas-feiras à noite (os publicados são da última semana).

Nota-se a elevação substancial de mortes na comparação dos meses.

Em outubro, foram 146 óbitos pela Covid-19 na Baixada Santista.

Em novembro, 227 óbitos – 55,5% a mais.

Já na comparação entre 1º de novembro a 1º de dezembro, a média móvel de pacientes internados em UTIs subiu de 137,43 para 213,71 no mesmo período – crescimento de 55,5%.

Por sua vez, na média móvel de internações semanais, a alta foi de 51,5% no mesmo período, passando de 270 para 409

 

 

Dados da Baixada Santista: atualização ocorre toda quarta-feira à noite

Diferença em duas semanas

Para efeitos epidemiológicos, estas duas semanas a qual a Baixada Santista permaneceu na fase verde – a despeito de já estar na fase amarela conforme os números – podem trazer sérios problemas com agravamento da situação.

“O tempo de incubação é de até 14 dias. Se restringíssemos antes teríamos evitado mais exposição e após duas semanas (tempo em que os infectados estariam perceptíveis) certamente com menos casos, casos e contatos identificados”, explica o médico infectologista e professor universitário, Evaldo Stanislau,  do Hospital das Clínicas e membro da Sociedade Paulista de Infectologia.

“Em um círculo virtuoso, impactaríamos menor com menos circulação viral e casos. Ao retardar a medida, e sem fiscalização efetiva, deixamos a progressão solta por mais tempo. Certamente podemos colocar na conta desse atraso – e da leniência – muitos casos novos”, lamenta.

Eleições?

Coincidência ou não, o fato da Baixada não ter sido rebaixada para a fase amarela já no dia 16 de novembro teria relação com o fato do PSDB ainda disputar duas prefeituras para o segundo turno, segundo apurou o Boqnews.

Em Praia Grande, com Raquel Chini (eleita) e em São Vicente, com Solange Freitas.

Ninguém, porém, confirma isso oficialmente, inclusive membros do tucanato na região.

Afinal, conforme apurou o Boqnews, colocar a região como fase amarela poderia prejudicar a performance do partido em ambos os municípios, especialmente em São Vicente, onde pela primeira vez o PSDB poderia conquistar a prefeitura local, cidade, aliás, berço político do ex-governador Marcio França, principal oponente do governador João Doria no Estado de São Paulo.

Oficialmente, a única nota foi enviada pela prefeitura de Santos, administrada por uma das lideranças do PSDB na região e presidente do Condesb – Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista, Paulo Alexandre Barbosa.

Em nota, a Prefeitura santista informa que só teve acesso aos novos dados do Plano São Paulo na data do anúncio da reclassificação do plano.

“A Administração ressalta que a decisão de reclassificar a Baixada Santista e outras regiões do Estado na fase amarela do Plano São Paulo na última segunda recebeu aval de médicos especialistas do Centro de Contingência do coronavírus em São Paulo, o que demonstra que a decisão se baseou em dados epidemiológicos”.

Já o governo do Estado informa que o  Plano São Paulo norteia a retomada consciente da economia e do cotidiano da população, com a premissa da segurança, prevenção, e garantia da assistência, aliada ao incentivo à manutenção das atitudes essenciais como higienização das mãos, ambientes, além da obrigatoriedade do uso de máscara e, sobretudo, do fortalecimento da rede hospitalar.

As mudanças valerão até 4 de janeiro, podendo ser alteradas caso o cenário seja alterado dentro dos critérios do Plano São Paulo.

Mudanças

Em Santos, as  mudanças vigoram a partir desta quarta (2).

  • Atividades físicas e esportivas em outros estabelecimentos públicos e privados – de segunda a sexta, das 6h às 11h e das 17h às 22 horas. Aos sábados e domingos, das 8 às 18 horas.
  • Eventos sociais, culturais, esportivos e corporativos – duração máxima de dez horas por dia até às 22 horas (incluindo tempo de montagem e desmontagem).

 

  • Comércio e atividades econômicas – limite de atendimento – 40%, com funcionamento por 10 horas diárias – limitado até às 22 horas.
  • Região Central – segunda a domingo – das 9 às 19 horas (bairros do Valongo, Centro, Paquetá, Vila Nova e Vila Mathias)
  • Restante da cidade – segunda a domingo – 11 às 21 horas

 

  • Escritórios e estabelecimentos de prestação de de serviços técnicos – das 9h às 19 horas
  • Shoppings centers – das 12h às 22 horas

Foto: Divulgação

  • Imobiliárias e corretoras de imóveis – 9 às 19 horas
  • Concessionárias, lojas e revendas de veículos – 9 às 19 horas

 

  • Bares, restaurantes e lanchonetes – das 11h às 21h ou das 12h às 22 horas
  • Salões de beleza, barbearias, cabeleireiros e clínicas de estética – das 10h às 20 horas
  • Comércio ambulante da região central (Valongo, Centro, Paquetá, Vila Nova e Vila Mathias) – das 9 às 19 horas

 

 

  • Comércio ambulante na faixa de areia da orla – das 9 às 19 horas
  • Demais comércios ambulantes – 11 às 21 horas
  • Quiosques de lanches (foto) – das 12h às 22 horas
  • Quiosques de coco – das 10h às 20 horas

E ainda:

  • Escolas de idiomas, cursos livres e educação profissionalizante – das 10 às 210 horas ou das 12h às 22 horas
  • Academias – De segunda a sexta-feira, das 6h às 11 horas e das 17h às 22 horas
  • Aos sábados e domingos – das 7 às 17 horas

 

 

 

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