Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Namorar é preciso

12 de junho de 2015 - 18:04

Compartilhe

Esse fim de semana deve ser de muita comemoração para os apaixonados, namorados, enrolados, enfim para aqueles que gozam de uma parceria com alguém com quem tenham prazer de conversar como se estivessem falando consigo mesmos, portanto para os pares perfeitos.

Esse é o modelo ideal, ter alguém que torne a vida leve, alegre, que tenha uma relação muito mais para ser feliz do que para carregar uma cruz.

Sem medo de ser taxada de desmancha prazer ou mesmo de pessimista, ouso dizer que no século 21, na época em que além de se comemorar o dia dos namorados também comemoramos o santo casamenteiro que a cada dia que passa se namora mal e cada vez menos, menos.

Eu diria que o namoro tem várias nuances e todas elas importantes para o relacionamento a dois propriamente dito e que dançar ao sabor dessas nuances é se permitir construir uma história ,pois a meu ver o namoro é isso a construção dos alicerces de uma relação profunda ou de uma vida a dois.

Para construir algo devemos nos permitir criar, fazer algo novo e nesse sentido o namoro é o tempo ideal para que os pares se conheçam, e para se conhecer devem respeitar as individualidades, e infelizmente o que ainda se vê são namoros regidos por uma relação de posse e de controle não dando espaço para o desenvolvimento das individualidades para rechear o namoro que só empobrece quando a relação se fecha em si mesma, num mundo em que somente exista o “EU e TU”.

Creio firmemente que só quem tem a capacidade de namorar a si mesmo, namorar a natureza, namorar a vida, é capaz de namorar na verdadeira acepção da palavra, porque o resto é namorar apenas o namorar, ter o namorado, ter o complemento.

Outro aspecto importante para refletir é sobre o arrepio, as pequenas emoções que estão meio fora de moda,mas que são o tempero que falta, como por exemplo, a surpresa do reencontro,a saudade que faz com que a insegurança surja não como dor mas como start para a alegria do reencontro.

É muito bom ir brincando com as palavras para falar daquilo que realmente interessa num namoro, algo que vai muito além do olho no olho.

A euforia e ansiedade de contar coisas, novidades, conquistas. Ah….os diálogos estão empobrecidos, além do desejo que também anda escasso nos namoros, beijo na boca essa delicia de intimidade é uma etapa ultrapassada pela liberdade sexual. Já que transamos não precisamos dessas intimidades, mão na mão, boca na boca, vivencias sensoriais que preenchem ,recheiam qualquer relação.

Implicâncias que não levam a nada e o ciúme ,ah.o tolo ciúme associado a amor mas que na verdade expõe a ferida da insegurança e da desvalia,perdendo assim a oportunidade de apenas sentir, cheirar, lamber e saborear.

Muito mais do que mostrar o que anda faltando e esvaziando os relacionamentos de hoje essa reflexão é um libelo para que se resgate a intimidade, a constante descoberta de si e do outro, o olhar de deslumbre, as sensações.

Porque namoro é isso sensação e desejo, sementinhas que tão pouco cultivamos em favor de razão e resultado.

Entre a razão e a sensibilidade tempo de namorar deveria ser apenas tempo de brincar.