A cidade de Santos completa 480 anos na segunda-feira (26) e, dentro da programação do aniversário, acontecerá a entrega de moradias dignas para a população do Dique da Vila Gilda. Aliás, conforme o último censo do IBGE, o Município abriga 46 favelas ou comunidades, onde moram 11% da população. Ou seja, 1 em cada 10 moradores vive em sub habitações. Ao todo, 46.262 pessoas moram em favelas em Santos.
Parque
O Parque Palafitas é um plano inédito de urbanização no País com 60 unidades habitacionais em uma área de 4 mil metros quadrados na comunidade do Dique da Vila Gilda.
Já estão na etapa final de revisão os prédios T+3 (térreo mais três andares, com 16 apartamentos) e T+1A (térreo mais um andar, oito apartamentos), quatro casas acessíveis e quatro convencionais, bloco comercial (sete lojas) e as dependências para a associação de moradores.
O núcleo residencial disporá de quatro conjuntos de apartamentos com 44 unidades e dois de casas, cada um com oito residências térreas. São construções com soluções rápidas e sustentáveis, infraestrutura completa, lazer e comércio, que envolvem também a regeneração do mangue. A proposta visa reduzir a desigualdade social na Cidade, transformando as áreas de palafitas em lugares mais humanos, lugares mais verdes, mais sustentáveis, com mais dignidade para as famílias. A iniciativa é a parceria entre os governos municipal, estadual e federal.
Apartamentos
O núcleo residencial contará com quatro prédios: dois formados por térreo mais um andar, com pintura externa na cor Água Mineral (azul claro); um com térreo mais dois andares, com 12 apartamentos e pintura externa no tom Limonada (verde), e um com térreo mais três andares pintura externa na cor Início de Verão (laranja). Cada apartamento terá 41,69m² de área privativa, com sala, dois quartos, cozinha conjugada com lavanderia, banheiro e área de circulação.
Há ainda dois conjuntos com oito casas térreas cada, quatro delas com acessibilidade; dois prédios comerciais, um com quatro salas e o outro, com três, dotados de banheiros masculino e feminino, e local destinado à associação dos moradores.
As 16 casas terão, cada uma, 48,06m² de área construída, dotadas de sala de estar e jantar integrados, cozinha, área de serviço, dois quartos, banheiro e varanda dos fundos. As habitações terão piso e paredes de painéis de madeira laminada para preservar a comunidade local. Para viabilizar o projeto, foram removidas apenas as habitações mais vulneráveis junto à água, para permitir a regeneração do mangue e criar espaços de lazer, denominados respiros.
Obras a todo vapor
Já está pavimentada a Avenida Jornalista Armando Gomes, entre a rotatória e a Rua Joaquim Teixeira de Carvalho, na Zona Noroeste de Santos. O trecho é um prolongamento da avenida, em frente ao Parque Palafitas, construído para facilitar o acesso ao núcleo residencial.
A construção do acesso em frente ao Parque Palafitas, sob responsabilidade da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra), exigiu limpeza e demolições. O trecho já conta com as guias, sarjetas, calçadas acessíveis e sistema de drenagem finalizados.
Também foi remanejada a rede de energia elétrica e o local já dispõe com quatro postes com luminárias de LED de potência máxima de 350 watts e dois transformadores. Finalizando o projeto, haverá ajardinamento, onde serão plantados grama em placas, seis palmeiras jerivás e duas árvores regionais.
Sabesp
Além disso, a Sabesp informou que está investindo R$ 241 milhões para levar ligações de água e esgoto a 2,5 mil imóveis construídos sobre estacas de madeira às margens do Rio dos Bugres, em Santos. O trabalho permitirá que 10 mil moradores da maior favela de palafitas do Brasil tenha acesso ao saneamento completo. As obras foram iniciadas neste mês de janeiro e serão concluídas ainda em 2026 e se estenderão para as palafitas dos bairros das imediações, para que essas famílias tenham acesso ao saneamento básico. Entre os benefícios esperados estão a redução de doenças de veiculação hídrica, mais saúde e qualidade de vida.

Foto: Carla Oliveira
Habitação
O prefeito abordou no Programa Jornal Enfoque, do último dia 22 de dezembro, que o desafio de seu governo é diminuir a desigualdade social e esse fator está muito ligado às condições de habitação. “Aonde você tem basicamente desigualdade social em Santos? Nas palafitas, casas subnormais, no morro, nas áreas de invasão, áreas de risco e no centro, os cortiços. Então, quando trabalhamos para produzir habitação, seja regularização fundiária ou construção de unidades, estamos contribuindo para diminuir a desigualdade social e também na questão de moradia, as pessoas sem teto, as pessoas em situação de rua. Então, a moradia para mim é a melhor política social que existe”.
Famílias
Além disso, o prefeito comentou sobre a escolha das primeiras famílias para receberem as moradias. “Nessa primeira etapa, as pessoas que moravam no local ou moram ao lado, a ideia é ir desocupando as palafitas desestruturadas e encaminhando as pessoas para essas prontas, pessoas que vivem, que estão no aluguel social por causa dos incêndios. Enfim, está tudo sendo feito com critério social pela Cohab-Santista e tudo muito bem encaminhado.”
Portanto, ele menciona que a prefeitura já tem o mapeamento, a demanda pré-estabelecida e o congelamento das áreas. “Aonde realizamos a infraestrutura, porque ali você tinha uma favela chamada Butantã e Mangue Seco, que teve um incêndio. Então ali foi feita a Avenida Jornalista Armando Gomes. E ali você vê uma grande parte do mangue já restabelecido. Então dá para conviver. Hoje se fala muito de licenciamento ambiental, dá para conviver a infraestrutura. Aliás, a infraestrutura proporcionou a revitalização do mangue. Aonde nós fizemos a infraestrutura, seja pelas palafitas estruturadas, seja pela avenida, o mangue tá restabelecido”.
Contudo, ele cita que aonde não teve, são aterros, impróprios e sem mangue restabelecido. “Então, bons projetos, respeitando o meio ambiente, você consegue trabalhar dentro do critério do desenvolvimento humano, urbano, social, econômico e ambiental,” comunica o prefeito.
Desse modo, a entrega das moradias do Parque Palafitas, com investimentos em infraestrutura urbana, saneamento básico e recuperação ambiental apresentam que o enfrentamento às desigualdades históricas da Cidade necessita de planejamento. Obras como essa representam perspectiva de futuro e dignidade para diversas famílias da região.
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