Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Automotivação

18 de março de 2015 - 08:29

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Motivação e automotivação são coisas diferentes. Motivação é mover. Automotivação é ir além, é mover-se na direção certa, é evoluir. O ser humano é influenciado o tempo todo por forças externas que não dependem dele e as internas pelas quais é o único responsável. A motivação quando ocorre dura pouco, mas a automotivação permanece durante um longo tempo. Os estímulos externos como, por exemplo, as recompensas financeiras, podem motivar apenas durante certo tempo. A verdadeira motivação é a automotivação. Esta ocorre de dentro para fora e não o inverso.

Ter capacidade para se automotivar é uma das habilidades mais desejadas pelo ser humano. Quem consegue extrair a automotivação de dentro de si vai mais longe que os outros. Ele não fica esperando o empurrão milagroso que pode nunca acontecer. Busca em seu íntimo, com ou sem ajuda, a automotivação, que é o verdadeiro combustível para concretizar seus sonhos.

Motivação é quando o indivíduo fica aguardando pelos outros para ser estimulado a realizar alguma coisa que poderá dar errado por não fazer parte de suas aspirações e objetivos. Automotivação é manter-se conectado com aquelas oportunidades que se identificam com os seus desejos, agarrá-las com vontade quando aparecem e lutar com todas as forças para transformá-las em realidade.

Motivação é quando a pessoa é empurrada para alguma coisa interessante, mas não o suficiente para entusiasmá-la. Automotivação é o ser humano que gera sua própria energia para alcançar o que realmente quer.

A motivação nem sempre é negativa. Um líder eficaz, por exemplo, conhecendo seus subordinados, pode criar condições, ajudá-los a encontrar a própria automotivação para se desenvolverem profissionalmente.

Em muitas situações a motivação e automotivação se complementam. Mas nesta “simbiose” a motivação ocupa sempre o papel secundário, ficando o principal para a automotivação.

O seguinte exemplo pode ilustrar esse fato. Um esquiador desce a montanha com sucesso. Quem foi a principal responsável? A motivação ou a automotivação? A força da gravidade que provoca a descida do esquiador é a motivação, pois o ajuda a seguir na direção desejada. Porém a automotivação representa a competência, vontade e coragem do esquiador em utilizar com habilidade os esquis e os bastões sem cair. Portanto, a motivação sozinha não seria suficiente para garantir o bom desempenho do esquiador.

As pessoas se automotivam pelo que buscam e não pelo que já tem. “Eu quero” tem a força para direcioná-las para frente. “Eu tenho” pode no máximo deixá-las com uma sensação temporária de bem estar.

“Eu quero ser promovido a supervisor. Lutei muito para conseguir e quando aconteceu, senti-me realizado, mas só por algum tempo. Minha automotivação se evaporou, pois já tinha o que desejava. Preciso substituí-la por outra: agora quero ser gerente!”

Os especialistas deste tema afirmam com todas as letras que nunca encontraram um executivo de sucesso que se sentisse satisfeito. Sua automotivação se perpetua, se mantém viva na busca contínua de novos desafios.

As emoções que impactam mais fortemente à automotivação são os desejos, destacando-se o poder, a afiliação, a realização e o reconhecimento.

O poder representa o desejo de autonomia e liberdade para tomar as decisões certas, sem ter a toda hora que pedir a permissão do superior. O desejo de afiliação é a natural vontade do ser humano em interagir e se socializar com outras pessoas.

O desejo de realização vincula-se fortemente ao sentimento de sucesso e embora tenha significado diferente para cada pessoa, geralmente ele é perseguido com persistência. O desejo de reconhecimento é o que provoca maior influência sobre a automotivação das pessoas. Todos querem ter os seus méritos e contribuições devidamente reconhecidos pelos outros.

Infelizmente nem tudo são flores. É grande o número de chefes autoritários que não querem ou não conseguem estimular a automotivação dos subordinados. Estes, muitas vezes, pela falta de iniciativa, destroem a energia da automotivação esperando uma fórmula mágica que caia dos céus para ajudá-los a atingir suas metas.