Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Armando a barraca

03 de junho de 2011 - 17:00

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Quando falamos em sexualidade humana, é corrente o discurso de que para as mulheres mil fantasias emperram ou influenciam essa experiência e para os homens a coisa funciona de uma maneira natural, na base do “usou, lavou, está novo”. Mas as coisas não estão sendo assim fáceis para os homens, haja vista a procura deles pela terapia sexual. Isso é um sinal positivo e não um problema como se pode imaginar.


Historicamente, ao homem era dado o lugar de senhor absoluto e, nessa posição, nem o próprio homem entrava em contato com suas emoções e necessidades. Quando do advento dos remédios que fazem milagres, há aproximadamente dez anos, imaginou-se que as disfunções sexuais masculinas eram coisa do passado.


Espantosamente, isso não aconteceu, pois apesar de ter uma ereção vigorosa ao usar a medicação, o homem percebeu outras dificuldades. Então, vamos desmistificar esse assunto, que é amplo e que não se esgota num único artigo.


Fala-se muito sobre ejaculação rápida, a disfunção mais comum aos homens nesse momento em que a ansiedade é comum a todos. Depois vem a disfunção erétil, antiga impotência; como já comentei as medicações para esse fim popularizaram o conhecimento. Entretanto, existem outras disfunções menos comuns, porém com um papel de grave insatisfação e desconhecimento na sexualidade masculina.


Esse assunto sempre é muito bom, pois ao contrário das mulheres que só falam disso para mostrar sua insatisfação; quando os homens falam disso é sempre para alardear seus feitos e conquistas. Se ele tem dúvida, geralmente se fecha, afasta-se das pessoas e dos relacionamentos criando uma barreira que o isola e agrava o problema.


A busca de um urologista para descartar qualquer doença física é inevitável, apesar de que a grande maioria de disfunções sexuais do homem tem sua origem na psiché. A falta de ejaculação, ereção ou outro episódio esporádico não é problema e pode acontecer a qualquer um e, pela pressão do momento, interrompe a relação sexual, ficando com a ideia de que o fim chegou.


Aliás, não existe o fim, o que existe são mudanças que acompanham o nosso desenvolvimento e amadurecimento. Isso ocorre poucas vezes por questões orgânicas e muitas vezes por questões psicológicas e do casal; nesse caso a melhor saída é a terapia sexual.


Por fim gosto de falar e repetir que toda inadequação ou disfunção sexual tem remédio e, de um jeito ou de outro, quando se enfrenta o problema ele é resolvido. Essa crença é muito importante, pois sei que as dificuldades sexuais são fonte de muito sofrimento e principalmente para os homens, pela solidão em que os coloca.