Setembro Amarelo

Psicóloga alerta sobre aumento no número de casos de depressão

Mariângela Veiga ressalta que desde que iniciou na profissão, casos de depressão, crises de ansiedade, pessoas com viés suicidas e auto-mutilações aumentaram

13 de setembro de 2020 - 09:20

Felipe Rey

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Caminhada de Valorização da Vida

Simbolizado pela cor amarela, o dia 10 de setembro foi escolhido oficialmente como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, pela Organização Mundial de Saúde.

No Brasil, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, promove a campanha para conscientizar a população sobre a gravidade dos problemas.

Tendo como ideia auxiliar as pessoas, a psicóloga Mariângela Veiga relata que a pesquisa mais recente sobre o número de suicídios no Brasil e no mundo aumentou assustadoramente.

Mas, segundo ela, ao longo de maio, foram 103.923 menções ao tema.

“Dentro deste número, registrou aumento no número de depoimentos e relatos. De 6,3%, em 2017, passaram para 23,5%, em 2020. Isso mostra que as pessoas estão mais confortáveis em falar sobre como se sentem”, salienta.

Ainda de acordo com ela, a pesquisa avaliou publicações que mostram conteúdos positivos, como, por exemplo, o auxa depressão.

Em 2017, 28,8% representavam este assunto, enquanto neste ano o total passou a 63,5%.

Pandemia

Com o decreto da quarentena obrigatória, o isolamento social também agravou ainda mais os problemas de saúde mental em toda a população.

A psicóloga relata que nunca atendeu tantos casos de depressão, crises severas de ansiedade, pessoas com viés suicidas e auto-mutilações, desde que começou a trabalhar na área.

De acordo com o relatório da OMS, divulgado em 2019, foi apontado que o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 24 anos, sendo superado apenas pelos acidentes de trânsito.

“Cada suicídio é uma tragédia que afeta famílias, comunidades e países inteiros e tem efeitos duradouros sobre as pessoas deixadas para trás”, ressalta Mariângela.

Ela ainda salienta que devido a pandemia do novo coronavírus, as pessoas ficaram sem perspectiva de quando tudo isso acabaria e também sem um direcionamento seguro das autoridades.

Na visão dela, isso foi um grande baque na vida da população em geral. Além disso, a instabilidade interna, somada aos problemas pessoais, ao convívio familiar 24h por dia e a privação do convívio social aumentaram os problemas internos.

“O que era bom e o que não era ficaram potencializados. E o que fazer com isso?”, questiona a profissional.

 

Em Santos

Mesmo devido a pandemia da Covid-19, os números registrados de suicídios na Secretaria de Saúde de Santos não aumentaram.

Neste ano, de janeiro até agosto, foram notificados 18 casos entre residentes do município. No mesmo perído em 2019, foram registrados 21 casos.

Desde o início da pandemia, 12 casos foram notificados. Já no ano passado, neste mesmo período, a Cidade havia registrado 11 casos de suicídio entre moradores de Santos.

“Os dados estão sujeitos à alteração pois a Seção de Vigilância Epidemiológica (Seviep) pode receber novas notificações do Instituto Médico Legal (IML)”.

Pensando em conscientizar a população regional a respeito do Setembro Amarelo, a Prefeitura já está realizando iniciativas para este mês.

Na próxima quinta-feira (23), às 16h, a Prefeitura realizará uma live com o médico Roberto Tykanori, onde o tema será A Dinâmica dos Afetos – Uma perspectiva do Cuidado com Amor em Saúde Mental.

Já no dia 30, às 11h, haverá a live Produção de Vida na Rede de Saúde Mental de Santos.

Ambas as lives acontecem pelo perfil do Instagram @munizpauloguilherme.

 

 

Ligações

Atendendo os que precisam, o Centro de Valorização da Vida (CVV) segue atuando no auxílio daqueles que necessitam de ajuda. De acordo com o porta-voz do CVV Santos, Renato Caetano, aproximadamente 9 mil ligações por dia em todo o País foram realizadas mesmo com a pandemia.

Alguns voluntários, devido a idade ou a problemas de saúde, não puderam trabalhar in loco no CVV.

Assim, tiveram que instalar um software em casa para que pudessem continuar auxiliando no trabalho, contou Caetano.

“Quem pode, foi ao posto de trabalho normalmente. Mas foi dessa maneira que hoje nós conseguimos atender o mesmo número de chamadas que atendíamos antes da pandemia”, finaliza.

Para conversar com um voluntário do CVV, basta ligar para o número 188 de todo o território nacional, 24 horas por dia de forma gratuita.

Caso queira, o CVV também disponibiliza chat e e-mail, acesse https://www.cvv.org.br/postos-de-atendimento.

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