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Foto: Arquivo/PMS

Opiniões

08 DE JANEIRO DE 2026

Canais limpos, praias limpas!

Marcos Pellegrini Bandini

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Mais uma temporada de verão se inicia na Baixada Santista e ao menos cinco, das nossas oito “Estâncias Balneárias” voltam a apresentar indicadores sofríveis de balneabilidade, a demonstrar o aparente descompromisso com o turismo e o despreparo para receber dignamente os milhões de turistas que virão usufruir dos atrativos da nossa região.

Com exceção de Bertioga, Peruíbe e Itanhaém, a Cetesb acaba de publicar que 2025 teve pouca ou nenhuma melhora na qualidade das praias de Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá e Guarujá.

Ficam as perguntas: o que nós poderíamos aprender com iniciativas como o selo internacional “Bandeira Azul” que a Praia do Tombo no Guarujá ostenta há 16 anos ininterruptos, certificando aos seus usuários que o local está comprometido com a preservação ambiental, segurança e infraestrutura, educação ambiental e principalmente com a qualidade da água e balneabilidade da praia?

Ou então, como podem nossos municípios serem “Estâncias Balneárias” e permanecerem com seus canais e praias poluídas?

Talvez a melhor resposta venha dos anos 1990, quando Santos implementou o Programa “Canal Limpo, Praia Limpa”, executando a manutenção preventiva dos canais de drenagem, monitorando e fiscalizando milhares de ligações irregulares ou lançamentos clandestinos de esgotos, operando adequadamente as comportas, rompendo assim com a situação dos anos 1980, onde os péssimos indicadores de balneabilidade se assemelhavam aos indicadores atuais.

Os resultados não tardaram a aparecer e trouxeram o predomínio da qualidade regular das praias santistas entre 1992 e 2005, inclusive com mudanças comportamentais da população, graças às ações de gestão e de educação ambiental que incluíam, dentre outros, uma maior preocupação com o paisagismo e manutenção dos jardins da orla, da manutenção e operação das comportas, com a gestão dos resíduos e com a importância da coleta das fezes dos animais nas calçadas.

O abandono daquele Programa em Santos, no início dos anos 2000, resultou em problemas crescentes na qualidade da água dos canais de drenagem e consequentemente na deterioração da balneabilidade das praias, com o predomínio da qualidade péssima entre 2018 e 2023 e agora qualidade ruim entre os anos de 2024 e 2025.

Nota-se que essa pequena melhora entre 2024 e 2025 se mostrou insuficiente para impedir um surto de norovírus no início do ano, com dezenas de milhares de vítimas e sérios danos à saúde pública, aos negócios e à imagem da cidade de Santos e da Baixada Santista.

Nós, integrantes da OSC Concidadania e do Movimento Santos Mais Verde, estamos reivindicando aos gestores públicos maior comprometimento com a qualidade ambiental, inclusive propondo adequações nas peças orçamentárias, acompanhando e participando ativamente de Conselhos como o de Meio Ambiente e o Comitê de Bacia Hidrográfica, e propondo diálogo franco e permanente com o Executivo e o Legislativo, infelizmente com poucos resultados concretos no tema da balneabilidade e na recuperação dos canais de drenagem!

Reiteramos que o desafio de tornar nossas praias balneáveis é viável, mas exige melhor gestão dos serviços de saneamento, incluindo maior fiscalização por parte das prefeituras junto à concessionária de águas e esgotos, além de ampla participação dos cidadãos, da comunidade científica, dos movimentos sociais e demais autoridades no planejamento e implementação de tais serviços.

Canais limpos, praias limpas deveria ser um compromisso de todos com nossas cidades e seus moradores, com os turistas e futuras gerações, caso contrário, como particularmente nós, moradores de Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá e Guarujá, poderemos julgar que nossas cidades sejam merecedoras do título de “Estâncias Balneárias”, ou de crermos em rankings, que atribuem a Santos excelente qualidade de seus serviços de saneamento?

 

Marcos Pellegrini Bandini é coordenador de Relações com a Comunidade da OSC Concidadania

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