A notícia caiu como uma bomba em toda a região da Baixada Santista: a Usiminas, empresa do setor siderúrgico de Cubatão, vai interromper temporariamente as atividades de produção de aço bruto e líquido e demitir milhares de trabalhadores.
Com prejuízo de R$ 1,04 bilhão este ano, a drástica medida, de acordo com diretores da Usiminas, foi tomada para que a companhia mantenha capacidade de competir num mercado desafiador.
Entre os anos de 2004 e 2008, o segmento viveu um momento de crescimento, freado com a crise internacional que começou nos Estados Unidos. A redução da demanda mundial por aço e a queda nos preços são alguns dos reflexos imediatos no setor siderúrgico.
Efeitos
No Brasil, a crise do aço vem tomando grandes proporções devido a uma série de erros do Governo Federal, que incentivou a entrada do aço chinês com preço ínfimo – a importação do produto quadruplicou nos últimos 10 anos, e ocasionou esta concorrência desleal.
A estagnação econômica vem afetando também outros setores produtivos do País e, diante da necessidade de redução de custos, as empresas continuam a desligar funcionários, causando a deterioração dos empregos formais.
Segundo pesquisas internacionais, o subemprego e o emprego informal (de baixa remuneração) “deverão permanecer irredutivelmente elevados” nos próximos cinco anos na maior parte de países emergentes e em desenvolvimento. Além disso, o aumento do desemprego e a queda no faturamento das empresas aumenta o rombo da Previdência Social, que teve déficit de R$ 50 bilhões em 2014 e esse ano pode chegar a R$ 80 bilhões.
Apreensão
Diante disso, a Usiminas, que era um referência de bom emprego para muitos trabalhadores da região, desde a década de 1970, não suportou a crise no setor e, dentro de três a quatro meses, pretende demitir dois mil empregados diretos (e pelo menos outros dois mil indiretos).A crise do aço fez com que os gestores das nove cidades da região da Baixada Santista se mobilizassem para tentar diminuir os efeitos dessa demissão em massa.
O prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, presidente do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (C0NDESB), enxergou os impactos negativos que virão e não demorou em convocar uma reunião extraordinária do órgão estadual na última semana.
Os prefeitos da região sabem que a queda de produção da Usiminas irá diminui arrecadação de ICMS e ISS, suas principais fontes de receita. Outro fator preocupante é que com redução da oferta de emprego – as demissões vão acabar com a renda de até 20 mil pessoas – e com pouco dinheiro em circulação, o comércio dificilmente conseguirá sobreviver, um efeito dominó nocivo para toda a economia da região.
O caos econômico está bem visível e continua a causar muitas preocupações, sendo que o fantasma da recessão ainda deverá rondar os brasileiros por um longo tempo.
Celso Évora – Interino
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