Rogério Santos

Educação, geração de empregos e Saúde, prioridades do novo prefeito eleito

Eleito com 50,58% dos votos, o prefeito eleito Rogério Santos promete surpreender aqueles que votaram ou não nele. “Irei governar para todos”, salientou.

19 de novembro de 2020 - 19:56

João Pedro Bezerra

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Com 50,58% dos votos válidos, Rogério Santos (PSDB) foi eleito prefeito de Santos pelos próximos quatro anos. Ele tomará posse em 1º de janeiro de 2021. A vitória veio no 1° turno, graças a uma pequena margem de 1.161 eleitores. A Zona Eleitoral 118 (Zona Noroeste, Morros, Encruzilhada, Vila Mathias e região central, além da área continental) foi determinante para a conquista já no último domingo. Foi nesta região que ele recebeu 62,59% dos votos válidos.

Dessa forma, Rogério Santos, que atuou como chefe de Gabinete e depois como secretário de Governo na gestão do atual prefeito Paulo Alexandre Barbosa, conseguiu derrotar os 15 adversários, em uma eleição completamente atípica por conta da pandemia e pelo recorde no número de postulantes ao cargo no Palácio José Bonifácio.

O prefeito eleito concedeu entrevista ao Boqnews na tarde da última quarta-feira (18) na Sala Esmeraldo Tarquínio, espaço emblemático onde foram anunciados grandes momentos para a Cidade pelos seus antecessores.

 

O prefeito eleito, Rogério Santos, fala das suas propostas para governar a cidade nos próximos 4 anos. Foto: Nando Santos

 

Nesta entrevista, ele destaca a continuação de projetos, realização de melhorias e desafios que terá ao longo do mandato.

 

Qual é o maior desafio que o sr encontrará em sua futura gestão?

São vários desafios, mas o maior em um primeiro momento é a pandemia. O governo conseguiu fazer com que as pessoas tivessem acesso ao tratamento. Nós temos leitos disponíveis. Agora, é preciso superar a questão do desemprego, que é um problema nacional, e a retomada das aulas presenciais.

 

Como será substituir um governo que tem alta popularidade?

Temos um governo com 80% de aprovação, mas nem todos votaram em mim. Isso mostra que o eleitor não vai por indicação. Ele precisa confiar. Em todos os lugares que estive ao longo da campanha, a população perguntava se o trabalho realizado pela atual gestão teria continuidade. Eu respondi que sim, olhando no olho da pessoa. Vamos governar juntos, pois ser prefeito é ser funcionário público.

 

Quais planos para a retomada econômica em 2021, sobretudo pela esperança da aprovação da vacina contra a Covid-19?

O problema é crônico em todo o Brasil desde o ano de 2014. Passamos pela maior crise econômica da história do país e Santos deu exemplo, com a eficiência da máquina administrativa. Precisamos agora investir ainda mais, trazendo empresas da área retroportuária. A outra vocação é o Parque Tecnológico. Temos parcerias com diversas instituições, como a Amazon e a Microsoft, vamos envolver o parque sendo um centro em empreendedorismo, junto com as universidades, desenvolvendo toda a economia criativa. Além disso, o município tem o foco no turismo. Atualmente, temos diversos pontos, como a Lagoa da Saudade, Jardim Botânico, a Ponta da Praia, com o centro de convenções gerenciado pela GL Events, a maior empresa do mundo no setor e vamos continuar o projeto do Novo Quebra-Mar. Por fim, a questão da infraestrutura que além de trazer desenvolvimento econômico gera empregos.

 

Uma dos temas mais comentados pelos seus adversários na corrida eleitoral foi a questão da revitalização do Centro de Santos. Quais são seus projetos para a área?

O atual governo investiu R$ 120 milhões na região central e vamos investir mais. O grande caminho para a revitalização do Centro é a moradia. Todas as regiões de Santos têm comércio, prestação de serviço e moradia. A única que tem pouca moradia é o Centro. Vou criar um órgão específico de desenvolvimento especial, que é o “Investe Centro“, no qual vai tratar da questão da habitação, da ocupação do comércio e vou fazer um esforço com as universidades para que venha alguns campis para o local, pois o desafio é fazer que as pessoas circulem na área o dia todo. E por fim, trazer o Terminal de Cruzeiros Marítimos, aproveitando a capacidade da região central.

 

Ao longo de 2020, uma das maiores queixas da população foi referente ao transporte público, principalmente na questão da frota de ônibus. Como este cenário pode ser revertido em benefício da população?

