Saúde

Uma das líderes em mortes/100 mil, Santos define diretrizes sobre coronavírus

Portaria refuta a indicação de medicamentos que não tem comprovação científica no combate à Covid-19, como cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, entre outros.

16 de fevereiro de 2021 - 18:08

Fernando De Maria

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Considerada uma das cidades com maior número de mortes pela Covid-19 em termos proporcionais, com taxa de 244,4 mortes/100 mil habitantes até o momento, atrás apenas das cidades do Rio de Janeiro e Manaus (AM), conforme estudo da Abramet – Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, Santos adotou, finalmente, uma diretriz para atendimento aos casos suspeitos e/ou confirmados da doença.

O objetivo é padronizar a recepção aos pacientes da doença e assim tentar minimizar os riscos de mortes.

Na Baixada Santista,  Praia Grande é uma das cidades que adota protocolo de internação precoce, cujos indicadores são inferiores às médias estadual e federal.

“Temos leitos e profissionais qualificados, não é possível que tenhamos números de mortes tão elevados”, enfatiza o secretário de Saúde, Adriano Catapreta.

Em razão do cenário, já são 1.071 vítimas santistas que perderam a batalhla para o Covid até hoje (16).

Catapreta reuniu profissionais das áreas públicas e particulares, como representantes de hospitais e planos de saúde, para discussão em conjunta dos tópicos a serem padronizados.

“Quero que me expliquem as razões da alta mortalidade em Santos. E não adianta dizer que é por causa do elevado índice de idosos na Cidade”, ressaltou o secretário, durante participação na semana passada do programa Jornal Enfoque – Manhã de Notícias, apresentado pelo jornalista Francisco La Scala.

Sua explicação acabou se tornando a portaria 02/2021, publicada dois dias depois (no Diário Oficial – 11 de fevereiro).

O secretário salientou que as diretrizes servem como apoio aos médicos, “que continuarão tendo autonomia no receituário”, ressaltou.

“Queremos uma conduta homogênea, que todos falem a mesma língua no atendimento aos pacientes suspeitos de Covid”, discorreu.

Confira trecho do vídeo onde ele explica os motivos desta padronização:

Diretrizes

Conforme as diretrizes divulgadas na portaria, os profissionais de saúde devem se atentar a uma série de itens, como seguem:

  • É um quadro compatível com Covid-19 (observar sinais e sintomas mais frequentes e identificar data do início dos sintomas).
  • Entre os sintomas estão: febre, tosse, fadiga, anosmia/ageusia – perda do olfato/paladar, falta de ar, dor muscular ou articular, dor de garganta, dor de cabeça, diarreia, náusea/vômito

Após preenchimento da ficha de notificação compulsória, devem ser realizados os seguintes procedimentos no paciente:

  • idade igual ou superior a 60 anos
  • comorbidades
  • hemograma (relação neutrófilo/linfócito) maior que 3
  • proteína  C reativa (PCR) elevada
  • Oximetria de pulso menor que 95% – medida em dedos diferentes por mais de 30 segundos

Se a resposta for positiva em algum destes itens, devem ser seguidos os seguintes procedimentos:

  • coletar RT-PCR SARS-COV-2 entre 3º e 7º dia após início dos sintomas
  • Encaminhar para UBS de referência ou médico assistente
  • Prescrever sintomáticos
  • Oseltamivir nos casos suspeitos, se sintomas gripais e condições de risco.

Se a resposta for negativa, o procedimento deverá ser o seguinte:

  • coletar RT-PCR SARS-COV-2 entre 3º e 7º dia após início dos sintomas
  • Orientar medidas de isolamento e higienização
  • Orientar sobre fatores associados a complicações e necessidade de nova avaliação médica (desconforto respiratório e persistência de sintomas por mais de 3 dias)
  • Prescrever sintomáticos, se necessário
  • Oseltamivir nos casos suspeitos, se sintomas gripais e condições de risco.

 

Internação

No caso de necessidade internação, os tópicos são:

  • saturação de oxigênio inferior a 93% ou desconforto respiratório
  • persistência de febre acima de 37,8º C
  • idade igual ou superior a 60 anos
  • coletar RT-PCR
  • Iniciar tratamento com corticoide (preferencialmente dexametasona), anticoagulação (preferenciamente enoxaparina). Oseltamivir nos casos suspeitos.
  • Solicitar D-dímero, LDH, ferritina, transaminases, eletrólitos, função renal, gasometria arterial e tomografia do tórax.

 

Idosos devem se prevenir ainda mais no inverno

Idosos fazem parte do grupo prioritário de atenção

 

Outras diretrizes

  • Pacientes com fatores de risco para doença grave (idosos, com comorbidades, imunossuprimidos) devem ser reavaliados a cada 48 horas em razão do risco de deterioração rápida do quadro.
  • Informar o paciente sobre a necessidade de retornar para reavaliação em caso de piora ou persistência dos sintomas respiratórios por mais de 3 dias.
  • Pacientes que tiverem oxímetro em casa deverão verificar a saturação do oxigênio três vezes ao dia em dedos distintos por mais de 30 segundos.
  • Se os indicadores forem inferiores ou iguais a 93%, devem procurar imediatament uma unidade de saúde.
  • Repetir exames laboratoriais se piora clínica ou persistência dos sintomas por mais de 3 dias.
  • Isolamento de casos confirmados/suspeitos deve ser de 10 dias após início dos sintomas e 24 horas sem febre ou sintomas respiratórios. E de 20 dias em casos graves (UTI)
  • Pessoas próximas ao paciente infectado devem manter o isolamento por 14 dias (período máximo de incubação da doença).
  • Não repetir RT-PCR para avaliar a suspensão do isolamento
  • Coletar o RT-PCR entre o terceiro e sétimo dia (em pacientes internados, a qualquer período)
  • Em caso de óbito que não houve coleta do PCR, o exame deve ser coletado em até 24 horas após a morte.
  • Notificação de todo quadro suspeito à Seção de Vigilância Epidemiológica
  • Indicação de prescrição de corticoide é para pacientes internados com necessidade de suplementação de oxigênio. Nos demais, fica a critério do médico indicar o uso domiciliar, desde que esse paciente seja acompanhado.
  • Não há indicação de prescrição de cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, nitazoxanida ou qualquer outro medicamento sem comprovação científica.

 

Vacinação

A vacinação continuará para maiores de 85 anos nesta quarta (17) com poucas doses restantes (cerca de 50 doses), das 8h às 17h (ou enquanto durar o estoque), em quatro policlínicas: Aparecida (Av. Pedro Lessa, 1.728), Vila Mathias (Rua Xavier Pinheiro, 284), Nova Cintra (Rua José Ozéas Barbosa s/nº) e Bom Retiro (Rua João Fraccaroli s/nº).

Para receber a vacina, é necessário levar carteira de identidade com foto, CPF e comprovante de residência em Santos.

Até o momento, o Governo do Estado não se manifestou em relação ao envio de novas remessas ao Município.

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