“O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou…”
O trecho acima da música Relicário, do cantor e compositor Nando Reis, pode muito bem descrever o fenômeno populista que vem ocupando o mundo político moderno. Populismo é quando um governante utiliza-se de uma linguagem simples e popular, abusa da propaganda pessoal, afirma não ser igual aos outros políticos e toma medidas autoritárias.
E com a conquista do poder em vários países da Europa e agora nos Estados Unidos, o avanço do populismo, de direita e de esquerda, ameaça levar o mundo para uma era de incertezas. Um exemplo foi a vitória na eleição presidencial dos EUA, do candidato republicano Donald Trump, político que fez o mundo enxergar de fato como é essa forma de governar. Trump, um líder sem experiência política, insultou mulheres, negros, muçulmanos e hispânicos, provocou ódio durante sua campanha e prometeu tornar a “América grande novamente”.
Avanço
Há várias causas para essa vertente populista global, que tem relação com a crise econômica que se iniciou em 2008, e da onda de refugiados no planeta, associada ao terrorismo de grupos islâmicos. Após oito anos de crise, cresceu entre suas populações a percepção de resposta ineficaz dos governos em alguns países.
O desemprego segue alto em boa parte da União Europeia. Nos EUA, os salários não crescem e a classe média empobreceu. Segundo especialistas políticos, há a percepção de que governos e partidos locais deixaram de servir ao cidadão comum e foram tomados pela ganância financeira. Daí a rejeição aos partidos tradicionais e o avanço de novas legendas e candidatos.
E essa onda conservadora poderá ter desdobramentos no Brasil em 2018. O discurso populista tem crescido no país e pôde ser ouvido durante a invasão do plenário da Câmara dos Deputados por manifestantes que defendiam a intervenção militar no País.
Insatisfação
O populismo contemporâneo tomou forma na última década em países da América Latina, ao produzir líderes como Hugo Chavez (Venezuela) e Evo Morales (Bolívia), que tinham forte incorporação das massas, mas sem apego às instituições democráticas. O resultado foi a corrupção desenfreada e desenvolvimento desordenado nessas nações.
Uma das razões desse crescimento é que a população mundial perdeu a paciência com seus conhecidos governantes. Ao mesmo tempo, os políticos fingem que não é com eles ou parecem não entender o recado das ruas (que já foi dado no Brasil em 2013, nas manifestações por melhores serviços públicos e o fim da corrupção).
Populismo, nacionalismo, facismo, comunismo ou imperialismo. O fato é que a história já nos ensinou algo sobre os fenômenos que surgem ao mesmo tempo em distintos lugares. E se a música de Nando Reis já dizia que “eu estava em paz quando você chegou”, eu prefiro continuar acreditando nela.
(*) por Celso Évora
Deixe um comentário