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27 DE FEVEREIRO DE 2026

Drama que se repete

Humberto Challoub

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Como um enredo que se repete a cada ano, as tragédias provocadas pelas chuvas no País, desta feita na cidade mineira de Juiz de Fora, evidenciam o descaso das autoridades públicas em relação a essa problemática e, mais uma vez, atesta as consequências desastrosas geradas pela ausência de planejamento e pelos processos de expansão urbana ocorridos ao longo das últimas décadas.

Pelo que se pode constatar, a expansão descontrolada das cidades resultou na acelerada ocupação de regiões de risco, por meio de invasões de áreas imprescindíveis à preservação ambiental.

Corrigir erros do passado não é uma tarefa fácil, porém é um dever de Estado que não pode ser mais negligenciado, uma vez que milhares de famílias vivem hoje sob o temor das tragédias anunciadas, sem qualquer perspectiva de solução em curto prazo.

Mais do que promover intervenções contingenciais para salvaguardar condições mínimas de habitabilidade, às autoridades públicas cabe o dever de estabelecer novas diretrizes para o crescimento de núcleos populacionais, que passa, obrigatoriamente, pela revisão do modelo de desenvolvimento econômico e social que se pretende para o Brasil.

Descentralizar polos de produção, exigir a inclusão de projetos habitacionais adequados nas áreas de expansão industrial, desenvolver campanhas educativas sobre a importância de manter as cidades limpas e, sobretudo, criar estímulos para a transferência de moradias para áreas seguras são fatores que devem pautar a introdução de novos conceitos desenvolvimentistas.

Além dos dramas familiares, o período das chuvas também traz prejuízos imensuráveis às economias locais, especialmente para os que dependem de transportes e são obrigados a paralisar atividades em razão das enchentes que interrompem importantes vias de tráfego.

Já se sabe que as intervenções que hoje se fazem necessárias para conter e reduzir as dimensões das tragédias servirão, mais uma vez, como meros paliativos diante de um problema que se torna insolúvel se tratado com complacência e omissão.

Afinal, quantas mortes ainda haverão de ser registradas para revelar o que há muito está evidente?

O poder de mobilização e o espírito de solidariedade presente nas tragédias provocadas pelas chuvas devem servir como exemplo e prova da capacidade transformadora inerente da sociedade brasileira, que assim deve contribuir e exigir dos governantes a adoção de políticas duradoras para a construção de novos parâmetros de desenvolvimento sustentável.

É preciso criar novos paradigmas para evitar que as populações continuem sob o risco interminável provocados anualmente pelos períodos de chuva.

 

Humberto Challoub é jornalista, diretor de redação do jornal Boqnews e do Grupo Enfoque de Comunicação

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