Santos

26 DE OUTUBRO DE 2021

Zenaide, a última dos 1.600 pacientes que venceram a Covid no Hospital Vitória

O hospital de campanha será devolvido ao grupo proprietário que o cedeu durante a pandemia. Cada internação custou, em média, R$ 41,6 mil.

Por: Da Redação

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O relógio marcava 10h10 desta terça-feira (26) quando a enfermeira entrou para retirar o acesso da medicação intravenosa no braço direito da paciente.

Era um dos últimos atos realizados no quarto 803.

Depois do  procedimento, hora de arrumar a bolsa e partir.

Partir para uma vida nova, depois de 11 dias no Hospital de Campanha Vitória.

A saída de Zenaide Cristina Israel de Carvalho, 42 anos, da unidade foi emblemática.

Afinal, ela foi a última paciente a receber alta de covid-19 do Hospital Vitória, cuja desmobilização, como hospital de campanha, se encerra na sexta-feira (29).

Dessa forma, o hospital Vitória não recebe novos pacientes desde a última quinta-feira (20), por solicitação da United Health Group Brazil, a quem pertence o imóvel.

O grupo é responsável pela Amil, dona do hospital Ana Costa, em Santos.

Após 11 dias internada no Hospital Vitória e de ter vencido a Covid, Zenaide reencontrou os filhos e o marido. Foto: Rogério Bonfim/PMS-Divulgação

Zenaide

A janela, à direita da cama, no oitavo andar, foi a única ligação de Zenaide com o mundo externo.

Ela trabalha na recepção de outra unidade de Saúde em Santos e testou positivo para covid-19 no último dia 8.

Dessa forma, dores fortes e cansaço a levaram para uma unidade de pronto atendimento (UPA), onde um teste rápido confirmou o diagnóstico da doença.

Portanto, na fase inicial, foi liberada para voltar para casa.

Depois, a falta de ar forçou o retorno à UPA novamente.

Ou seja, de lá, foi encaminhada direto para o Hospital Vitória.

“Cheguei tarde de noite e já passei a tomar oxigênio. Agora, graças a Deus, estou aqui recebendo a minha alta”.

Zenaide Cristina Israel de Carvalho foi a última paciente a sair do Hospital Vitória, que será devolvido ao grupo empresarial proprietário. Foto: Rodrigo Bonfim-PMS/Divulgação

Sinal de positivo das enfermeiras

Assim, a sensação de alívio era enorme porque ela quase foi entubada.

Nervosa, não queria ter acesso aos boletins médicos.

Dessa forma, ela se guiava e mantinha a fé pelos sinais de “positivo” feitos pelas enfermeiras.

“Passei por momentos muito ruins. Mas todo o cuidado, carinho, afeto e afago que recebi aqui fizeram toda a diferença. Para uma pessoa como eu, totalmente ativa, que acordava às 5h para trabalhar, estar em uma cama de hospital era desesperador. Aqui só tem anjo”, diz.

Assim, a alta de Zenaide Cristina do Hospital Vitória contou com festa no corredor, feita pelos funcionários, e algumas lágrimas entre o grupo que se despediu dela.

“A grande lição que tiro daqui, depois desses dias, é ter mais paciência. E gratidão, a cada dia, por acordar viva e poder respirar. Saber esperar e amar ao próximo. Essas foram as grandes lições. Sou muito grata a todo cuidado que recebi aqui, toda atenção desde os gestos mais simples, como na hora do banho, na hora de passar pomada, esquentar a comida que eu deixava, quando não comia na hora que chegava”.

 

Família

No térreo da unidade, um trio a esperava para o abraço que faltava há 11 dias.

O marido José Luiz Carvalho e os filhos Luís Felipe Israel Carvalho e Luiza Israel Carvalho.

Assim, a mãe teve a oportunidade para finalmente parabenizar a filha, que fez 19 anos no último domingo.

José Luiz conta que o período sem a esposa foi “complicado demais”.

“Mas Deus é grande e é por isso que ela está aqui hoje. As enfermeiras foram maravilhosas. Hoje teremos um almoço especial”.

O abraço de Zenaide Cristina com a família foi feito sob aplausos da equipe do Hospital Vitória.

Assim, ela aproveitou para um breve discurso de agradecimento a todos que a atenderam.

“Que Deus abençoe grandemente a cada um de vocês”.

 

Do pico de atendimentos à desmobilização

Em outubro, o Hospital de Campanha Vitória registrou o menor índice de pacientes desde a sua abertura: do dia 1º a 20 deste mês (último dia de recebimento de pacientes), a média foi de 11 internados/dia pela covid-19.

O pico de internações no Vitória ocorreu em abril deste ano, com média de 74 pacientes/dia (1º/4 a 20/4), impactado pelo início da circulação de variantes do coronavírus em meados de março.

Assim, na última segunda-feira (26), o Hospital Vitória atendia cinco pacientes.

Dessa forma, o maior número de internações simultâneas no local, 85, foi registrado no dia 5 de abril de 2021.

Em 2020, a menor média de internados ocorreu em outubro (1º a 20/10/20), com 23 pacientes/dia e a máxima em dezembro (1º a 20/12/2020), com 39 internados/dia.

 

Desmobilização

Dessa forma, o imóvel onde funciona o Hospital de Campanha Vitória pertence à United Health Group Brasil, que gentilmente cedeu o espaço sem custos para a Prefeitura de Santos utilizar como hospital de campanha no enfrentamento à covid-19.

Portanto, o local estava sem uso e a cessão estava de acordo com a estratégia do Município em abrir leitos de campanha em equipamentos de saúde e não em locais públicos como estádios e ginásios.

Agora, um novo destino deve ser dado ao hospital pelo seu proprietário.

Adequações estruturais foram necessárias para que atendesse às necessidades de um hospital de campanha.

Houve investimento de R$ 4,9 milhões na estrutura física.

Além da rede de gases e na compra de equipamentos e leitos hospitalares.

E ainda: ventiladores mecânicos e monitores multiparâmetros.

Se optasse pela construção de um prédio similar ao Vitória, a Prefeitura de Santos teria um custo 30 vezes maior.

Dessa forma, hospital passou a receber pacientes em maio de 2020, sob gestão compartilhada entre a Prefeitura de Santos e o Instituto Social Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Ao todo, R$ 66.577.852,70 foram investidos no custeio, com recursos da Prefeitura e do Governo do Estado de São Paulo.

Ou seja, cada internação, em média, custou R$ 41,6 mil.

“O Hospital de Campanha Vitória foi fundamental para o enfrentamento da covid-19. Foi o nosso equipamento destinado 100% para o combate da doença e ajudou a salvar muitas vidas. Foram 1.600 pacientes assistidos e com muita qualidade. Seguimos analisando diariamente o comportamento da pandemia da covid-19 em nosso município e, se for necessário, temos total condição de reabrir leitos de campanha”, destaca o secretário de Saúde, Adriano Catapreta.

Leitos mantidos

Assim, a Prefeitura de Santos manterá leitos de campanha para o tratamento da covid-19 no Complexo Hospitalar dos Estivadores, na Santa Casa e na Beneficência Portuguesa.

Dessa forma, para uma eventual ampliação de leitos, além destes podem ser considerados outros estabelecimentos que também deram suporte hospitalar durante a pandemia.

Ou seja, são os casos do Complexo Hospitalar da Zona Noroeste, Hospital de Pequeno Porte, UPA Central e UPA Zona Leste.

 

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