Enquanto boa parte da população nem lembra das eleições de 2022 os políticos se animam e fazem projeções visando o pleito, que promete ser um dos mais acirrados da história
No meio do caminho, não faltarão surpresas – desagradáveis – aos eleitores, mas interessantes para eles próprios, como o aumento do Fundo Eleitoral, que pode subir de R$ 2 bi em 2020 para R$ 5,7 bi em 2022.
Ou R$ 4 bi – para ficar no meio termo.
Já será o dobro em relação às eleições passadas.
No Congresso, ocorrem as discussões sobre a (mais uma) reforma eleitoral que está para ser votada em agosto.
Ela irá privilegiar os ‘caciques’ das agremiações de maior poder econômico, por meio do ‘distritão’, dificultando o acesso de candidatos de partidos menores e com pautas partidárias programáticas.
Não bastasse, prevê redução da cota da participação feminina nos pleitos – hoje em 30%.
E ainda: plebiscito, em 2024, sobre o novo sistema político, a vigorar a partir de 2026 – presidencialismo, parlamentarismo ou semipresidencialismo, tema, aliás, que ganhou força nas últimas semanas.
Além disso, discussão sobre a retomada do voto impresso em sistema de auditagem nas urnas.
Portanto, diante deste cenário de incertezas, fica claro como o desinteresse da população sobre a política ajuda nas articulações e negociatas realizadas nos bastidores.
Pesquisa realizada pela Enfoque Comunicação/Boqnews mostra que apenas um em cada três eleitores se interessa por política.
Já outros 20% responderam de forma contrária.
Apenas uma outra parte só se interessa em alguns momentos, como as eleições, por exemplo – 43.1%, quando as regras do jogo já foram estabelecidas.
Presidente
A exemplo de outros levantamentos nacionais, os santistas também caminham para a polarização à presidência entre o atual governante, Jair Bolsonaro (sem partido), em busca da reeleição, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ocupou o Planalto entre 2003-2010.
Na intenção de voto, Bolsonaro tem 20,1% da preferência dos eleitores santistas na espontânea e 22,2% na estimulada.
Distante, porém, da votação expressiva que ele obteve em 2018 em Santos, quando recebeu 136.051 sufrágios (55,2%) no primeiro turno.
Já o ex-presidente Lula fica com 12,5% e 14,4%, respectivamente.
Ciro Gomes (PDT), segundo colocado em Santos em 2018, tem 3% e 5,7% das intenções, na espontânea e estimulada, respectivamente.
Governo do Estado
Em âmbito estadual, o cenário passa pela candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin, hoje no PSDB, mas que estaria de saída rumo ao PSD, de Gilberto Kassab.
A pesquisa mostrou dois cenários: com Alckmin candidato ou com Márcio França (PSB), que pode ser vice do ex-governador, formando a mesma dobradinha de 2014-2018.
Na espontânea, o ex-presidente da Fiesp, Paulo Skaf (MDB), sai na frente, seguido pelo ex-ministro Fernando Haddad (PT).
Já em meio aos indecisos e os que vão anular os votos, na pesquisa estimulada, há um quádruplo empate técnico.
Ou seja, entre Paulo Skaf (MDB), Alckmin (PSDB ou PSD), Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (PSOL).
Quando o cenário é com Marcio França, Skaf, Haddad e Boulos mantêm, pela ordem, a liderança, seguidos pelo ex-governador paulista.
Não se pode, porém, negar a influência e força do PSDB neste cenário político.
Rodrigo Garcia, o atual vice, está em plena campanha e o partido tem atraído prefeitos.
Foi o caso de Valter Suman (Guarujá), que deixou o PSB, rumo ao ninho tucano.
Deputados
A consulta também avaliou eventuais pré-candidatos tanto à Assembleia Legislativa quando à Câmara Federal, com base em nomes veiculados na mídia, servindo apenas como referência e sujeitos a mudanças.
Tanto que a vereadora Telma de Souza (PT) divulgou na última quarta (28), que será candidata a federal – e não estadual, durante sua participação no Jornal Enfoque- Manhã de Notícias.
A pesquisa, porém, já estava concluída antes do anúncio da vereadora.
Assim, diante de um eventual cenário ainda a se confirmar, o ex-prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) se destaca como candidato a federal com 30% das citações.
Caso seja candidato a federal – já foi deputado estadual anteriormente – ele seguirá a mesma linha de outros prefeitos de Santos, que se tornaram deputados federais.
Entre os vivos, são os casos de Telma de Souza, Beto Mansur e João Paulo Papa.
Por sua vez, a atual deputada Rosana Valle (PSB) aparece em segundo, com 5,7% das citações.
Para estadual, os mais lembrados são Kenny (PSDB), Tenente Coimbra (PSL), ambos com mandatos na Assembleia Legislativa.
E ainda: a vereadora Audrey Kleys (PP), seguido por Caio França (PSB) e Solange Freitas (PSDB), entre outros .