Vamos cobrar a eficiência, pois transporte público trabalha com pontualidade, segurança e conforto. Avançamos muito na questão da climatização e acessibilidade, mas isso ainda não é o suficiente. Precisamos melhorar na pontualidade e que os veículos passem com mais frequência.
Além disso, é necessário pensar na oferta de outros modelos para o transporte, como as ciclovias e a extensão do VLT, com a integração do Cartão Transporte. Vamos buscar formatos para baratear a passagem de ônibus, por meio do uso de uma inteligência da integração de novas linhas com o VLT. Outra forma de resolver o problema da mobildiade é evitar deslocamentos, além do uso dos semáforos inteligentes.

 

Como vai ser o diálogo com outras cidades da Baixada Santista e a atuação do Condesb?

Nós vamos apoiar o Aeroporto Metropolitano de Guarujá, pois a região precisa. O turismo tem que ser pensado como um modelo único. Temos que apoiar a industrialização, juntamente com o prefeito de Cubatão. Precisamos pensar em políticas metropolitanas, como a saúde, por exemplo. Quando abrimos novos leitos em Santos, isto é benéfico para toda a região.

 

O destino do lixo em Santos é muito discutido, principalmente pela hipótese de um incinerador no Sítio das Neves. Qual sua posição sobre esta questão?

Eu sou contra o uso de incinerador, mas sou favorável as tecnologias que não causam impactos ambientais. É necessário olhar o exemplo de outros países. A reciclagem será a política número 1 em relação à área. A população é muito importante para realizar este processo. Retiramos 12 toneladas de lixo da galeria por dia. É preciso trazer empresas de transformação de plástico e alumínio para Santos ou em outras cidades, mas que seja de forma regional.

 

O sr comentou que quer chegar a 75% o número de escolas em tempo integral. Para realizar este projeto serão construídos novos colégios ou outros espaços passarão a ser utilizados?

Vamos ocupar os espaços públicos, existem equipamentos que podem ser mais utilizados com a educação. Eu pretendo integrar as secretaria de Esportes e Cultura ainda mais. A escola precisa estar além dos muros, sendo o grande centro de cidadania. Vou seguir o que os educadores santistas planejaram para a cidade, mas não realizaram por conta da pandemia, respeitando sempre o Plano Municipal de Educação. Vamos trabalhar o uso da tecnologia, uma televisão educativa, o acesso à internet, pois o momento precisa disso. Temos locais que necessitam de novas escolas, como no São Manoel, Caneleira, São Jorge e no Morro do José Menino, onde faremos novas unidades de ensino, além das reformas em vários colégios.

 

Prefeito eleito se surpreendeu com a vitória no primeiro turno, graças à votação expressiva na ZE 118ª, onde obteve 62,59% dos votos válidos. Foto: Nando Santos

 

O auxílio emergencial não continuará em 2021. A preocupação é que este futuro problema fique com os municípios. Como tratar este assunto, principalmente para as pessoas mais pobres?

A Prefeitura garante o atendimento para a população nas UPA’s. Foram construídas 11 novas policlínicas e ampliamos o cadastro do Bolsa Família com o Governo Federal. O município tem programas de transferência de renda do Estado de São Paulo e próprio, como o ‘Projeto Fênix’, que dá um salário mínimo para a população de rua. Quero criar mais um programa de renda para o idoso em situação de vulnerabilidade. Espero que o Governo Federal continue com o auxílio emergencial, pois o programa é necessário, sendo mais criterioso, já que muitas pessoas tiveram o benefício sem precisar.

 

Quais são seus projetos para a área cultural e esportiva, sobretudo na Arena Santos, que foi inaugurada em 2010, e já passou por novas obras, mas não está sendo tão utilizada?

Meu projeto é transformar aquela área em um parque da cidade, com uma área mais verde unindo o centro esportivo. Acredito que a estrutura possa receber diversos eventos culturais e apresentações para promover a cidadania, levando principalmente as famílias. O espaço, inclusive o Cais Santista, também pode ser essencial para o setor audiovisual de Santos, com estúdios e cenários para atrair mais produções.

 

Há alguma possibilidade do sr convidar alguns vereadores eleitos para as secretarias?

Acabei de ser eleito. Já fiz uma reunião com o ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas para garantir a obra de drenagem na entrada de Santos. Já nomeie a equipe de transição. Não tenho nenhum nome ou uma sugestão de vereador, pode até surgir, mas não existe nada neste sentido por enquanto. A prioridade foi a Educação, onde a secretária Cristina Barletta foi mantida. (ela foi anunciada pouco antes da entrevista).

 

Rogério Santos por Rogério Santos?

Sou um santista que agradece a Cidade por ter recebido meu pai que veio de Portugal e conheceu minha mãe, uma moradora do bairro do Campo Grande. Sou um munícipe de bem com a vida. Gosto de surfar, jogar futebol na praia, andar de bicicleta e conversar com os amigos. Agradeço a tudo que Deus me deu e tenho orgulho de Santos e todas as pessoas que fazem parte da história da Cidade.