Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Os limites da ambição

28 de fevereiro de 2013 - 20:08

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Ambição é um conceito mais complexo e ambíguo do que parece à primeira vista. Muitos consultores e pensadores estudam – nos últimos anos com maior intensidade – suas causas e efeitos colaterais. Qual a razão desta característica humana tão impactante na vida das pessoas ser considerada ora positiva e ora negativa? Quando alguém é rotulado como ambicioso, geralmente está sendo criticado por comportamentos questionáveis.
Ao contrário da liberdade, a ambição não termina onde a do outro começa. Não existem limites para os indivíduos extremamente ambiciosos.
As maiores catástrofes mundiais ocorreram pela ambição descontrolada. Porém, as descobertas e conquistas mais espetaculares, bem como os feitos maravilhosos do esporte não teriam existido sem ela.
A combinação da ambição despropositada com uma pitada de sorte tem gerado realizações notáveis. A ambição faz o mundo “girar mais depressa”. Sem ela, líderes do mal como Hitler e do bem como Martin Luther King não teriam “acontecido”. 
A ambição pertence à natureza humana. Muitas pessoas a tem, desejam se destacar, e serem reconhecidas em suas áreas. Poucas, no entanto, sabem realmente o que fazer com ela, como domá-la e colocá-la aos seus pés para atingir seus objetivos. 
Existem três tipos de ambição. A ambição normal necessária ao desenvolvimento, a ambição excessiva associada a comportamentos obsessivos e compulsivos e a ambição mínima ou que nunca acontece impedindo que as pessoas atinjam suas metas e realizem seus sonhos.
A ambição normal é fundamental para os profissionais que estabelecem com assertividade as metas a serem vencidas para uma carreira de sucesso. 
A ambição excessiva é muito perniciosa, pois o ser humano vai subindo e deixando mortos e feridos pelo caminho. Mortos e feridos tanto no sentido figurado como literal! É interessante destacar que a ambição sem limites habita muitas vezes o inconsciente das pessoas e, portanto, não é percebida por elas.
A ambição mínima é aquela que não se desenvolve. Ela está muito presente nos seres humanos que não conseguem ou não querem descobrir quem são e o que desejam ser no futuro. O “ser” e o “ter” são desconhecidos para eles. É o exemplo do indivíduo que trabalha a vida inteira na mesma empresa, praticamente na mesma função, acomodado em sua mediocridade, sem fazer absolutamente nada para mudar. Estas pessoas deveriam ser confrontadas com o ditado célebre: “é preferível arrepender-se do que fez e deu errado do que  nunca tentou fazer por medo”. 
A ambição deve ser conduzida dentro dos limites da ética. Na satisfação dos desejos, na competição pelo sucesso, nem tudo é válido. A ética com seus princípios morais particulares de cada sociedade deve sempre estar em consonância com as atitudes geradas pela ambição. 
Não há nada errado em querer “subir” social e profissionalmente. Construir sem destruir, iluminar a escuridão da ambição negativa com a luz da fé e da razão é princípio a ser observado por aqueles que utilizam a ambição com eficácia.
Cada pessoa deve se conscientizar que o mais difícil é identificar as próprias ambições, descartar as destrutivas e utilizar as demais a seu favor de acordo com suas limitações, sempre caminhando pelo terreno da ética com a certeza de que os “fins não justificam os meios”.