Ligação Seca

Projeto de ponte entre Santos e Guarujá divide opiniões

Em audiência pública, diretor da Ecovias citou pedágio como “bloqueios”. Objetivo da ponte é resolver questões de logísticas na região

17 de julho de 2019 - 16:07

Ana Carol

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A ligação seca entre as duas margens do Porto de Santos foi tema de discussão em audiência pública realizada na noite de ontem (16), no Teatro Guarany, no Centro de Santos.

Na ocasião o diretor superintendente da Ecovias, Rui Klein, apresentou o projeto da ponte, que ligará a Rodovia Anchieta, no km 64 à rodovia Cônego Domênico Rangoni, no km 250.

A audiência foi aberta ao público, e diante do teatro lotado, houveram posicionamentos contra e a favor à ponte.

Durante a apresentação, Klein afirmou que a ponte não será pedagiada, mas que haverão “bloqueios”.

Posteriormente, essa fala foi bastante ironizada por alguns participantes do debate.

Mais de 30 pessoas subiram ao palco para expressar opinião, entre representantes de instituições e munícipes, sendo contrários ou favoráveis ao projeto.

Algumas citaram “falta de diálogo”, questionando a ausência de uma discussão atual sobre uma ligação feita via túnel submerso.

O diretor explicou que o principal objetivo do projeto é atender demandas do tráfego de cargas.

A previsão, segundo ele, é de promover o alívio de 50% na travessia de balsas, feita atualmente pela Dersa.

Klein ressaltou ainda que foram analisados sete pontos para a interligação, sendo o “fundo do canal” o ideal.

Todos os questionamentos feitos foram registrados, e alguns foram respondidos por Rui Klein e Fernando Kertzman.

O Secretário-Executivo do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), Anselmo Guimarães, mediou as questões.

 

audiência ponte santos guarujá

Presidiram a audiência pública três membros do Consema e um da Cetesb. Foto: Ana Caroline Freitas

Porto

A principal preocupação levantada pelos participantes foi em relação à expansão do Porto de Santos.

Wagner Moreira, superintendente técnico no Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), questionou o impacto na área.

Para ele, faltam mais informações e apresentação de estudos.

Moreira explicou que a limitação, no futuro, afeta o comércio exterior.

Ricardo Arten, engenheiro naval e diretor-presidente da Brasil Terminal Portuário (BTP), ressaltou a necessidade de consultar os portuários.

Além disso, ele questionou a localização da ponte.

Munícipes ressaltaram que o projeto foi divulgado rapidamente. E que, no entanto, foi pouco discutido.

Meio ambiente

Além do projeto da Ecovias, foi mostrado o EIARIMA (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental, respectivamente).

Os documentos estavam disponíveis para consulta no local, mas também pode ser consultado na internet (links acima).

Apresentadas pelo geólogo Fernando Kertzman, da Geotec, foram analisadas e reunidas informações socioeconômicas, físicas, e bióticas da região.

Entre os impactos negativos, a retirada de vegetação nativa foi citada. Bem como intervenção em cinco cursos d’água, incluindo o Canal do Estuário.

Por outro lado, o impacto positivo, de acordo com o geólogo, inclui redução na emissão de poluentes, geração de empregos e melhora na circulação de veículos.

Além disso, Kertzman enfatizou uma posterior compensação ambiental, com coleta de mudas e replantio.

Ricardo de Souza, Secretário Adjunto do Meio Ambiente do Guarujá, mostrou preocupação em relação à destinação de verbas da obra.

Além disso, questionou se Guarujá também será contemplada, com a compensação.

 

 

ponte Santos Guarujá

Projeto da interligação entre a Via Anchieta (SP-150) e a Rod. Cônego Domênico Rangoni (SP-055 “Piaçaguera”). Foto: Reprodução

O projeto

A Ecovias é a concessionária responsável pelo Sistema Anchieta-Imigrantes, e responsável pelo projeto.

A ponte surge como alternativa para a travessia entre Santos e acesso ao Guarujá.

Entretanto, na verdade, liga duas margens do Porto de Santos.

Atualmente, a travessia de balsas da Dersa faz percurso de 450 metros. Entretanto, somente podem utilizar o serviço os veículos leves, motos e ciclistas.

Dessa forma, o transporte de cargas é feito por via terrestre, pela Cônego Domênico Rangoni (SP 055), partindo de Cubatão.

O trajeto tem 45 quilômetros de extensão.

O projeto da ponte, orçado em R$ 2,9 bilhões, tem as seguintes características:

  • 7,5 quilômetros de extensão (sendo 1,1 quilômetro de ponte sobre o canal, o restante sobre viadutos)
  • 85 metros de altura
  • 305 metros de largura entre pilares
  • pista dupla com 3,5 metros de largura
  • 4,5 metros de acostamento
  • 80 km/h foi a velocidade máxima estabelecida

 

ponte

Ponte surge como mais uma alternativa de travessia. Foto: Divulgação/Ecovias

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