Editorial
Humberto Challoub

Jornalista e Diretor de Redação do Jornal Boqnews. Diretor da Faculdade de Artes e Comunicação da Unisanta

Conceito pejorativo à saúde

O atual modelo praticado dentro do SUS se revelou, na prática, inadequado para resolver os inúmeros problemas da população

22 de agosto de 2014 - 19:37

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Realizada a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Paulista de Medicina (APM), pesquisa elaborada pelo Instituto Datafolha deu números a uma realidade há muito conhecida: os serviços públicos e privados de saúde no Brasil são considerados regulares, ruins ou péssimos por 93% da população.

Entre os principais problemas enfrentados por esse segmento, segundo o levantamento, estão as filas de espera, o acesso aos serviços públicos e a gestão de recursos.

O setor da saúde foi apontado como o de maior importância para 87% dos brasileiros consultados em todos os estados, que também confirmaram o conceito negativo em relação ao atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde (SUS): 70% disseram estar insatisfeitos e atribuíram avaliações que variam de regular a péssimo à qualidade dos serviços prestados pelo sistema, especialmente os relacionados ao atendimento nas urgências, emergências e em pronto-socorros.

Apesar dos avanços tecnológicos obtidos pela Medicina ao longo das últimas décadas, com o aperfeiçoamento dos procedimentos e desenvolvimento de equipamentos e medicamentos, o sistema público de saúde brasileiro não conseguiu acompanhar essa evolução para alcançar a proficiência no atendimento aos pacientes que têm como única opção as unidades mantidas pelo SUS.

Constantemente presente na relação das principais queixas da população em relação aos serviços oferecidos pelas administrações municipais e estaduais, onde se concentram as maiores demandas, o setor de saúde forjou seu conceito negativo pela completa negligência das autoridades, que até hoje não souberam – ou não quiseram – adotar políticas realistas de atendimento aos pacientes.

A depreciação das instalações hospitalares, a ausência de médicos em quantidade suficiente para suprir as necessidades e a inexistência de projetos preventivos voltados a reduzir os excessivo número de atendimentos emergenciais desnecessários se tornaram comuns, banalizando os óbitos que poderiam ser evitados com o mínimo de organização, responsabilidade e eficiência no trato dessa questão.

A gravidade da situação no País também criou um novo paradoxo: a existência de recursos para investimento no setor, que invariavelmente têm sido mal aplicados pela incompetência – ou em alguns casos má fé – dos gestores do sistema.

Há, portanto, de se questionar o atual modelo praticado dentro do SUS, que na prática se revelou inadequado para resolver os inúmeros problemas enfrentados pela população para ter garantido o direito, estabelecido como preceito constitucional, de ser atendido dignamente nas unidades públicas de saúde.

Nesse sentido, uma revisão das responsabilidades atribuídas nas esferas dos governos municipais, estaduais e Federal se faz urgente. Somente com a unificação e padronização do atendimento, conjugados a introdução de ações orientadas pela medicina preve ntiva, será possível atingir a qualidade almejada para o setor.