Meio Ambiente

Santos recicla apenas 18% do lixo produzido na Cidade

Do total do lixo recolhido diariamente em Santos, 40% são compostos por materiais recicláveis. Além do Executivo, ONG Sem Fronteiras ajuda a na reciclagem

23 de agosto de 2019 - 18:40

Felipe Rey

Compartilhe

Os números de resíduos reciclados ainda são pequenos em termos proporcionais, mas conforme o secretário de Meio Ambiente, Marcos Libório, os dados colocam Santos entre as melhores colocações no Brasil.

Na Cidade, por dia, 500 toneladas de lixo são recolhidos.

Já na região metropolitana da Baixada Santista, são coletadas 2 mil toneladas/dia.

Do montante de 500 toneladas, apenas 40% são destinadas para reciclagem.

No entanto, deste montante, apenas 18% é realmente reciclado.

Ou seja, o restante que deveria ser reciclado acaba sendo levado para o aterro sanitário Sítio das Neves, na área continental de Santos.

Hoje, segundo Libório, a população está produzindo lixo em demasia, mas ressalta que deve haver, por parte do Executivo, um foco na parte do lixo que está indo ao aterro.

“A população coloca muita coisa na calçada que é lixo misturado”, lamenta.

Há 28 anos sendo realizada na Cidade, a coleta seletiva deu um grande avanço, pontuou o secretário.

Nos primeiros 26 anos, apenas 2% do lixo coletado era de fato reciclado.

A mudança na legislação, com previsão de multas, e maior conscientização das pessoas impulsionou o volume coletado. Mas dá para avançar mais.

O representante da pasta explica que alguns resíduos não são recicláveis como a população pensa.

“Embalagens aluminizadas de salgadinhos e papelão sujo de pizza não são recicláveis. Algumas garrafas de leite também não são possíveis reciclar”, salienta.

Pior se não estiverem limpas

Ele diz que a indústria precisa fazer opções de produtos para que sejam reciclados.

Libório ressalta que alguns custos são elevados, portanto, não ainda não são economicamente viáveis para reciclagem. É o caso do isopor.

 

Em dois anos, Santos passou de 2% para 18% o número de resíduos reciclados. Foto: Divulgação

 

Ajuda de terceiros

Mesmo tendo a coleta própria realizada pela Prodesan, alguns parceiros também ajudam a Prefeitura.

O Condomínio Sustentável, no caso, já auxilia na reciclagem de resíduos desde sua primeira fase, em agosto de 2017.

À época,  700 condomínios foram contemplados com a iniciativa que visa realizar consultorias em sustentabilidade, identificando melhorias que podem ser implementadas nos condomínios dos bairros da orla de Santos.

No próximo mês, a segunda edição do programa começará e, segundo Libório, todos os bairros da zona intermediária da Cidade serão favorecidos com o projeto.

Entretanto, a Prefeitura trabalha com mais programas que visam melhorar o meio ambiente, como o Composta Santos.

A proposta, neste caso, é reduzir o envio de materiais para o aterro sanitário e promoção da agricultura urbana.

Para saber ainda mais sobre o projeto, acesse o site.

 

Em risco

Segundo o vereador Sadao Nakai (PSDB), a coleta santista está com sérios problemas.

O edil apontou dados alarmantes em relação ao lixo triado pela Prefeitura.

De acordo o parlamentar, 63% de tudo recolhido no Programa Lixo Limpo, depois de triado, era, na verdade, lixo sujo.

Todo os rejeitos foram encaminhados ao aterro sanitário Sítio das Neves.

“Há muito material que as pessoas acreditam que são recicláveis e que, na hora da reciclagem mesmo, vão para o aterro sanitário”, argumenta.

Ou seja, mistura-se ao lixo orgânico.

Outro problema é a necessidade de se responsabilizar os produtores por darem a destinação adequada aos resíduos produzidos a partir de suas fabricações.

Como já prevê a Política Nacional de Resíduos Sólidos, por meio da chamada logística reversa.

