Transporte

Transporte Público em Santos ameaça os protocolos de segurança da Covid-19

Enquanto trabalhadores voltam às atividades, a oferta de ônibus não acompanha o aumento do fluxo

19 de junho de 2020 - 18:12

João Pedro Bezerra

Da Redação

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Com grande parte das pessoas de volta ao trabalho devido a retomada gradual da economia na Baixada Santista, a expectativa é que a frota de ônibus em Santos voltasse pelo menos a ter uma capacidade bem maior em relação ao período de fechamento das atividades que durou quase três meses.

No entanto, o que se viu na semana foi totalmente ao contrário. Algo para testar a inteligência de todos no combate ao coronavírus. Com menos ônibus, consequentemente o número de usuários por transporte é maior causando aglomerações no ponto e na parte interna dos veículos, sobretudo nos horários de pico.

Um destes exemplos é o ponto da Ponta da Praia, próximo à estação de barcas Santos/Guarujá. Durante a semana, no começo da manhã e no fim de tarde tem aglomerações de pessoas que esperam o ônibus no local.

Ponto da Ponta da Praia na manhã de quarta-feira (18)/ Foto: internauta

Defensoria Pública

No mesmo dia que o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) liberou a reabertura das atividades econômicas e garantiu o retorno da frota, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo enviou um ofício a Prefeitura pedindo que o município garantisse 100% da frota dos ônibus, ou seja, o funcionamento dos 273 veículos da Viação Piracicabana, responsável pelo transporte na Cidade, o que não ocorreu.

Com menos de 50% da capacidade total da frota, o órgão solicitou o bloqueio de R$ 3 milhões da Piracicabana e uma multa de R$ 10 mil para cada veículo parado.

De acordo com a Defensoria Pública, o pedido de bloqueio foi feito em razão de que 304 veículos não circularam nos horários de pico do dia 12 de junho (Dia dos Namorados, quando o comércio já tinha autorização para reabrir).

Naquela data, apenas 128 veículos circularam pela manhã e 114 à tarde, conforme monitoramento online das linhas. Dessa forma, faltaram 145 ônibus pela manhã e 159 à tarde.
Além disso, a Defensoria Pública ressaltou que o Município tem o dever legal de fiscalização do serviço prestado pela empresa e de garantir a segurança dos usuários.

 

Prefeitura

Questionada sobre a frota de ônibus e a demanda de passageiros, a Prefeitura de Santos emitiu a seguinte nota. “Desde o início da pandemia, a Prefeitura, por meio da CET, vem disponibilizando frota em operação suficiente para garantir as recomendações de distanciamento estabelecidas pelas autoridades sanitárias. Embora tenha havido flexibilização de algumas atividades comerciais na quinta feira (11), até o presente momento, não houve aumento da demanda de passageiros no transporte público, que continua carregando passageiros da ordem de 30% em dias úteis e 15% nos demais dias da semana. Ressaltamos que 100% da frota está disponível para entrar em operação imediatamente”.

A Prefeitura também citou que não há registro de aglomerações e que até o momento não recebeu o expediente de recomendação para o transporte municipal da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Realidade bem diferente

Linha 13 estava lotada no horário de pico/ Foto: Internauta

Não é o que pensam os maiores interessados: os passageiros. Quem utiliza o transporte público precisa ter paciência, pois algumas linhas apresentaram demora de mais de uma hora, como as 20, 40, 102 e 118.Após uma denúncia de um passageiro que esperou a linha 80 durante quase duas horas na Avenida Pedro Lessa, o Boqnews consultou o aplicativo ‘Quanto Tempo Falta’. Nele foi possível ver que o itinerário tinha um grande período de intervalo entre as saídas dos veículos. Segundo o aplicativo, o ônibus saiu às 13h59 do Terminal Valongo e o próximo partiria só às 15h39 em plena segunda-feira.

Horários da linha 80 na segunda-feira (17)

Há vários ônibus com poucas pessoas circulando. No entanto, há linhas com aglomerações internas. A empregada doméstica Cláudia Nunes que precisa utilizar o transporte público diariamente reclamou que os protocolos de segurança da linha 13 não são respeitados com aglomerações em alguns dias nos horários de pico, como na quarta-feira (17).

Com a demora do transporte, a solução dos trabalhadores é chamar o veículo por aplicativo, que se for dividido, sai mais barato do que o custo do ônibus.

Por exemplo, entre a Ponta da Praia e o Gonzaga, a corrida custa, em média, R$ 11,00 se for dividido por três pessoas, o valor sai R$ 3,60, menor do que a tarifa.

A Viação Piracicabana foi contatada, mas não respondeu até o fechamento da Reportagem.

 

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