Foto: Divulgação Previdência

Opiniões

26 DE DEZEMBRO DE 2018

Hora de dar exemplo

Por: Humberto Challoub

Mesmo antes de tomar posse o presidente eleito Jair Bolsonaro enfrenta um grande desafio que, sem a devida atenção, poderá comprometer a credibilidade de seu Governo.

As evidências envolvendo assessores diretos em esquema de repasse de recursos não declarados, com a participação de seu filho e esposa, levantaram suspeitas que até agora não foram devidamente esclarecidas, dando margem ao contraditório entre seu discurso enfático de combate à corrupção e às velhas práticas políticas.

Eleito com a bandeira da transparência e de lisura no trato da coisa pública, ao hesitar e deixar de cobrar dos envolvidos o rápido esclarecimento dos fatos, Bolsonaro dá margem à desconfiança e ao crescimento do descrédito junto a seus pares, e à população que o elegeu na esperança de ver estabelecida novas normas de conduta política.

Ao negligenciar o assunto ou tentar diminuir a importância dos fatos apontados até aqui, o futuro presidente corre o risco de ver sua retórica moralista sucumbir a partir da máxima do “faça o que digo, mas não o que faço”, gerando descrença sobre seus reais propósitos à frente da Presidência e, sobretudo, dificuldades no convívio que obrigatoriamente passará a ter com os congressistas ávidos por identificar fragilidades éticas e morais com o intuito de ganhar poder de barganha visando dar continuidade à consagrada e aviltante relação do “toma lá, da cá”.

Há muito já se sabe que cobrar transparência no uso dos recursos públicos e, principalmente, fiscalizar os atos e ações dos mandatários eleitos representam, juntamente com o exercício do voto, a única fórmula realmente capaz de moralizar, de forma eficaz e perene o atual regime vigente.

Nesse sentido, é de se esperar que Bolsonaro tenha a real dimensão da confiança que os brasileiros, vitimados por sucessivos governos contaminados pela corrupção, depositam em sua administração e passe a adotar a postura e os conceitos de improbidade que tão bem soube defender durante a campanha eleitoral.

Admitir erros e pagar por eles é o mínimo que se espera de quem foi eleito sob a égide de extinguir das relações políticas desvios de caráter que tantos prejuízos causaram ao País.

Já se sabe que lutar contra práticas corruptas, que se manifestam em todos os níveis e lamentavelmente hoje estão presentes no cotidiano de vida dos brasileiros, não será uma tarefa fácil, tampouco será uma batalha de um único governo.

Porém, sem exemplos de licitude e honestidade será impossível recuperar esse valor moral.

Que essa oportunidade mais uma vez não seja perdida.

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