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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

Ben-Hur

Remake é desastroso e ofende filme original. Confira a crítica de Ben-Hur

24 de agosto de 2016 - 16:25

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bannerNão existe razão para a existência do novo Ben-Hur. E me desculpem pela aparente chateação de minhas palavras, mas é isso mesmo: se a intenção era levar para uma nova geração um produto tão aquém e deformado, uma copia tão canhestra e desinteressante, então não existe razão para a existência desse remake do clássico ganhador de 11 Oscars de 1959.

E o pior, nem bem a história original está lá. A busca por vingança e a redenção em meio a maior história da humanidade, fica agora resumida a uma corrida de bigas. Tudo bem, o cerne é o mesmo, do príncipe judeu, Judah Ben-Hur, que é traído por seu irmão de criação romano Messala e depois de anos sofrendo como escravo volta para se vingar; mas há algo estranho nessa nova versão, como se as motivações, personagens e soluções, simplesmente não funcionassem.

Um filma apático, insensível e que soa muito mais como uma copia mal feita do que como um remake. Uma refilmagem que nem de longe merece levar consigo a expressão “épica”, que se rebaixa a um filme comum que repete um monte de escorregões de uma Hollywood preguiçosa e covarde. É preferível hoje apostar em um vilão movido em parte pelo amor a uma mulher (o que leva Messala a ir embora), do que em seu relacionamento com o irmão e no contraste de ideologias. É muito mais comodo hoje ir de encontro a um final feliz e cavalgante, do que encarar a pesada conclusão do original, onde o protagonista precisa enfrentar o maior vilão de todos, que é ele mesmo.

É muito mais confortável embalar tudo em um pacote de efeitos especiais e entregar para um público com deficit de atenção, do que explorar uma das histórias mais bonitas do cinema. Tudo isso é muito mais triste também.

Uma série de erros que começa com uma escalação errada, nem Jack Huston convence como Ben-Hur e muito menos Tobby Kebbell o faz como Messala, e é melhor nem falar da presença de Morgan Freeman e Rodrigo Santoro.

E tudo só não mais desastroso ainda, já que, mesmo sem profundidade e um pingo sequer de significado, a direção do russo Timur Bekmambetov entrega uma sequência nas Galés digna de empolgação e uma corrida de bigas que, se não conquista pela beleza, pelo menos funciona pelo frenesi e pela agilidade.

Mas não adianta muito, sobre tudo isso, esse novo Ben-Hur é uma ofensa ao filme original e a seu legado, além de desperdiçar completamente a possibilidade das novas gerações conhecerem umas das maiores obras-primas que o cinema já produziu, mas que agora é relegada a só mais um filmeco do verão americano.

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