Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Erros novos

09 de junho de 2014 - 08:28

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Se alguém é do tipo de pessoa que se orgulha de nunca errar, ou é mentiroso ou nunca se arrisca! Mais cedo ou mais tarde o erro aparece e quando isso acontece ele deve ser enfrentado como algo inerente a qualquer pessoa, mesmo as mais competentes e de sucesso.

Todo mundo conhece e concorda com o ditado “errar é humano”, mas quando o erro ocorre, o pânico e a culpa se instalam rápida e dolorosamente.

Não adianta ficar se lamentando sobre o que aconteceu. Nunca esquecer que as lágrimas podem gerar pena nos outros e de si mesmo, mas é o suor que provoca mudanças. Após a constatação do erro, o objetivo imediato é encontrar a solução para minimizar as consequências negativas.

A tolerância ao erro é uma competência cada vez mais valorizada nas organizações como um princípio fundamental para alavancar as inovações. Diversas pesquisas já comprovaram esse fato. Quem tem medo de arriscar nunca tenta nada de novo e, portanto, permanece feliz em sua mediocridade, reduzindo as chances de evolução na carreira.

É importante o hábito da autocrítica para evitar se transformar naquela pessoa com mania de perfeição, que não conhece o ditado: “o ótimo é o maior inimigo do bom”. Alguém pode ter sido inoculado na infância, não necessariamente de propósito, com o vírus comportamental do “seja perfeito meu filho” e ainda não conseguiu encontrar uma vacina adequada.

O perfeccionista nunca se arrisca mesmo nas atividades de importância secundária, pois está sempre tentando atingir a meta impossível dos “cem por cento”. Para ele qualquer valor menor é inaceitável.

As pessoas, ao receberem uma proposta de emprego devem investigar com colaboradores ou ex-colaboradores de que maneira a empresa administra os erros. Se a forma for inadequada esse aspecto deve ser considerado com muito carinho antes da decisão final.

As empresas que encaram o erro positivamente e se preocupam com as inovações, estão sempre transmitindo aos empregados a máxima: “cometa erros novos, pois isso significa que você não tem medo de tentar o melhor”.

O que deve ser feito antes do erro ocorrer: analisar arelação custo/benefício entre buscar a inovação sem medo colhendo os louros do sucesso e a mesmice do“acerto padrão” que não agrega valor à organização.Conforme o nível do risco, compartilhar o mesmo com o líder imediato, ouvindo suas sugestões para certificar-se de que está no caminho correto.Identificar os possíveis erros do projeto a ser implementado, definindo as ações preventivas para evitá-los e as ações contingenciais para minimizar os seus efeitos.

Como gerenciar o erro após ele ter ocorrido: não tentar esconder o erro; assumir o mesmo com firmeza e naturalidade; ser rápido na correção do erro; nunca pedir desculpas do tipo: “foi minha culpa”, “estraguei tudo”; procurar aprender com o erro; nunca repeti-lo; pensar seriamente em mudar de área ou empresa se sofrer punição por um erro novo.

Texto do livro A Arte de Conviver