Meio Ambiente
Luiz Nascimento

Jornalista e professor universitário

A humanidade abusada e o gradual despertar da consciência

O lado alegre vem com uma boa notícia diante de tantos desmazelos que as pessoas vêm vivendo e presenciando.

15 de julho de 2014 - 10:38

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O homem está cada vez mais abusado em se tratando da preservação do planeta para as gerações futuras, mas a boa luta pela consciência continua firme. O lado triste: a Organização Mundial de Meteorologia acaba de publicar em seu relatório que, no mês de abril de 2014, foi superada a concentração de carbono (CO2) na atmosfera em 400 partes por milhão (ppm), em todo Hemisfério Norte.

Os países que o compõe são: América do Norte, América Central, parte da África e da América do Sul, Europa e Ásia. Também uma parte do oceanos Pacífico, Atlântico, Índico e o Glacial Ártico, ou Mar Ártico. Ou seja, uma área onde vivem, aproximadamente, 92% da população mundial.

O uso de combustíveis fósseis, como gasolina e óleo diesel, são um dos principais fatores do aquecimento global

O uso de combustíveis fósseis, como gasolina e óleo diesel, são um dos principais fatores do aquecimento global/ Foto: Luiz Nascimento

Está concentração de CO2 acontece no Norte porque as ações antropogênicas (com a interferência do homem) são maiores que no Sul.

O lado alegre vem com uma boa notícia diante de tantos desmazelos que as pessoas vêm vivendo e presenciando. O Brasil, segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, foi o país que cumpriu a determinação da Conferência das Partes sobre o Clima (COP-17), na África do Sul, em dezembro de 2011. Foi atingida a meta da redução das emissões de gases de efeito estufa por motivos de desmatamento, o único a realizar tal façanha. Este números serão apresentados na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCC).

Educação tendenciosa
Por outro lado, ainda tem tristeza para ser transformada. O governo do presidente Obama vem sofrendo vários ataques por parte dos estados produtores de petróleo e carvão, em função das novas diretrizes para o ensino de ciências, que relaciona diretamente as atividades humanas com o aumento da temperatura do planeta, como informou o site Ambiental Brasil. O clima do debate é tão acirrado que o diretor do Conselho para a Educação, Ron Micheli, declarou que “as diretrizes são muito tendenciosas contra o desenvolvimento dos combustíveis fósseis”.

O currículo não está sendo usado em 12 estados, como Texas, Kentucky, Oklahoma e Wyoming, que são dependentes da indústria de combustíveis fósseis. Há uma batalha em curso, como interpreta o site, e muitos dos estados vem bombardeando o plano como um ato suicida, ou seja, vai mexer diretamente no bolso dos consumidores e dos empresários.

O republicano Matt Teers, autor de uma emenda, justifica que o assunto “trata o aquecimento global como uma ciência comprovada e que nada disso está provado cientificamente”. Continua Matt: “Há implicações sociais envolvidas nisso, que não são boas para o estado de Wyoming”.

Mudança continua
Ainda assim, com polêmica e discordâncias radicais, especialistas apontam que as fábricas americanas já estão substituindo gradualmente o carvão por combustíveis que emitem menos gases causadores do efeito estufa, em particular o gás natural, abundante no país, como também destaca o site Ambiental Brasil. Em 2007, o carvão alimentava 50% da geração de eletricidade americana.

“O governo estima que a extração do hidrocarboneto subirá levemente até 2030 e depois disso, dependendo da legislação ambiental e dos combustíveis disponíveis, estabilizará”, informa o site. Isso mostra, a princípio, que o carvão não tem muito futuro nos EUA e que, agindo contra as mudanças de conceitos e práticas, alguns estados norte americanos estariam indo contra uma tendência mundial inevitável. Ou seja, é uma questão de tempo a aceitação de um pensamento mais sustentável, mesmo para os mais conservadores. Só esperamos que não seja muito tempo, pois a Natureza, da qual fazemos parte, tem também seu relógio de vida e um tempo certo para cada coisa.