A Odisséia do Super Mario | Boqnews

Ponto de vista

7 de novembro de 2017

A Odisséia do Super Mario

O jornalismo é conhecido pela sua imparcialidade e levantar questionamentos sem impor a opinião pessoal do redator. Com isso em mente, gostaria de levantar dois pontos: 1 – Eu NUNCA gostei de jogos da linha Mario / 2 – O jogo Super Mario Odyssey me fez engolir seco o primeiro item e admitir que estava completamente errado sobre a franquia. O mais novo game da Nintendo já é um clássico instantâneo e o Mario chegou para mostrar a razão de ser um dos personagens mais importantes do mundo.

Começando pela história, Bowser sequestra novamente a princesa Peach e cabe ao Mario impedir o vilão de concretizar seu mais novo plano: se casar com ela. Tentando impedi-lo, você é jogado da nave que ele carrega sua prisioneira e cai num reino cheio de pequenos chapéus. Um deles revela que a tiara que está na cabeça da princesa é sua irmã e foi raptada também pelo inimigo que ambos têm em comum e podiam se unir para salvar as duas. Assim, Cappy se une ao Mario e os dois saem na odisséia no resgate das personagens. Para isso, muitos reinos terão de ser visitados enquanto Bowser se aproxima cada vez mais do momento de sua cerimônia.

A missão de Mario é impedir o vilanesco Bowser de se casar com a princesa Peach. 

A jogabilidade é um dos pontos mais simples do game. Tudo que pode fazer a princípio é pular e jogar o chapéu, seguindo do impacto no ar e de truques com o chapéu. Você tem um “mundo aberto” (em certo ponto, limitado) que pode seguir tanto para o objetivo principal de cada reino ou tentar desvendar todos os segredos escondidos no mapa. Uma de suas maiores qualidades é a liberdade que te oferece. Se quer passear, brincar pelo mapa, testar seus limites e se desafiar, ele te recompensa pela jornada. Se deseja seguir o rumo para os chefões, ele também não o impede. Recomenda-se utilizar os joy-con separados, um em cada mão, facilita os movimentos de atalho para alguns golpes elaborados, porém ele é perfeitamente jogável em qualquer posição.

Falando em jogabilidade, um dos pontos mais mágicos do novo game além da própria aventura é a oportunidade de jogar em certos trechos como o clássico do NES (ou Nintendinho). Assim como o game Doom (PS4/XboxOne) fez recentemente, trazer essa nostalgia de volta foi um acerto digno de todo respeito. No mesmo jogo você pode acompanhar como ele era no início e como a série evoluiu. Inserir este fator como parte do jogo e não como algo opcional foi genial, trazendo sons e gráficos pixelados como uma boa (e distante) memória.

Mario alterna a gameplay de tridimensional para gráficos pixelados entre as fases.

O sistema de jogar o chapéu e se tornar os alvos também adiciona jogabilidades nunca experimentadas antes pela franquia. Quase tudo é controlável, em qualquer instante, inclusive em lutas contra os chefões. Você pode muito bem se unir a um inimigo e impedir o grande chefão com as habilidades daquele espécime. Desde nadar, voar, alcançar locais ou destruir o ambiente ao seu redor, a liberdade é absurda. Basta desejar e ir onde quiser.

Quanto aos sons e gráficos, nunca o universo de Mario pareceu tão vivo antes. Ainda me questiono como fizeram toda sua aventura rodar de forma limpa e nítida como o mundo real no modo portátil, por exemplo. Todos elementos mágicos estão ali, monstros, chefões, nuvens com sorrisos, mas ao ver as árvores, água, o céu, cada detalhe da arquitetura de cada reino e os detalhes no mapa, verá que o jogo foi feito de apaixonados por games para os jogadores. Já a trilha sonora conta com os sons clássicos remixados para a nova geração, além de ter pela primeira vez uma música cantada “Jump Up, Super Star!” (cuja letra está no encarte do game, assim que abre a caixa).

 

https://www.facebook.com/diegods.dearaujo/videos/1427208500735005/

 “Jump Up, Super Star!” é cantada por Pauline, personagem salva por Mario das mãos de Donkey Kong em 1981 e hoje é prefeita de New Donk City.

Um dos pontos mais importantes que a Nintendo se preocupa em relação ao seu público é a diversão, e nisso você encontra em cada canto da aventura de Mario. Desde diálogos divertidos entre Mario e Cappy, Bowser reclamando de enfrentar o herói enquanto prepara um casamento e se sente estressado com a organização, os demais personagens com seu brilho e bom-humor prontos para abraçar a jornada e até mesmo as luas, combustível da “nave” do Mario, esboçam uma expressão feliz. É do tipo de game que te acolhe em cada detalhe, seja na expressão de algum deles ou nos elementos em tela.

Para os curiosos, ele e The Legend of Zelda: Breath of the Wild alcançaram a nota 97 no Metacritic e para quem jogou ambos, posso afirmar que foram merecedores. Os dois games, em menos de oito meses, vão redefenir por completo a forma como jogamos videogame nos próximos anos. Cada qual com seu mérito, apesar da minha preferência às aventuras de Link o que realmente me surpreendeu em 2017 foi Super Mario Odyssey. Você o acha “agradável” até a parte que se transforma no Tiranossauro Rex (isso bem no início do game, no segundo reino). Após isso, você já está com o olho brilhando e com um sorriso no jogo, pensando “que espetacular”. E ele não te faz parar de pensar assim por todo o restante do game.

https://www.facebook.com/diegods.dearaujo/videos/1424904264298762/

Com Cappy, Mario consegue capturar vários de seus inimigos para usar suas habilidades ao seu favor

O ano foi cheio de surpresas, Horizon Zero Dawn, o próprio The Legend of Zelda: Breath of the Wild, Wolfenstein II: The New Colossus e Assassin’s Creed Origins são ótimos exemplos, mas Super Mario Odyssey veio para mostrar o que o ícone do mundo dos games é capaz. Conquistando o lugar dele por direito, ele e o Nintendo Switch estão agora no centro das atenções de todo mercado e por merecimento. A Nintendo anunciou que futuramente haverão DLCs do jogo, o que pode aumentar ainda mais o fator replay dele (como se não bastasse acabar voltando nos mundos para conseguir as luas que não alcançou pela primeira vez).

Super Mario Odyssey não é apenas uma recomendação, é um dos games obrigatórios para se jogar por todos que se dizem apaixonados por videogames. Ele está disponível exclusivamente para o Nintendo Switch, com a possibilidade de jogar até duas pessoas (uma controla Cappy, o chapéu) e não possui recursos online. Como a Nintendo não tem base instalada no Brasil, o game está totalmente em inglês, porém é bem intuitivo e simples de jogar caso não compreenda a língua. Ainda há um modo que permite jogar com flechas indicando o caminho, ajudando a quem não costuma pegar o jeito facilmente. Sem mais delongas, é uma oportunidade imperdível de reaprender como games clássicos nascem e se formam, assim como se mantém relevantes mesmo com seus quase 40 anos de idade.

Mario desbravará vários mundos, mas quem define a jornada é você

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P.S.: Todas as imagens e vídeos nesta coluna foram tirados com o recurso SHARE do Nintendo Switch.
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