Lacres e tampas plásticas são recolhidas e se transformam em leite e achocolatado. Foto: Nando Santos

Tampa Amiga

24 DE JULHO DE 2018

Recolhendo tampas plásticas e lacres para alimentar crianças carentes

Médico de Santos inicia campanha usando o whatsapp para recolher tampas plásticas e lacres e assim garantir leite e alimentos para crianças carentes

Por: Fernando De Maria

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Milhares de tampas coloridas de embalagens, além de lacres de latas, já foram recolhidas pela corrente da Tampa Amiga. Foto: Nando Santos

 

Tampas plásticas. Todo dia você se depara com uma.

No entanto, para quem não conhece detalhes sobre o plástico este universo parece uma sopa de letras ou legendas partidárias, como PET, PEAD, PVC, PEBD, PP, PS e Outros.

No meio desta mistura de composições químicas, o médico Bruno Pompeu Marques nem imaginaria que seria o catalisador de ações ambientais e sociais em tão pouco tempo, responsável em amenizar as dificuldades de dezenas de crianças.

Tudo começou no início deste ano.

Atendendo a um pedido de sua enteada, ele começou a guardar lacres de alumínio – os das latinhas de refrigerantes e cervejas – e tampas de plásticos – classificados na química como PP.

Objetivo: recolher material para a compra de cadeiras de rodas, campanha que auxilia entidades na aquisição destes equipamentos para pessoas com problemas de locomoção, por exemplo.

Sem perceber, começou a recolher tais objetos nas ruas e nas praias.

“Foi um volume expressivo que eu recolhi”, lembra.

A quantidade, portanto, chamou-lhe a atenção.

Afinal, não imaginava o volume de lixo reciclável que poderia ter outro destino.

Paralelamente, um amigo convidou-lhe para conhecer uma entidade social, a ARS – Ação de Recuperação Social, localizada no Chico de Paula, em Santos, no litoral paulista, que realiza um importante trabalho naquela região carente de Santos.

Ao lado da esposa, Dulce Del Santoro, conheceu o trabalho desenvolvido pela entidade e refletiu. “Como ajudá-los?”.

A indagação levou-lhe à reflexão e à união dos pontos.

Afinal, além do trabalho ambiental com o recolhimento dos lacres e tampas plásticas, por que não contribuir – de uma maneira mais objetiva e atendendo a um número maior de pessoas – dezenas de crianças carentes?

Antes, porém, precisou verificar quem se interessaria pelo material recolhido. Procurou entidades de servir. Sem sucesso.

Encontrou um estabelecimento, Depósito Silvano, na Vila Nova, que compra os “plásticos duros coloridos”.  Os PPs, para fins químicos.

“Ele também abraçou a causa”, salienta.

Assim, Pompeu resolveu acionar os amigos e graças à tecnologia – via whastapp – iniciou uma rede colaborativa que tem crescido a cada dia.

 

Tampas plásticas – Captação e Catação

Criou o grupo Captação e Catação, onde são postadas mensagens relacionadas às causas ambientais e também os resultados do recolhimento do material.

Já são mais de 100 integrantes participando da proposta.

Até a semana passada, mais de 631 quilos tinham sido recolhidos.

“E tenho uns 100 quilos para receber nos próximos dias”, diz Bruno, surpreso com o rumo que ideia ganhou.

Neste ritmo, antes do final do ano ele calcula chegar a 1 tonelada de lacres e tampas recolhidas das ruas.

Colaboradores ajudaram na criação da logomarca do projeto Tampa Amiga, inclusive com a confecção de camisetas. Foto: Divulgação

 

A ponto de pessoas estarem recolhendo os objetos até em outras localidades, como São Paulo e Araçatuba, no interior paulista, para reforçar a corrente da Tampa Amiga, nome carinhoso que o projeto recebeu por alguns dos seguidores.

Até camisetas já foram impressas pelos voluntários.

Afinal, diariamente, comerciantes, amigos, condomínios e anônimos  se unem nesta cruzada para o recolhimento do material.

“Meu carro vive cheio de tampas e lacres”, brinca.

“Estou até pensando em comprar um kombi”, acrescenta.

Assim, o médico, que divide suas atividades profissionais no Centro de Saúde Martins Fontes no período da manhã e no seu consultório no Boqueirão, no período da tarde, ainda arruma tempo para recolher as doações.

