Maior sambaqui do mundo está em Guarujá, garante arqueólogo | Boqnews
Maior sambaqui do mundo está em Guarujá, garante arqueólogo

Guarujá, que é conhecida pelas belezas naturais, começa a despontar no cenário internacional como um santuário histórico. E não é para menos. Afinal, a Cidade abriga o maior sambaqui do mundo. É o que garante o arqueólogo Manuel Gonzalez, diretor do Centro Regional de Pesquisas Arqueológicas (Cerpa) do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, que ministrou palestra sobre o assunto nesta quinta-feira (22), na Faculdade Don Domênico.

Os sambaquis são sítios arqueológicos. Alguns têm formato de montanha. A base deles é calcário e matéria orgânica, como conchas, ossos humanos, fragmentos de peixes e mamíferos. Esses santuários arqueológicos são verdadeiros cemitérios pré-históricos. No Município, até o momento foram identificados 15, sendo que 12 já estão registrados no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Dentre eles, o Crumaú, o mais alto do planeta, que tem 31 metros de altura e cerca de 100 metros de largura. Esse sítio arqueológico está localizado no Rio Crumaú, região de mangue entre a Serra do Guararu e o Canal de Bertioga.

Pelas dimensões do sambaqui Crumaú, acredita-se que sob ele estejam enterrados centenas de esqueletos humanos, provavelmente de antepassados dos índios tupiniquins e tupinambás, que habitavam o litoral paulista por volta de 5 mil anos A.C., entre o período pré-cerâmico e pós-cerâmico. Segundo o arqueólogo da USP, os sambaquis eram feitos pelos povos primitivos, inicialmente, para enterrar os mortos. No ritual do sepultamento eram utilizadas conchas, que também serviam para os primatas como ferramentas. Por esse motivo, há grande quantidade desse material orgânico nesses sítios arqueológicos.

Patrimônio

Há anos o Município desenvolve um trabalho para mapear os sítios arqueológicos e históricos. O processo, que envolve identificação, catalogação e registro das descobertas, é realizado pela  Prefeitura, por meio das Secretarias de Cultura e Meio Ambiente, e o Cerpa. Na última terça-feira (20), a equipe envolvida no processo vistoriou os sambaquis. A visita técnica teve como objetivo visitar os existentes e identificar novos sítios para registro no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Segundo o secretário de Cultura, Elson Maceió, esses achados arqueológicos fazem parte de um complexo que está interligado a outros municípios da Baixada. “Estamos identificando os que estão espalhados em Guarujá e na Área Continental de Santos. O que eles têm em comum e que todos estão em áreas de preservação ambiental que pertencem à União. Já registramos alguns e agora estamos atualizando os dados no Iphan”, explicou Maceió, ressaltando que o Município estuda uma parceria entre a Faculdade Don Domênico e o Cerpa para avançar nos trabalhos de campo.

O Município está fazendo um levantamento dos sambaquis para montar um Plano de Gestão. Esses registros darão subsídios para a realização de uma pesquisa científica, que inclui datação, ou seja, a identificação do período dos vestígios encontrados, e escavação pontual para encontrar novas informações. “Com base nesses estudos será possível saber mais sobre os primeiros povos que habitaram Guarujá. Esse resgate é muito importante para a identidade do Município e do Brasil. É um espaço de tempo que não temos informações. Há um vácuo muito grande”, disse o arqueólogo Manoel Gonzalez, ressaltando que a pesquisa ajudará a revelar fatos que não estão em livros.

Presente à vistoria, a historiadora e museóloga da Secretaria de Cultura, Mônica Damasceno, revelou que ficou emocionada com o que viu. “Não fazia ideia de como nossa Cidade é rica em material pré-histórico. A experiência foi única, pois nunca havia participado de uma vistoria arqueológica”, disse Mônica. A historiadora lembra que no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP existem objetos encontrados no sambaqui Maratuá. “Esses objetos foram achados na década de 60 numa expedição franco-brasileira”, contou Mônica, destacando que a maior parte desse acervo está na França, no Museu de História Natural de Paris.

