Gabriel Pierin

Gabriel Pierin criou o Era uma vez em Santos... nasceu como uma ideia, virou um projeto e será sempre uma obra inacabada. Resgatar e preservar a memória da cidade é um compromisso de todos aqueles que amam Santos, sua história e suas pessoas. Afinal, cada pessoa, cada lugar, tem sempre uma história para contar.

O nascimento da Praça de Esportes da Vila Belmiro

O ex-presidente Agnello Cícero de Oliveira detectou a necessidade de construção de um campo de futebol para o time praiano. E assim, nascia a praça de esportes do Santos FC, que ganhou o nome de Urbano Caldeira.

22 de outubro de 2018 - 15:13

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Antes da inauguração da sua Praça de Esportes na Vila Belmiro, o Santos F.C. treinava e realizava até algumas partidas em seu campo na rua Aguiar de Andrade, atual Manoel Tourinho, entre as ruas Lowndes e Emílio Ribas, no Macuco.

O campo não tinha as dimensões e acomodações necessárias e a questão do campo passou a caráter de urgência.

A primeira manifestação formal da necessidade de construção de um campo foi feita pelo presidente Agnello Cícero de Oliveira que, em reunião de diretoria no dia 14 de julho de 1915, expôs a “necessidade urgente da construção de um campo de football com todas as acomodações e instalações que se fazem precisar aos nossos jogadores e aos nossos apreciadores”.

Para tratar de um assunto dessa magnitude, Agnello solicitou a cooperação de uma comissão de sócios, que ficou incumbida de abreviar a solução desse problema.

A novidade do novo campo mobilizou os diversos segmentos.

Em reunião de primeiro de agosto, o diretor Sebastião Arantes pediu que fosse oficiado um agradecimento a Emilio Lion pela amabilidade em ceder uma das vitrines da Casa Sylvain Daniel & C., para exposição da planta do ground do novo clube.

 

Vila Belmiro em 1916 – Foto: Reprodução

Inauguração

Em 20 de agosto, Luiz Suplicy Filho levou ao conhecimento da diretoria que foi procurado pelo Dr. Roberto Simonsen, e que este declarara-lhe estar o campo pronto, cumprindo ao clube providências para que fosse o mesmo gramado e, para isso oferecia, em nome da Companhia Construtora, os serviços de aterro e de gramado de acordo com as vantagens então oferecidas.

O campo do Santos, já não era sem tempo, estava prestes a ser inaugurado.

Em reunião de diretoria de 11 de outubro, é lido um ofício da Associação Paulista de Sports Athléticos (APSA), “nomeando comissão que examinará o ground deste club”.

A mesma, em comum acordo com o Santos F.C. concordava com a transferência do match Ypiranga x Santos que deveria realizar-se no dia 12 para o dia 22 próximo.

No dia 18 o Santos F.C. recebeu um ofício da APSA:

 

[…] considerando o campo deste club apto para nele disputar matches do campeonato sendo de notar que esses matches serão oficiais, caso não chova copiosamente no dia do jogo ou dois dias antes e o club escalado alegue o estado do campo com as chuvas.

 

 

Em 12 de outubro, o Santos F.C. inaugurava a sua Praça de Esportes.

Dias depois (22 de outubro), conforme determinação da APSA ocorreu a primeira partida do Santos F.C. em sua Praça de Esportes.

Havia apenas modestas arquibancadas de madeira e uma cerca em volta do campo. O público pagante que assistiu à vitória do Santos sobre o Ypiranga pelo Campeonato Paulista por 2 gols a 1 foi de 2 mil pessoas.

O jornal A Tribuna de Santos assim enalteceu o feito santista:

 

É extraordinario, é ardente, o enthusiasmo que se nota entre os innumeros associados do Santos e os varios apreciadores do salutar sport britannico, pela grandiosa pugna que, amanhã, na nova praça de esportes, a Villa Belmiro, se vae travar entre o galhardo campeão santista e a valorosa equipe da paulicea.

O interesse que este encontro vem despertando em todas as rodas sportivas é a prova mais cabal da necessidade imperiosa que, desde há muito, se impunha, diante do nosso progresso sportivo, dessa extraordinária obra que um grupo de esforçados e arrojados sportsmen acaba de legar a esta cidade.

Santos, presentemente, pode, affoitamente e com orgulho, dizer que, em seu seio, mantem uma praça sportiva que rivaliza com todas as congêneres do Estado.

Até que enfim teremos ocasião de assistir a matches de foot-ball e não de “water-polo” e poderemos receber qualquer “esquadra” sportiva sem que tenhamos de ficar, diante dos visitantes, compromethidos e vexados, pelo desleixo e desamparo a causa sportiva.

Ainda bem que esse núcleo de sportmen alcançou, após innumeros sacrifícios, a palma da victoria, que toda a população santista lhe offerta enthusiasticamente.

O vasto campo do Santos ficará amanhã ao “complet” levando ali tudo quanto há de mais fidalgo no nosso Burgo. Vae, pois, ser uma das tardes superiores das nossas pugnas sportivas.

O valor dos antagonistas é de sobejo conhecido, e, portanto, a luta será emocionante e plena de brilhantismo. Oxalá que o tempo não venha empalidecer esta bella e grandiosa festa sportiva.

De accordo com o estabelecido pela Associação Paulista de Sports Athleticos, as senhoras pagarão ingresso, e os menores de 14 annos quando acompanhados de suas famílias terão entrada franca.

 

O impacto foi sensível também na aquisição de novos sócios.

 

 

Urbano Caldeira (foto)

Somente na primeira reunião após a inauguração da Praça de Esportes foram apreciadas 92 novas propostas de sócios.

A questão do campo foi um importante delimitador para o futuro de sucesso que o Santos F.C. iria alcançar e que, merecidamente, anos depois, seria batizado com o nome do homem que mais se destacou nesse período do clube: Urbano Caldeira.

A proposta para adoção do nome foi realizada em Reunião de Diretoria em 17 de março de 1933, quatro dias após o falecimento de Urbano.

O autor da proposta foi o sempre presente Ricardo Pinto de Oliveira. Em reunião do Conselho Deliberativo de 24 de março, tal proposta foi aprovada por unanimidade e a Praça de Esportes passou-se a chamar: PRAÇA DE ESPORTES “URBANO CALDEIRA”.