Dr. Bruno Pompeu

Maquiavel e a saúde

01 de dezembro de 2011 - 17:54

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Nicolau Maquiavel, filósofo e político da idade Média, em Florença, Itália, afirmava que os homens são, por natureza, fundamentalmente maus, levianos, covardes, ingratos, cruéis, negligentes, estúpidos e invejosos.
Para ele, há que se pressupor que os homens são maus por natureza e que não deixarão demonstrar a disposição de seus sentimentos sempre que tiverem uma boa oportunidade para fazê-lo. É preciso fingir as qualidades que não têm. Emprega-se a manha e a força, com inteligência, conforme a situação. Massacra-se até o último representante do poder que estiver na mira. Há que parecer estar sempre cheio de piedade, travestido de cinismo descarado. O fim justifica os meios, pois a meta é manter-se no poder, custe o que custar. Hipocrisia é a grande arma e está sempre presente ao lado da dissimulação. Para Maquiavel, o político deve ser uma raposa para se livrar das serpentes, um leão para vencer o lobo.
Após essa preleção, você, leitor, consegue identificar figuras políticas contemporâneas que se encaixam no maquiavelismo? Sim, claro, infelizmente muitos. São descarados, cínicos, não sentem o cheiro do povo doente, o odor do esgoto a céu aberto em boa parte do país, o ar azedo dos hospitais públicos nos mais diversos rincões deste Brasil. Se sentem, fingem que nada acontece.
Bons políticos, verdadeiros cristãos, lutam até o extremo por saneamento básico, água potável, boas e confortáveis UBS, hospitais públicos consistentes, campanhas de saúde no combate à tuberculose, hepatite, AIDS, desnutrição, tabagismo, dengue, alcoolismo etc.
Basta de cinismo hipócrita, partidário, eleitoreiro, enganoso, em detrimento da saúde dos usuários do SUS. Somos um dos campeões mundiais em hanseníase, desnutrição, malária, dengue, verminose, deficiência de ferro, abortos, tuberculose, comparados a países africanos (OMS). Setenta por cento dos brasileiros dependem do SUS. Até quando suportaremos?
Resta a pergunta: o usuário apelar para o maquiavelismo – pois o fim justifica os meios – dando o troco na classe política, está certo?