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“Me descobri preconceituosa”. Texto de jornalista santista viraliza na internet

Publicado no útlimo domingo (5), post no Facebook já tem mais de 214 mil curtidas

08 de junho de 2016 - 12:01

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Da Redação

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Me descobri preconceituosa. Eu, que defendo tanto a igualdade de gêneros, de cor, de religião, que tenho amigos gays, nordestinos, evangélicos, jovens, velhos, com dinheiro e sem, até coxinhas e petralhas! Vários tipos de rótulos.

Mais de 214 mil curtidas, 31 mil compartilhamentos, 22 mil comentários… Números que não param de aumentar no texto que viralizou na internet e fala de preconceito e como encarar novos desafios.  A autora é santista, Beatriz Franco.

Jornalista, tradutora, professora de idiomas e agora atendente de um ateliê de doces da amiga, Beatriz se despiu, literalmente, de todo preconceito – que até então nem sabia que tinha – e fez um relato sincero do desafio de largar o sofá do desemprego para ganhar dinheiro trabalhando em algo que parecia ser inferior, mas não é.

O desabafo foi postado no último domingo, dia 5. De lá para cá ganhou uma repercussão que nem ela, nem ninguém, poderia imaginar. No final do texto, ela escreve “Esse textão é pra tirar de uma vez essa vergonha de mim (…) e, talvez, se não for me achar muito, ajudar alguém a fazer a mesma reflexão e dar um passo à frente se for o momento”.

E este objetivo ela já cumpriu. Em todos os comentários muitos são os agredecimentos às palavras da jornalista. “Meu objetivo com meus textos sempre foi ajudar. Nós como jornalistas buscamos isso”, diz Beatriz que daqui a pouco vai para mais um dia de trabalho no Ateliê e ainda não sabe o que esperar após o sucesso na internet.

“É uma loucura. Hoje está mais fácil de assimilar, mas ontem foi assustador.  Nunca podia esperar por isso, mas é muito gostoso também receber tantas mensagens agradecendo, de pessoas que se libertaram de alguma coisa, tomaram coragem”, explica feliz.

Afinal, quem nunca descobriu em si um preconceito? Está ai uma ótima reflexão para conseguir superá-lo e seguir adiante.
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Leia o depoimento na íntegra:

Me descobri preconceituosa. Eu, que defendo tanto a igualdade de gêneros, de cor, de religião, que tenho amigos gays, nordestinos, evangélicos, jovens, velhos, com dinheiro e sem, até coxinhas e petralhas! Vários tipos de rótulos.

Explico: Nos últimos meses, minha área de trabalho – como muitas – está muito ruim. Em quatro meses não consegui quase nada. Então, depois de meses me enterrando num sofá perdendo tempo, vida e dinheiro, surgiu a oportunidade de ajudar uma amiga atendendo clientes em sua loja de doces. Quatro vezes por semana, período da tarde, remunerado. Uma boa forma de ocupar a cabeça, sair de casa e ter algum dinheiro. Foi aí que veio o primeiro julgamento: Eu, balconista? Jornalista, três idiomas, currículo em comunicação, trabalhando de touquinha na cabeça servindo os outros? Foi difícil tomar essa decisão, mas aceitei, estou precisando.

Dias depois, a cena durante a tarde, limpando uma das mesas, ouvi dois clientes conversando: “Coloco acento em ‘tem’? Mudou com a nova ortografia?” “Não sei. Não entendo.” E eu ali me remoendo pra dizer “eu sei, eu sei!!!”. Mas, eu era só uma atendente e eles não iriam acreditar que eu sabia. Depois a barreira seguinte: conhecidos e colegas antigos entrarem na loja e me verem nessa função. “O que eles vão pensar? Eles não sabem como cheguei até aqui, que a dona é minha amiga, vão pensar que não dei certo na vida.”

Dá pra entender como isso é errado??? Era com essa inferioridade que eu via os outros atendentes, balconistas e nunca tinha percebido! Sentia vergonha por estar em um trabalho honesto, justo, que traz alegria para as pessoas, que auxilia os outros? Eu deveria é ter vergonha de mim por pensar assim, por tanta falta de humildade e empatia.

Por um preconceito idiota eu ia perder a chance de conhecer tanta gente nova como nas últimas três semanas, de ouvir tantas histórias de vida como sempre gostei de fazer, de aprender um novo trabalho, de ajudar uma amiga, de ter dinheiro pra comprar uma nova bicicleta, pra ir no casamento de uma amiga em outra cidade, de viver! Em tão pouco tempo, esse trabalho que eu achava tão inferior já me ajudou a estar mais feliz, disposta, a ter novas ideias, entender como uma pequena empresa funciona, a buscar cursos para aprender mais.

Como dizia meu avô: A vida não é como a gente quer, é como ela se apresenta! Então, estou aqui aceitando com muito amor e gratidão o que me foi apresentado. Aceitando novas formas de crescer e evoluir com, por enquanto, um preconceito a menos. Hoje, estou aqui, jornalista, tradutora, professora de idiomas, aprendiz de gestora e sim, atendente de um ateliê de doces. E o que mais precisar, a gente aprende a fazer também! E, modéstia à parte, eu tbm fico linda de touquinha! :p

Esse textão é pra tirar de uma vez essa vergonha de mim, para agradecer pela confiança e apoio dos queridos amigos Veronica, Bruno e Felipe, pelo empurrão dos meus pais Edna e Orlando e, talvez, se não for me achar muito, ajudar alguém a fazer a mesma reflexão e dar um passo à frente se for o momento.

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