Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

Jogo em Conjunto

Lembra qual foi a última vez que jogou junto com algum amigo ou parente? Se a resposta for sim (o que já é positivo), lembra se foi uma competição ou se tiveram que trabalhar em equipe? Competição né? A Way Out chega na nova geração para mudar isso.

18 de abril de 2018 - 17:58

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Com o maior lançamento dessa semana, seria óbvio que falaríamos sobre God of War e seu impacto na indústria dos videogames e da PlayStation, certo? Porém, como eu sou apaixonado por chutar o óbvio para longe, vamos falar sobre um jogo mais tímido, porém não menos impactante e relevante ao cenário atual. Ele se chama “A Way Out” e é feito por um estúdio pequeno chamado Hazelight, sendo acoplado na iniciativa EA Originals, qual a empresa Electronic Arts ajuda as menores a publicar seus games.

Este jogo não tem gráficos espetaculares como o novo game da PlayStation nem possui Kratos no seu hall de personagens. Tampouco mostra qualquer mitologia, seja grega, nórdica ou afins. No jogo, você e um amigo são responsáveis para dar vida à missão de duas pessoas que se conhecem na cadeia: fugir da prisão e se vingarem da pessoa que as colocou ali. Sim, você leu certo: você e um amigo. A Way Out é jogável apenas com duas pessoas no controle. E aí começa a graça do jogo.

No jogo não tem a possibilidade de jogar sozinho. Sua aventura tem de ter alguém ao seu lado

Excluindo os beat’em up e LEGO, pode procurar, todos os jogos com opção de mais de um jogador são competitivos. Desde os fliperamas até hoje, vemos Street Fighter, Super Mario Kart, FIFA, Call of Duty…entre zilhões de outros, focados em testar suas habilidades e precisão contra as pessoas ao seu redor. Porém, A Way Out te oferece algo novo. Ele te dá a oportunidade de você e mais um amigo desenvolverem confiança, diálogo, sincronia e compreensão um dos limites do próximo para avançarem. Trabalho em equipe, em sua forma mais simples e humilde.

Esse trabalho em equipe que dá a luz do jogo. Precisa pegar certo item em uma sala? Um dos personagens tem de distrair com diálogo os policiais enquanto o outro invade o local para retirar o que necessitam. Está cercado por inimigos? Tem de confiar no próximo para dar a volta por trás dos oponentes e derrubá-los para saírem ilesos. Precisam subir num pilar? Deem as costas um ao outro e apertem o mesmo botão em sincronia. Um precisa do outro. Se complementam, se juntam e vão agir em conjunto para conquistar seus objetivos.

Os dois tem de trabalhar em conjunto, caso queiram alcançar seus objetivos mais facilmente

Para quem me conhece, sabe que minha cobaia de testes é meu irmão. É ele que uso como base para opiniões diferentes, olhares peculiares e outras formas de agir em determinadas ações. E nesse jogo, não podia escolher alguém melhor. Crescemos nos “matando” em vários games diferentes. Alguns, me consagro até hoje invicto. Outros, não vamos comentar aqui. Porém, sempre foi um universo em comum que compartilhamos e nos permitiu conhecer mais um do outro.

De início, já nos encantamos com A Way Out, pois apesar de crescermos juntos, cada um é bom em certos jogos e outros não. E isso fica evidente quando precisam um do outro. “Aperta a p*%#@ desse botão direito!” / “Você não pode se precipitar nessa m#$*@ e pular na frente sem pensar!” eram um dos gritos que soltamos um com o outro. Porém, era com ele que parávamos a metros de certos desafios e conversávamos sobre planos. Era um que salvava o outro quando algo ia errado. Era com ele que apreciávamos a paisagem do campo assim que o sol nasce após a fuga da cadeia. Isso comentando apenas da parte inicial do jogo. Você consegue entender isso?

Você começa o jogo na prisão e no decorrer da história conhece um pouco mais do que aconteceu com cada um deles

Não desmerecendo Kratos e sua saga de quatro jogos no PlayStation que mereciam (e vão) receber todo o foco de um texto…mas a Hazelight conseguiu inovar e mostrar que nem sempre precisamos e teremos de fazer tudo sozinhos. Nem que precisamos enfrentar sempre quem está ao nosso lado. Unir forças é o melhor caminho. Essa vertente, que devia ser um meio “básico” de jogo, infelizmente é algo que chega apenas na época que estamos para mostrar esses elementos. Espero, com toda sinceridade, que as outras se inspirem através desse game.

O jogo foi lançado para PlayStation 4 e Xbox One, dando escolha para você jogar com alguém ao seu lado ou com algum amigo online. Um fator interessante é que, ainda que compre um jogo só, pode jogar com quem quiser em ambas opções. Caso seu amigo online não tenha o jogo, pode realizar o download de uma versão “teste” e jogar ele por completo junto com quem tem a mídia oficial completa. E nas duas opções a tela é dividida em duas, para sempre ver o que seu amigo está fazendo (e ele poder te ver também). Ele está legendado em português e o áudio é em inglês e tem como preço sugerido R$149,99.

Pegue o controle 2 e dê a alguém que confia para essa aventura totalmente cooperativa

Com lançamentos cada vez mais grandiosos, como God of War, o relançamento de Donkey Kong Country: Tropical Freeze que virá em maio para o Switch, Monster Hunter World, Far Cry 5 e outros que vendem e faturam milhões em menos de uma semana…é bom olharmos para o básico. Procurarmos o que nos faz sermos jogadores, em suas formas mais essenciais. Desde os primeiros videogames que tivemos na indústria, existia a opção para dois jogadores. Por qual razão não confiaremos nossas aventuras nas mãos de mais uma pessoa? Pegue o segundo controle, chame um amigo/amiga, sua namorada/seu namorado, sua mãe, seu pai…e não só se divirtam: se conheçam, se auxiliem e deem mais um passo no crescimento de ambos.

Como me encontrar na rede:

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