Reflexões

São Vicente promove círculos para homens autores de violência contra a mulher

Dinâmicas socioeducativas, com colaboração de 11 multiplicadores, serão realizadas a partir de parceria entre o Núcleo de Justiça Restaurativa e a Prefeitura

05 de novembro de 2019 - 17:21

Da Redação

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São Vicente passa a contar, nos próximos dias, com as ações promovidas por meio do Projeto Socioeducativo de Responsabilização de Homens Autores de Violência Contra a Mulher.

Promovida a partir de parceria entre o Núcleo de Justiça Restaurativa, do Tribunal de Justiça de São Paulo, e a Prefeitura, a iniciativa formou, na semana passada, 11 multiplicadores.

A partir de agora, por meio de encontros semanais (círculos de debate), eles serão responsáveis por transmitirem a outros homens a importância do respeito para com as mulheres.

E, além disso, o significado do que é ser verdadeiramente um companheiro em suas atribuições no lar, na família e na sociedade.

Preparo

A preparação dos 11 homens voluntários foi o primeiro passo para a formação dos futuros círculos, conforme explica a juíza do Juizado Especial Civil e Criminal de São Vicente, Dra. Fernanda Souza Pereira de Lima Carvalho.

“Eles foram preparados para ministrar os conhecimentos necessários entre homens que tiveram ou têm algum comportamento que não seja condizente com o que se espera do homem consciente”, destaca.

Assim, os círculos receberão homens encaminhados por varas de violência doméstica.

Haverá medidas socioeducativas e penas alternativas, como prevenção de violências que se mostrem iminentes diante de comportamentos agressivos e ameaçadores daqueles que tiveram a construção de masculinidade afetada por relações de poder, violência ou incapacidade de se comunicar ou manifestar necessidades de formas não violentas.

“Temos de destacar que não falamos apenas em violência física. Falamos também da falta de habilidades, para se mostrar parceiro na educação de filhos, estar presente. Afinal, existem vários tipos de violência, inclusive as silenciosas, que são opressoras. E estas não acontecem, necessariamente, apenas contra a esposa. Elas podem ocorrer contra as mulheres em geral”, explica a Dra. Fernanda.

Para o prefeito de São Vicente, Pedro Gouvêa, as mulheres têm garantido mudanças significativas na Sociedade, e isso tem de ser incentivado.

“Vivemos um momento em que as mulheres têm provocado mudanças fundamentais, e todos nós temos de apoiar, incentivar e valorizar esse empoderamento. Somente juntos, vamos, realmente, construir o futuro esperado”, comentou.

Formatura

Realizada no plenário da Câmara Municipal, a formatura dos 11 multiplicadores foi marcada por muitos momentos de reflexão.

Os presentes, inclusive, tiveram a oportunidade de conhecer a base do curso E agora, José? – Pelo fim da Violência contra a Mulher.

Além disso, no evento, o idealizador do grupo, Reginaldo Bombini, falou sobre o programa e seus objetivos.

“Ele visa acolher homens que cometeram algum tipo de violência no âmbito familiar e doméstico contra alguma mulher, para, dentro de uma perspectiva de Justiça Restaurativa, levá-los a refletir sobre o que aconteceu”.

Bombini também citou as reuniões que serão promovidas por meio da iniciativa.

“Serão realizados encontros (círculos) semanais, com duas horas de duração. Neles, teremos oficinas socioeducativas”, descreveu.

Tão logo sejam implantados, os círculos serão realizados em uma área destinada a este fim, na sede da Associação Comercial de São Vicente.

O endereço é na Rua Jacob Emmerich, 1238, Parque Bitaru. Encontros serão às quartas-feiras, das 18 às 20 horas.

 

multiplicadores círculos socioeducativos

Iniciativa visa, sobretudo, levar o homem a refletir para que possa mudar. Foto: Cynthia Rocha/PMSV

Reflexão

Na cerimônia de entrega dos diplomas, a juíza da 2ª Vara da Família de São Vicente, Dra. Vanessa Aufiero da Rocha, propôs uma dinâmica para reflexão.

Seis homens e seis mulheres representaram o passado e o presente (três de cada grupo em uma fase do tempo).

Na dinâmica, cada grupo pôde se desprender de conceitos que não eram seus. E também refletir sobre a melhor forma de se garantir o respeito e a integração entre homens e mulheres.

Assim, com a construção de uma sociedade igualitária e justa.

Ao término da cerimônia, o psicólogo Saulo Ricardo Teixeira fez a leitura do conto Marcela. Foi abordado, sobretudo, a sexualidade, o machismo e as masculinidades possíveis.