“A indústria tem que colocar quem busque esses produtos. Tem que ter sistema para coletar o que ela produz e virou resíduo, ou forçar que as empresas adotem apenas materiais realmente recicláveis em sua linha de produção”, pondera.

 

Usina de Triagem de Lixo Reciclável é responsável pela reciclagem da Cidade. Foto: Divulgação

 

Números do rejeito

Por fim, Sadao apontou alguns dados sobre o volume de lixo limpo e de rejeitos recolhidos de 2016 a 2018.

Segundo o edil, o relatório da Secretaria de Meio Ambiente apontou que das 3,7 mil toneladas coletadas de lixo reciclável em 2016, 1,9 mil foram rejeitadas.

Assim, 51,5% do material recolhido para fins reciclados vai ao aterro.

Em 2017, por sua vez, das 4,5 mil toneladas, 2,1 mil foram rejeitadas. Cerca 47% do total coletado.

Até novembro do ano passado, 2,8 mil toneladas de recicláveis foram rejeitadas.

 

Tampa Amiga

A separação plena de produtos recicláveis – que vai além da colocação nos tambores coloridos (amarelo, vermelho, azul e verde) é um desafio. Mas é possível superá-lo.

Um bom exemplo é o projeto Tampa Amiga, que foca na separação de tampas plásticas (as PEAD – Polietileno de Alta Densidade, presentes em tampas dos refrigerantes e águas) .

Iniciado em março de 2018, o projeto já recolheu mais de 17 toneladas destes plásticos, cujos valores arrecadados na venda ajudam na manutenção de duas entidades (ARS e Escola Portuguesa).

Hoje, segundo o idealizador do projeto junto com sua esposa, o médico Bruno Pompeu, a campanha de arrecadação consegue, em média, recolher mais de um tonelada por mês de tampinhas (para cada quilo são necessários cerca de 980 unidades).

“A arrecadação das tampinhas está sendo trabalhada via whatsapp e também no boca a boca. Pedimos para as pessoas separarem nas casas e também nas escolas”, afirmou.

Uma verdadeira rede de colaboradores e estabelecimentos aderiu à causa.

O sucesso é tanto que os plásticos já não cabiam mais na garagem da casa de Pompeu.

A solução foi alugar um contêiner, instalado na Abor, junto ao Canal 6, na Ponta da Praia, onde voluntários se reúnem para fazer a separação do material.

Hoje, o projeto visa a separação das tampas por cores e também por especificações.

O Tampa Amiga conta com página no Instagram.

 

 

Arte: Rom Santa Rosa

 

Descarte

Se o número de recicláveis é de apenas 18%, para o presidente da ONG Sem Fronteiras, Marcelo Adriano, este volume poderia ser de 99% se houvesse maior conscientização.

Segundo Adriano, se as pessoas descartarem o material de forma correta, ele será transformado em um novo produto e ajudará a criar renda para pessoas em vulnerabilidade social, especialmente moradores de rua.

Na ONG, os colaboradores são pessoas de baixa renda que dependem da catação de lixo para sobreviver.

A má instrução no descarte prejudica, regularmente, o processo de reciclagem, conta Adriano.

Contudo, ele relata um fato comum: misturar as fezes dos animais junto aos materiais recicláveis.

“Há contaminação dos resíduos, que não servem mais para a reciclagem”.

Mas este não é o único problema que a ONG enfrenta.

Por não ser financeiramente viável, o presidente conta que se não fossem as parcerias com condomínios, o projeto já teria encerrado as portas e deixado inúmeras pessoas sem renda.

“Pagamos R$ 10 mil de aluguel. Hoje, vendemos o vidro a R$ 0,05 e eu preciso subir na caçamba para quebrá-lo para dar peso. Nós sabemos que muitas garrafas quebradas custaram bem mais que este valor”, lamenta. A ONG atende pelo telefone 3025.7373/97402.2123.

LEIA TAMBÉM: