Editorial
Humberto Challoub

Jornalista e Diretor de Redação do Jornal Boqnews. Diretor da Faculdade de Artes e Comunicação da Unisanta

Nova perspectiva ao Porto

Espera-se do novo presidente da Codesp maior diálogo com as administrações municipais integradas à área do porto organizado

15 de novembro de 2015 - 08:00

Compartilhe

A decisão do ministro da Secretaria de Portos, Helder Barbalho, de nomear o empresário e professor José Alex Botêlho de Oliva para a presidência da Codesp em substituição ao engenheiro Angelino Caputo e Oliveira, que ocupava o cargo desde abril do ano passado, renova as esperanças de portuários e empresários do setor de tornar mais transparente e eficiente a administração do maior porto brasileiro. Conduzido ao cargo com a premissa de reorganizar e modernizar métodos na operação portuária, valorizando e ressaltando aspectos técnicos em detrimento ao atendimento de demandas estritamente políticas, o novo presidente terá pela frente inúmeros desafios, especialmente diante da urgente necessidade de integrar, de forma consensual, as atividades do Porto de Santos à realidade regional.

Experiência para tanto não lhe falta. Ao contrário da maioria dos nomes que já ocuparam o cargo, Alex Botêlho possui mestrado em Engenharia, Transportes e Logística, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e por quase cinco anos respondeu pela Superintendência de Navegação Interior, como também esteve à frente da Secretaria de Fomento para Ações de Transportes, funções que o tornam familiarizado com os temas sobre os quais terá que deliberar a partir de agora.

Há muito a realidade do setor tem exigido ações para tornar o porto mais eficiente e competitivo às vistas do mercado internacional, exigindo a ampliação das áreas para movimentação e armazenamento de cargas, o aumento do número de vias de acesso ao cais e, sobretudo, a qualificação de contingentes de mão-de-obra para suprir as exigências geradas pela necessidade de implantação de modernos sistemas de controle de importação e exportação de mercadorias. Apesar da crise, é inegável a perspectiva de expansão das atividades ligadas ao porto, pois não há como desconsiderar sua importância estratégica nas pretensões brasileiras de conquistar novos mercados no exterior, dentro do contexto predominante nas relações atuais de comércio, que valorizam eficiência, qualidade e baixo custo operacional.

No entanto, a modernização pretendida deve ser alcançada de forma cuidadosa e responsável, a fim de evitar a repetição dos erros conhecidos cometidos no passado, especialmente os relacionados às políticas ambientais e de concessão de áreas públicas. Da mesma forma, espera-se do novo presidente maior diálogo com as administrações municipais integradas à área do porto organizado, de forma a que possam buscar soluções conjuntas de resguardo à qualidade de vida das populações locais e de preservação do meio ambiente. O Porto de Santos se consolida, cada vez mais, como uma valiosa ferramenta a serviço do desenvolvimento nacional, porém não pode mais estar alheio aos anseios e expectativas regionais.