Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

O uso da intuição

07 de novembro de 2011 - 14:44

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Há muito tempo o ser humano questiona a capacidade de tomar decisões baseadas na intuição. Alguns acham que ela é um dom que nasce com as pessoas. Outros que só pode ser utilizada pelos que dominam a técnica da meditação. A verdade é que na última década vem aumentando o número de pessoas que a consideram uma excelente guia no processo de tomada de decisões. Muitos pesquisadores têm comprovado que a intuição não tem nada de sobrenatural.


Trata-se de uma forma de empregar conhecimentos e perceber a realidade com base na experiência, sem o uso da razão. Para que a intuição aconteça são necessárias, pelo menos, duas condições: a existência de uma informação inconsciente derivada da vivência anterior e a frequência cerebral baixa, característica de um estado de relaxamento. A mente agitada é muito barulhenta para ouvir a intuição. A pessoa necessita de tranquilidade mental e emocional para sentir a própria intuição com eficácia.


Existem dois tipos de conhecimento: o explícito quando a pessoa percebe que está aprendendo e o tácito quando ela não tem consciência do que sabe. Os indivíduos passam o tempo todo adquirindo conhecimentos tácitos sem se dar conta disso. Este conhecimento habita o inconsciente e se esconde muito bem dos cinco sentidos comuns, não sendo percebido por eles. É necessário que a intuição, como sexto sentido, o transforme em algo consciente e passível de ser utilizado.


Cada um armazena dentro do inconsciente um estoque de cultura tácita, cujo volume é proporcional a maior ou menor experiência de vida. A intuição está sempre em atividade. Ela não funciona como uma lâmpada que pode ser ligada e desligada a qualquer hora. Nos momentos certos ela dispara o alarme e transmite informações essenciais à resolução dos problemas. Infelizmente esses dados não são comunicados de maneira clara e direta. Eles surgem por meio de imagens, símbolos, impressões e sensações que nem todos conseguem interpretar corretamente.


Muitas vezes os gerentes sentem-se constrangidos em tentar explicar as razões de terem tomado determinada decisão. Têm medo de falar sobre sua intuição, pois não querem parecer estranhos. “É como um elefante no meio da sala. Todos podem vê-lo, mas como ele não deveria estar lá, ninguém comenta a respeito”.


O grande dilema: arriscar em ouvir a intuição ou basear-se nos fatos inquestionáveis da razão?


Seja na vida pessoal ou no campo profissional, algumas práticas são fundamentais para o exercício adequado da intuição.  Abrir a mente para o novo e incomum. Dessa forma a intuição pode se infiltrar na consciência em lugar de ser filtrada por ela.  Respeitar as próprias emoções, sentimentos, sensações e pensamentos. Aceitar a própria intuição para aprender a aceitar as intuições dos outros. Saber ouvir a intuição nas pequenas e grandes decisões. Manter a serenidade nos momentos de decisão, para aumentar a capacidade de entender o que a intuição está querendo dizer.


O ser humano deve ter a sabedoria de considerar a informação gerada pela intuição lado a lado com os demais fatos racionais. Analisando todos em conjunto, ele certamente terá maiores chances de tomar a decisão correta.