Trânsito

Travessia de pedestres na Ponta da Praia é foco de confusão e riscos constantes

Urbanização na Ponta da Praia trouxe melhorias, mas também problemas na travessia de pedestres que embarcam ou desembarcam nas catraias que ligam Santos a Guarujá e vice-versa.

26 de agosto de 2020 - 13:21

Fernando De Maria

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Pedestres se arriscam para atravessar a via. Obstáculos implantados não são suficientes. Fotos: Nando Santos

 

As obras do projeto Nova Ponta da Praia eliminaram uma série de problemas no trânsito na região, mas um deles ainda persiste.

E até piorou a situação, com a retirada de um semáforo que havia no local, assim como a faixa de segurança, antes da reurbanização.

Também faltam grades de separação – as mesmas que se espalham pelas praças e ruas da Cidade para orientar o fluxo dos pedestres.

Afinal, o fluxo é constante e ininterrupto de passageiros do serviço de barcas que atuam entre Santos e Guarujá.

E vice-versa.

Assim, no local, pedestres, ciclistas (o acesso ao terminal se dá em frente à ciclovia, que alerta sobre o fluxo de pedestres), motoristas e também motociclistas, em razão da faixa exclusiva recém-instalada.

 

A ciclovia alerta para os pedestres que, teoricamente, não deveriam ultrapassá-la para atravessar a avenida. Fotos: Nando Santos

 

Dessa forma, ao sair ou entrar na embarcação, as pessoas seguem em linha reta em direção à entrada ou saída do terminal de passageiros.

Preferem isso a ter que percorrer um trecho mais seguro, mas de logística ineficiente e confusa aos pedestres.

Aliás, não há qualquer sinalização neste sentido de forma a orientá-los a fazer o novo trajeto – muitas vezes interrompido na saída de ciclistas e carros do terminal de balsas localizado ao lado da estação de passageiros.

 

Fluxo de pedestres é constante.

Risco de acidentes

Assim, os usuários preferem atravessar as duas pistas da Avenida Saldanha da Gama, em ambos os sentidos, em claro risco de acidentes.

“Mesmo atravessando entre os carros, é mais rápido ir direto para não perder o ônibus”, diz a doméstica Rosana de Freitas, 38 anos, usuária frequente do transporte.

“Por sorte, até agora não ocorreu algo mais grave”, diz um ambulante que trabalha nas imediações, mas que pediu o anonimato.

Não bastasse, grades e até a cerca viva que impediam o acesso às pessoas no canteiro central já foram eliminadas pelos pedestres para facilitar a travessia.

A grama em frente ao terminal, que margeia a ciclovia, também faz parte do passado.

O mesmo ocorre em trechos onde estão instalados os trailers.

“A situação é caótica aqui, especialmente nos horários de pico”, diz o aposentado Paulo Roberto, 62 anos.

Ele relata que em razão da mudança dos pontos de ônibus, muitos usuários “saem correndo” da balsa para não perder o transporte público – tão escasso já em tempos normais, ainda mais agora em época de pandemia.

E o mesmo ocorre no sentido inverso para quem se dirige às embarcações.

Afinal, o atraso na travessia pode representar um tempo maior de espera pelo transporte público em Guarujá, com efeito cascata até chegar em casa.

Apenas uma viatura da CET permanece estacionada a alguns metros de distância, mas para orientar – ou multar, em caso de irregularidade – quem se dirige à balsa.

Na travessia de pedestres em si, absolutamente ninguém para orientar.

 

Em razão do fluxo, grama plantada inexiste. Até pedaços de madeira foram colocados para facilitar o fluxo dos pedestres em dias de chuva. Foto: Nando Santos

 

Outro lado

Em nota, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos informa que, atualmente, devido às obras realizadas no local, para acessar a Rua Rei Alberto I, onde está o ponto final dos ônibus, pedestres acabam desrespeitando a sinalização existente e comprometem a própria segurança.

Toda a área conta com monitoramento constante e, quando há grande fluxo de pedestres e veículos, é disponibilizado um agente de trânsito no local.

Também está programada uma campanha educativa com orientação voltada à travessia segura de pedestres.

Para evitar que os pedestres atravessem em local desapropriado, a Prefeitura irá providenciar a instalação, em breve, de barreiras de proteção (telas ou grades – depende da disponibilidade do material) no ponto mais crítico – altura da entrada e saída das barcas Santos/Guarujá.

Ressalta ainda que até o fim de outubro, quando será concluído o projeto de reurbanização da Ponta da Praia, esta região será contemplada com um novo terminal de ônibus.

Para acessá-lo, os passageiros deverão seguir pelas faixas de pedestres já implantadas.

Obstáculos espalhados no canteiro central já foram retirados. Foto: Nando Santos

 

 

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