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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

Inferno

Novo filme baseado em best seller de Dan Brown é mais do mesmo. Confira a crítica.

18 de outubro de 2016 - 21:35

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bannerDe todos filmes adaptados dos best sellers de Dan Brown, muito provavelmente Inferno é o menos interessante. Com menos teorias de conspiração, mais refém de sua fórmula e com menos surpresas. Por isso, é impossível achar que o filme fosse acabar melhor que os outros. E não o faz.

Isso ainda por mais que, tanto o diretor Ron Howard, quanto seu astro Tom Hanks, estejam em seus melhores momentos na série. Howard com muito mais material visual com o que trabalhar, mas delírios e mais diálogos e Hanks com o personagem em seu momento mais frágil e humano, podendo se distanciar do robô/enciclopédia/guia turístico dos outros filmes.

Dessa vez, Langdon (Hanks) acorda desorientado em Florença e descobre que está no meio de uma corrida contra o tempo para impedir que um geneticista (Ben Foster) coloque em prática um ato para “salvar o mundo”, leia-se aqui acabar com metade na sua população. O protagonista então parte em um missão com a ajuda da médica Sienna Brooks (Felicity Jones) que passa por uma labirinto de referências à obra de Date Alighiere, Inferno (que é parte de sua Divina Comédia).

E a verdade mesmo é que sai de cena Leonardo Da Vinci, igreja católica, Maria Madalena e Jesus e entra em cena um personagem muito menos interessante, já que ninguém está muito ligando para o escritor italiano. O filme então é o reflexo disso, já que é complicado se empolgar com as descobertas e com os detalhes que o espectador irá descobrir.

inferno-destaquePior ainda, o roteiro de David Koepp (que já tinha escrito o filme anterior) ainda decide tomar um punhado de caminhos diferentes do livro sem perceber que deixa de lado boa parte dos bons momentos originais. Obviamente algo que o espectador que não viu o livro não sabe, mas que reflete em uma trama lenta, onde as surpresas não são trabalhadas e algumas reviravoltas acabam sendo fáceis de serem previstas (diferentemente do livro).

Mas como eu disse lá em cima, Howard, mesmo com tudo isso em mãos, ainda parece mais à vontade com suas possibilidades, empregando um visual muito mais interessante nesse do que nos outros dois filmes. Opções mais próximas (OK, que acabam atrapalhando nas lutas finais, mas funcionam no resto do tempo), um visual mais quente e estourado e ainda duas sequências de mortes (mais precisamente quedas) que surpreendem pelas soluções.

Porém, no fundo, Inferno é apenas mais do mesmo. “Mais do mesmo” de um autor que já se repete sem criatividade, de um diretor que já não faz mais nada digno de nota, de um incrível ator que parece deixar isso de lado ao encarnar Robert Langdon e de uma trama refém de meia dúzia de referências, uma reviravolta e um vilão que a história vende ser maior do que ele é. E tudo isso junto é só a receita para mais um desastre.

Críticas desse e de outros filmes você pode encontrar no CinemAqui