Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Mudanças

21 de julho de 2015 - 11:00

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Dia desses vi uma reportagem na tv onde se discutia se a Amélia daquela música antiga existira ou não, depois de tanto lero lero, eis que aparece uma senhorinha toda orgulhosa de ter sido a Amélia inspiradora daquela música, o que me fez refletir no que era importante para as mulheres e o que hoje importa realmente.

É lugar comum ouvir dizer que homens não levam a serio qualquer relação e quando está insatisfeito em casa não tem nenhum prurido em abrir janelas para a rua sem critérios nem respeito.

Isso pode ser uma verdade histórica, mas nesse momento das relações conjugais podemos mudar o discurso, pois nos consultórios de psicoterapia já se percebe uma mudança nesse padrão. Isso porque os homens já traem com culpa e as mulheres, atualmente, traem como nunca.

A independência feminina promoveu mudanças em diversos aspectos da sociedade, sobretudo em relação ao mercado de trabalho e a organização familiar. Isso se sabe há muito tempo.

O que poucos sabem é que o fenômeno atingiu também um improvável terreno: o da infidelidade conjugal, feminina e masculina.

Tal o fenômeno já é chamado de “a vingança da Amélia”.

Apesar de ainda manterem casos extra-conjugais, os homens estão mais ressabiados e desconfiados. Hoje, a possibilidade de serem abandonados e da vingança ocorrer é bem maior. Eles ainda traem, mas a consciência pesa mais.

Desde que os casamentos se tornaram mais uma relação de cumplicidade, mais simétricos, ao trair o homem sente destruir um vínculo de lealdade com o outro, o contrato tem mais repercussão emocional.

E não é só isso, some-se a possibilidade da mulher abandoná-lo, coisa improvável há anos atrás.

A culpa masculina é um fenômeno exclusivo de homens com menos de 50 anos. Os mais velhos ainda foram criados sob velhos preceitos e continuam a trair de cabeça fresca, como se faz desde que o mundo é mundo.

Em comum a nova e antiga geração têm o fato de terem dados contornos novos ao adultério. A figura da velha amante teúda e manteúda foi trocada pelo sexo casual, sem vínculos entre os parceiros.

Historicamente, o fardo da traição sempre pesou ais para o lado delas. As mulheres que morriam de culpa, com a agravante de depender economicamente dos maridos, a infidelidade podia significar; morar no olho da rua.

Ainda hoje, admitir a traição é um tremendo tabu para as mulheres. O que mudou é que agora elas pensam: se eles fazem por que não posso?

Essa coragem, mais que um poder cultural, é um poder aquisitivo.

Percebe-se que elas estão assumindo mais suas paixões, como também estão dispostas a separar amor de sexo.

No último ano, duas pesquisas sobre infidelidade foram feitas no País. Os estudos mostram que eles traem mais. Porém, essas pesquisas divergem no número de mulheres que tem relacionamentos extraconjugais, que oscilam entre 47% e 23% quanto aos homens o numero encontrado em ambas as pesquisas estão na casa dos 60%.

A pesquisa também mostra que homens e mulheres traem por motivos diferentes,

De uma maneira geral a grande queixa dos homens quando pegos em falta é de que a desmotivação sexual das mulheres é fator preponderante e das mulheres, pasmem é a falta de romantismo deles que as leva as enxergar príncipes fora de casa.

Podemos deduzir que ainda se mantém instalada a velha dualidade, das diferenças entre homens e mulheres na sua expectativa da vida a dois.

Apesar de já admitirmos que uniões devam ser mais simétricas, com a discussão do prazer, do orgasmo, número de filhos, trabalho doméstico, divisão de tarefas, trabalho fora para a mulher… Ainda temos o ranço de toda uma sociedade calcada na preponderância masculina, quando o assunto é prazer.

Mas hoje o amor pode ser lido em duas chaves: por um lado, prega a liberdade, e essa tem seu preço; por outro, a possibilidade da sublimação do ato sexual em nome dos bons costumes, da família e da estabilidade financeira. E o preço pago, muitas vezes, vem com a vulgarização, a rejeição e o “desencantamento dos corações”.

O tempo passa e as mudanças continuam acorrendo.

Para cada casal existe um tempo diferente, mas como sabemos que  em apro ximadamente dois anos acaba a paixão e, a partir daí, o casal começa a lidar com a rotina.

“Durante a paixão, as pessoas se inventam” se ocupam do outro então acaba a paixão e no momento de sedimentar a relação, que enseja outro tipo de investimento, o casal deixa a rotina se instalar.

A rotina pode corroer tanto o desejo como o amor. Todas as pessoas que se sentem bem casadas são aquelas que conseguem fugir da rotina Nesse momento as diferenças que estimularam passam a ser vistas como diferenças irreconciliáveis. A arte do bom relacionamento é aprender a conviver com essas diferenças, que podem ser, inclusive, muito positivas se forem encaradas como complementares. “

Se por um lado ainda se valoriza, o “amor ideal ,romântico e sem praticidade, negando o   prazer sexual dentro do vínculo sagrado mais se  valoriza os modelos arcaicos,que acabam dando combustível para a insatisfação que acabará com buscas extraconjugais  ,os ares da  modernização da família e da moral se irradia até a base da sociedade” ,fazendo com que as escolhas sejam pautadas pelo amor,pelo desejo e principalmente pelo projeto de vida em comum que faz com que as almas se aproximem cada vez mais..