Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Mulheres, apenas

06 de março de 2015 - 08:25

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“Sorriso bonito, olhar de quem sabe, um pouco da vida, conhece o amor, e quem sabe uma dor, guardada escondida. Por experiência, sabe a diferença, de amor e paixão , o que é verdadeiro caso passageiro, ou pura ilusão. É jovem bastante, mas não como antes, mas é tão bonita ela é uma mulher, que sabe o que quer, e no amor acredita. Não quero saber, da sua vida, sua história, nem do seu passado”

Em qualquer encontro entre duas ou mais mulheres maduras o assunto descamba, me permito a usar esse termo, pois realmente a falta de conhecimento e o primor das afirmações para as perdas naturais ligadas a idade são um discurso, às vezes, totalmente alucinatório sobre hormônios, terapias alternativas, tratamentos milagrosos e o que é pior, histórias de mulheres que sucumbiram a esse momento de transição, histórias das mais fatais possíveis.

Será que é isso tudo tem que ser assim tão dramático? Não ouso falar profundamente sobre as alterações hormonais, que estão na alçada da Medicina. Mas as mudanças não ocorrem apenas no corpo, elas também invadem aspectos psicossomáticos da existência e compreender isso é fundamental para o autocontrole e a compreensão do que está ocorrendo.

É preciso atentar conscientemente não apenas para as perdas, mas também para os ganhos, pois sendo um processo natural supõe-se que seja apenas uma transformação do amadurecimento, assim como ocorreu em outras fases da vida, a relembrar: na ocasião da menarca, a primeira menstruação, tão esperada pelas meninas para se tornarem mulheres.

A primeira menstruação é, inclusive, em algumas culturas, comemorada. E por que não comemorar também os ganhos da maturidade, pois o impacto que o climatério exercerá na mulher está intimamente ligado a sua história de vida, de como enfrentou outras crises, como a primeira menstruação, a gravidez, a adolescência e outras vivências, no meu ponto de vista, intimamente ligadas à sua sexualidade?

Sabemos que para transitar bem pelas ruas é necessário conhecer a totalidade da geografia de uma cidade e assim também ocorre na nossa vida: ao nos apropriarmos do nosso momento, conhecendo-nos e aqui vale falar que cada um é cada um, nós chegaremos a um destino.

Não há como negar que toda transição humana é difícil porque o que existia ainda não morreu e o que virá ainda não nasceu, além de ser um grande mistério que por si só causa angústia e medos desconhecidos. Além disso, a mulher tem uma formação psíquica bem complexa, como a maneira de deixar de ser menina para se tornar mulher e a mudança de uma mulher em idade fértil para uma mulher em que seu maior e melhor dom é a experiência. Todas com características bem específicas.

O mais importante de tudo nessa fase da vida madura é ser capaz de dar um significado às crises e, se no momento da primeira menstruação a crise foi sem sabedoria, nesse momento da vida madura é de se supor que, repleta de enriquecimento interior e decisões pessoais, livres e independentes, que a mulher esteja pronta e firme para fazer essa travessia.

Partindo dessa característica, é essencial treinar e efetivar o resgate desse lado forte da mulher que é o de seu ser, único e pessoal, conhecendo-se e aos seus desejos, todos colocados na palma da sua mão, obedecendo apenas seus anseios e sonhos, que é de se esperar já seja possível nessa altura da caminhada da vida.
Desvelar todos os segredos e aspectos pelo qual as mulheres passam nessa fase da vida é algo de misterioso, mas também é o encanto da mulher madura desde que,a mulher sábia floresça, cresça e apareça.