22 de março de 2012

Maior sambaqui do mundo está em Guarujá, garante arqueólogo

Guarujá, que é conhecida pelas belezas naturais, começa a despontar no cenário internacional como um santuário histórico. E não é para menos. Afinal, a Cidade abriga o maior sambaqui do mundo. É o que garante o arqueólogo Manuel Gonzalez, diretor do Centro Regional de Pesquisas Arqueológicas (Cerpa) do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, que ministrou palestra sobre o assunto nesta quinta-feira (22), na Faculdade Don Domênico.


Os sambaquis são sítios arqueológicos. Alguns têm formato de montanha. A base deles é calcário e matéria orgânica, como conchas, ossos humanos, fragmentos de peixes e mamíferos. Esses santuários arqueológicos são verdadeiros cemitérios pré-históricos. No Município, até o momento foram identificados 15, sendo que 12 já estão registrados no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Dentre eles, o Crumaú, o mais alto do planeta, que tem 31 metros de altura e cerca de 100 metros de largura. Esse sítio arqueológico está localizado no Rio Crumaú, região de mangue entre a Serra do Guararu e o Canal de Bertioga.


Pelas dimensões do sambaqui Crumaú, acredita-se que sob ele estejam enterrados centenas de esqueletos humanos, provavelmente de antepassados dos índios tupiniquins e tupinambás, que habitavam o litoral paulista por volta de 5 mil anos A.C., entre o período pré-cerâmico e pós-cerâmico. Segundo o arqueólogo da USP, os sambaquis eram feitos pelos povos primitivos, inicialmente, para enterrar os mortos. No ritual do sepultamento eram utilizadas conchas, que também serviam para os primatas como ferramentas. Por esse motivo, há grande quantidade desse material orgânico nesses sítios arqueológicos.


Patrimônio


Há anos o Município desenvolve um trabalho para mapear os sítios arqueológicos e históricos. O processo, que envolve identificação, catalogação e registro das descobertas, é realizado pela  Prefeitura, por meio das Secretarias de Cultura e Meio Ambiente, e o Cerpa. Na última terça-feira (20), a equipe envolvida no processo vistoriou os sambaquis. A visita técnica teve como objetivo visitar os existentes e identificar novos sítios para registro no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).


Segundo o secretário de Cultura, Elson Maceió, esses achados arqueológicos fazem parte de um complexo que está interligado a outros municípios da Baixada. “Estamos identificando os que estão espalhados em Guarujá e na Área Continental de Santos. O que eles têm em comum e que todos estão em áreas de preservação ambiental que pertencem à União. Já registramos alguns e agora estamos atualizando os dados no Iphan”, explicou Maceió, ressaltando que o Município estuda uma parceria entre a Faculdade Don Domênico e o Cerpa para avançar nos trabalhos de campo.


O Município está fazendo um levantamento dos sambaquis para montar um Plano de Gestão. Esses registros darão subsídios para a realização de uma pesquisa científica, que inclui datação, ou seja, a identificação do período dos vestígios encontrados, e escavação pontual para encontrar novas informações. “Com base nesses estudos será possível saber mais sobre os primeiros povos que habitaram Guarujá. Esse resgate é muito importante para a identidade do Município e do Brasil. É um espaço de tempo que não temos informações. Há um vácuo muito grande”, disse o arqueólogo Manoel Gonzalez, ressaltando que a pesquisa ajudará a revelar fatos que não estão em livros.


Presente à vistoria, a historiadora e museóloga da Secretaria de Cultura, Mônica Damasceno, revelou que ficou emocionada com o que viu. “Não fazia ideia de como nossa Cidade é rica em material pré-histórico. A experiência foi única, pois nunca havia participado de uma vistoria arqueológica”, disse Mônica. A historiadora lembra que no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP existem objetos encontrados no sambaqui Maratuá. “Esses objetos foram achados na década de 60 numa expedição franco-brasileira”, contou Mônica, destacando que a maior parte desse acervo está na França, no Museu de História Natural de Paris.


Da Redação
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