Natalidade

16 DE ABRIL DE 2021

Número de nascimentos em Santos tem queda significativa nos últimos anos

Por uma série de fatores, casais tiveram menos filhos em 2020; cenário pode se agravar nos próximos anos

Por: João Pedro Bezerra

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Santos teve uma queda significativa no número de nascimentos nos últimos anos. O percentual caiu ainda mais em 2020, ano marcado pela pandemia.

No entanto, só teremos a comprovação que a pandemia da Covid-19 foi determinante para essa diminuição no fim de 2021, pois a maioria das gestações são de nove meses, ou seja, a maioria dos bebês que nasceram até novembro do ano passado foram gerados antes da chegada do coronavírus no Brasil.

Para se ter uma ideia da situação, em 2015, houve o registro de 9.848 nascimentos em Santos, no ano passado esse número chegou a 6.712, o que significa uma redução de 31,8%. Vale destacar que desde 2017, a taxa de natalidade em Santos tem tido sucessíveis quedas, como pode ser visto no quadro. Os dados são do Portal de Transparência do Registro Civil.

Motivos

Há várias razões para esse cenário em Santos. Em primeiro lugar, é importante frisar que o Brasil teve uma série de mudanças nas últimas décadas, afinal grande parte das mulheres estão tendo filhos com mais idade e isso impacta a taxa de fecundidade.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de fecundidade caiu de 2,39 filhos por mulher para 1,72 entre 2000 e 2015.

Para a psicanalista Juliana Viveiros, da iQuilibrio, é preciso fazer uma análise profunda sobre a decisão das mulheres terem menos filhos. “Ao longo dos anos, podemos perceber a reeducação da mentalidade da mulher, assim o aumento da informação sobre métodos contraceptivos fizeram o público feminino a ter uma visão diferente. Outro ponto é que boa parcela das mulheres preferem se estabilizar financeiramente, investindo em um primeiro momento na carreira”, destacou a psicanalista.
Juliana Viveiros também ressaltou que a tendência de comportamento familiar é deixar para ter filhos mais tarde, uma vez que o acesso à informação, aos métodos contraceptivos e o empoderamento feminino está fazendo com que as mulheres reorganizem as prioridades, buscando se estabilizar primeiro para depois conseguir oferecer melhores condições aos filhos.

Nascimento na pandemia

Bruna Telles deu a luz ao filho Théo no mês de março/ Foto: Arquivo Pessoal

Mesmo com a pandemia, casais realizaram o sonho de serem pais. É o caso de Bruna Telles, de 22 anos, que deu a luz ao Théo no dia 12 de março. “Foi o dia mais feliz da minha vida. Ele nasceu saudável e cheio de vida. A equipe médica foi maravilhosa, acabei fazendo o parto cesáreo”, destacou.

A mãe do Théo citou que por conta da pandemia não houve visitas no hospital, apenas o marido Gabriel Mudry e a avó estavam fazendo escala. Sobre a gestação, Bruna ressaltou que a gravidez foi tranquila. Apesar do receio de contrair a Covid-19, ela trabalhou normalmente e não teve problema de saúde.
Após o nascimento do filho, Bruna quer aproveitar um dos momentos mais especiais na vida de uma mãe que é ver o filho crescer ao longo dos primeiros meses. Ela destaca que está tomando todos os cuidados preventivos e respeitando o isolamento social, porém está ansiosa e com esperança nos reflexos da vacina contra o coronavírus no País.

São Paulo

O Estado de São Paulo também registrou uma queda significativa no número de nascimentos nos últimos anos. Em 2015, nasceram 646.813 mil crianças, enquanto no ano passado foram registrados 559.575 mil nascimentos, ou seja, uma queda de quase 90 mil, um número maior que a população de vários municípios paulistas.

Por outro lado, a maioria das cidades da Baixada Santista seguem o caminho contrário. São Vicente, Praia Grande, Cubatão, Mongaguá, Peruíbe e Bertioga registraram um número maior de nascimentos em 2020 do que no ano anterior. Assim como Santos, Guarujá também tem registrado uma diminuição na taxa de natalidade nos últimos anos.

Brasil

No Brasil, a taxa de natalidade sofreu uma queda no último ano. Todavia o número é ainda maior do que a registrada em 2017.

Porém, se continuar com a tendência de queda nos últimos meses, impactada pela pandemia e a crise financeira, o número deverá ser ainda menor em 2021. Em 2020, o País registrou 2,6 milhões de nascimentos, pouco mais de 150 mil a menos em relação ao ano anterior.

Com o crescimento da expectativa de vida, naturalmente o número de idosos subiu nas últimas décadas. Assim, Santos é um ótimo exemplo para mostrar esse panorama, haja visto que a cidade tem um índice elevado de pessoas com mais de 60 anos.

A queda dos nascimentos e uma população cada vez mais idosa pode trazer vários impactos, sobretudo na economia.
Mas será que teremos um problema na previdência para o futuro? Segundo o economista Dênis Castro, o Brasil já teve uma oportunidade perdida nos últimos 30 anos, com uma geração de jovens bastante numerosa em relação aos idosos.

“Não fizemos as reformas nas épocas corretas e tivemos uma reforma previdenciária extremamente prejudicial para a sociedade. O problema previdenciário já é uma realidade. Com crescimento demográfico negativo (morrem mais pessoas do que nascem) esse cenário só tende a se agravar”, salientou o economista.

Além disso, Dênis ressaltou o atual momento da pandemia, destacando que o Brasil deve seguir o modelo dos países mais desenvolvidos em testar a população economicamente ativa para então liberar essas pessoas para voltar a rotina do trabalho.

Quadro 

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