Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Confiança

08 de março de 2012 - 18:26

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É mais comum do que se pensa o profissional ser tomado pela dúvida: posso confiar nas pessoas à primeira vista? Até onde confiar sem ser considerado  ingênuo? Não será mais seguro ser cético, praticando a confiança seletivamente? O correto deve ser acreditar nas pessoas até que se prove o contrário, sem ingenuidade ou ceticismo, mas com a certeza de que a confiança irá facilitar e consolidar o relacionamento.


Confiança pode ser definida “como a disposição de atribuir boas intenções às palavras e ações de si mesmo e das outras pessoas”. A confiança não pode ser comprada, vendida, negociada ou emprestada. Ela existe ou não. Pode-se levar tempo para adquirir a confiança de alguém e perdê-la em alguns segundos. Ela se vincula intimamente à razão do ser e ter das pessoas e é tão necessária como o ar que elas respiram. Como viver, sonhar, amar, perdoar, trabalhar, realizar-se pessoal e profissionalmente se não existir a confiança?


No campo profissional, a confiança pode ser analisada sob três planos distintos. A confiança em si mesmo – autoconfiança – que possibilita ao indivíduo atuar com excelência. A confiança nos outros, quando o gerente, por exemplo, demonstra “a priori” acreditar na competência dos subordinados. A confiança na empresa gerada por sua visão, missão e políticas dirigidas não somente à sustentabilidade do negócio, como também à satisfação das expectativas e necessidades dos colaboradores.


Apesar de diferentes, essas dimensões influenciam umas as outras. A autoconfiança do líder influência positivamente a confiança que a equipe deposita em suas ações. A confiança nos outros, entre os colaboradores, entre as diversas áreas, motiva a crença nas estratégias organizacionais. Os colaboradores projetam sua confiança na empresa através da crença em seus gestores.


A presença ou ausência da confiança tem um forte efeito multiplicador. Assim como confiança gera confiança, um gerente desconfiado, por exemplo, terá dificuldades de conseguir que a equipe acredite em suas intenções. Os principais comportamentos do indivíduo seja no campo profissional ou pessoal para assegurar a confiança dos outros são: ser competente, liderar pelo exemplo mantendo a coerência entre os atos e palavras, ter autoconfiança sem demonstrar arrogância, definir com clareza o que espera das pessoas, ser humilde em reconhecer os próprios erros, acreditar e reconhecer a capacidade dos outros, cumprir as promessas feitas, provar que sabe para onde está indo e cultivar a capacidade de perdoar, pois todo mundo merece uma segunda chance.


Infelizmente num mundo pleno de transformações sociais, políticas, econômicas e tecnológicas, onde imperam as incertezas e ambigüidades, provocadas por enormes transformações cada vez mais rápidas, fica difícil o ser humano confiar abertamente em seus semelhantes e nas instituições.


Ninguém é perfeito e, portanto, a confiança perdida pode e deve ser restaurada. Saber pedir desculpas na hora certa é uma arte. A pessoa reconhece o ato falho através da empatia com o outro e conversa de maneira franca com ele explicando sinceramente as razões do erro, visando recuperar o bom relacionamento. A confiança é uma estrada de mão dupla. É necessário transitar com eficácia nos dois sentidos: saber confiar nas pessoas de obter a confiança delas.