SOS praias

Na última década, todas as praias de Santos tiveram a classificação anual ruim ou péssima

Volume de chuvas influencia diretamente a qualidade das praias por conta da poluição difusa, como fezes de animais

06 de março de 2015 - 20:13

Thalles Galvão

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As praias estão entre as grandes atrações de entretenimento oferecidas em Santos. Durante o verão, milhares de paulistanos enfrentam longas filas loucos por um banho de mar. Acontece que nem sempre um mergulho nas praias santistas é algo sensato a se fazer.

CHUVAS E BALNEABILIDADEcIsso porque em diversas semanas do ano as qualidades das águas que banham a orla são consideradas impróprias, fato caracterizado pela cor das bandeiras (vermelha) ou verde(própria), que ficam à beira da faixa de areia. Na última década, todas as praias de Santos tiveram a classificação anual ruim ou péssima. Isso significa que nenhuma foi considerada própria em mais do que 50% das medições feitas semanalmente pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Medição e Classificação
Aos domingos, a Cetesb examina as águas das seis praias da Cidade (Ponta da Praia, Aparecida, Embaré, Boqueirão, Gonzaga e dois trechos do José Menino). “Nas sete amostras colhidas são feitas análises microbiológicas para determinar a quantidade de bactérias fecais. Para classificar a praia é levada em consideração as amostras das últimas cinco semanas. Às quartas-feiras são divulgadas as novas classificações”, esclarece a gerente do setor de águas litorâneas da Cetesvvb, Claudia Lamparelli. Segundo ela, a frequência das medições é considerada alta e os critérios atendem as recomendações da resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).

Em 1997, a Cetesb testou análises diárias e semanais de forma simultânea. “Naquela ocasião, em 75% dos casos as classificações se corresponderam. Estudos mostraram que o custo-benefício de ter uma medição todos os dias não era interessante, dada a pouca variedade de resultados”, explica Lamparelli.

Como ficam impróprias?
Os caminhos das bactérias fecais até as praias são muitos. Mesmo com 98% da população ter saneamento básico em Santos, esgotos clandestinos lançados por comunidades que margeiam as águas da região e diretamente nos canais são responsáveis por uma parcela da poluição nas praias. “Isso somado à poluição difusa que ocorre por conta do lixo e fezes de animais nas ruas. Quando chove toda esta sujeira é levada aos canais, cujas comportas são abertas e tudo vai diretamente ao mar”, diz Ana Julia Fernandes, professora do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista – Unesp SV.

Isso significa que é possível traçar uma relação direta do volume de chuvas com a qualidade das praias. (ver quadro). Quanto mais chove, maior a chance da bandeira ficar vermelha. Para Ana Julia, ainda falta a educação e consciência por parte da população. “Se as pessoas soubessem o significado das bandeiras e a gravidade das doenças, cobrariam maior fiscalização e eficácia dos órgãos competentes”, diz.