Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Nós somos normais ?

Confira a coluna Vida & Prazer da psicóloga Marcia Atik

06 de abril de 2016 - 05:28

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Supõem-se que os avanços tecnológicos, as descobertas do século, as facilidades da modernidade vieram para amenizar dificuldades, dores, angústias, como agentes facilitadores da busca da felicidade, descobertas e desmitificações, grande sonho e objetivo perene do homem.

Quem costuma ler essa coluna sabe que não sou uma terrorista nem pessimista de plantão, aquela que vive a desfiar o rosário das dificuldades nossas do dia a dia, pois acredito piamente que elas estão aí para exercitarmos nossa capacidade de ultrapassá-las e assim comemorarmos a vida.

Mas para que isso ocorra devemos desvelar as situações para poder vê-las claramente e ao enxergá-las termos condições de igual para igual nessa intrépida busca pelo paraíso perdido.

Mas ouso, nesse espaço, questionar isso enquanto armadilha, sutil armadilha que ainda nos aprisionarem mais regras, deveres e modelos que nos aprisionam. Que diferença tem para o pássaro a gaiola rústica de bambu e a gaiola majestosa de ouro? Gaiola é gaiola!!!.

Eu nos vejo dessa maneira: aprisionados na cultura do normal, do politicamente correto e de tantas normas, que apenas noções de ética e moral se encarregariam de dirigir para o bom resultado das ações construtivas.

Poderia falar de vários aspectos, mas quero me deter especialmente nas dúvidas e desencontros relativos à sexualidade, que me parece ser a área da nossa vida mais duramente atingida pela cultura da normalidade e do padrão.

Como padronizar sensações, desejos e quereres absolutamente instintivos?? Impossível !!!!!
A sexualidade na sua expressão é normal quando o único parâmetro a ser levado em conta é o do efetivo prazer sentido.

Mas temos que levar em conta que por muitas e muitas vezes o prazer existe e passa desapercebido por estar encoberto por tantas e tantas crenças e não raro pelo romantismo idealizado que atinge tanto os homens como as mulheres, de maneira diferente concordo, mas ambos são presas fáceis dessa armadilha que considero a mais sutil e a mais avassaladora na rima de amor com dor.

Se as mulheres ainda se decepcionam, com seus homens por não virem montados num cavalo branco e terem atitudes dignas de um herói, os homens ainda têm a expectativa de mulheres perfeitas enquanto mães e donas de casa, mas reclamam quando lhes falta a mulher cúmplice, companheira e sedutora.
Não posso encerrar esse divagação sem deixar uma receita e todos nós sabemos que receitas não são infalíveis dependendo do peso que se dá aos ingredientes, mas ouso dizer que se tivermos bem dosadas as possibilidades reais e necessidades concretas, podemos fazer uma linha tênue, é verdade, mas conseguimos separar o que é ideal do que é a nossa realidade, sem esquecer jamais que sonhar é preciso.