Assim, não é difícil se deparar com o médico recolhendo tampas e lacres dos objetos deixados nas ruas antes da coleta dos caminhões do lixo reciclável da Prodesan/Prefeitura.

“Costumo fazer isso nas horas vagas”, reconhece.

“O objetivo é ajudar as crianças e dar um destino melhor a este tipo de lixo reciclável”, destaca.

Leite e achocolatado para as crianças

Depois do material recolhido, Pompeu os vende.

Com o dinheiro recebido compra leite, farinha, açúcar e achocolatado beneficiando mais de 100 crianças, tanto da ARS como do Lar Veneranda, no Campo Grande, outra entidade beneficiada com a ação.

Só de leite já foram quase 100 litros  adquiridos  abastecendo os estoques das entidades.

Há pontos de entrega no Colégio do Carmo, na Ponta da Praia.

E também nas portarias do edifício Med Center (Rua Olinto Rodrigues Dantas, 343, na Encruzilhada) e também na do consultório do médico (Avenida Afonso Pena, 170, no Boqueirão). Todos em Santos, no litoral paulista.

 

Lixo nas praias

Além disso, ao lado de amigos do whastapp, eles promoveram uma ação para retirada do lixo das praias em uma manhã ensolarada do último dia 14 de julho, um sábado.

Todos, aliás, vestidos com camisetas com o símbolo da campanha, o Tampa Amiga, tomando como referência as tampas plásticas.

A ideia original era iniciar na Ponta da Praia, junto ao Aquário, em direção ao Canal 3.

No entanto, a quantidade de lixo encontrada junto às pedras que separam o mar das muretas era tanta que o grupo resolveu se concentrar em frente ao ponto turístico.

“Havia tanta sujeira, tanto plástico”, lembra Pompeu.

Aquele trecho da praia recebe os dejetos lançados no mar não só em Santos.

Afinal, há também o lançamento ao longo do estuário, vindos de Guarujá, Cubatão e Vicente de Carvalho.

Sem contar os ‘dentes de vampiro’, as tampas plásticas parecidas com as de canetas esferográficas usadas para inalação de drogas.

Uma nova ‘caça’ ao lixo nas praias já está sendo agendada para breve.

 

Duplo papel

E assim, o médico e as dezenas de colaboradores estão se unindo nesta cruzada de duplo papel: social – para garantir alimentos às crianças – e ambiental – para tentar transformar o mundo um pouco melhor – e menos poluído.

PS.: quem quiser entrar nesta corrente do bem, pode acompanhar a página do médico Bruno Pompeu, que ainda arruma tempo para escrever seus textos no facebook aos seus quase 19 mil seguidores.

Dessa forma, as curtidas e comentários se multiplicam quando ele posta um novo texto…

 

O médico se surpreendeu com a repercussão do projeto que a cada dia ganha mais adeptos. “Já estou pensando em comprar um kombi para transportar os lacres e as tampas”, brinca.

 

Plásticos – como identificar

Os plásticos estão presentes no cotidiano da sociedade moderna.

Muito se fala, porém, na coleta seletiva e reaproveitamento.

Na prática, porém, elas fazem parte do dia a dia das pessoas e na maioria das vezes se mistura ao lixo comum, provocando impactos negativos na natureza e transtornos à sociedade.

Mas até aqueles que têm o hábito de reciclar o lixo podem estar cometendo equívocos.

Afinal, nem todo o tipo de plástico pode ser reciclado.

Assim, na simbologia química, existem 7 tipos de plásticos.

Portanto, para identificá-los, basta ler os números que eles apresentam nas embalagens.

No entanto, apenas três, o 2, 4 e 5, são recomendáveis para reciclagem.

Tratam-se do PEAD – Polietileno de Alta Densidade, PEBD – Polietileno de Baixa Densidade e PP – Polipropileno.

Porém, o número 1 (PETs – Politereftalato de etileno) também pode ser usado, mas com moderação.

Afinal, com o uso excessivo as embalagens exalam substâncias cancerígenas.

Os demais – em razão dos produtos químicos nele inseridos – nem podem ser reciclados.

Portanto, para saber o tipo de cada plástico, basta olhar o número inscrito nas embalagens de plástico.

(Quer entender mais? Acesse https://www.youtube.com/watch?v=rB9GPhOTwFQ&feature=youtu.be)

 

 

 

 

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