Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Passado, presente ou futuro

14 de janeiro de 2015 - 08:03

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A procura do “estar bem consigo mesmo” ou “fazer o que gosta” foi, é e sempre será algo natural do ser humano. Infelizmente muitas pessoas acabam trilhando esse caminho de forma errada.

Existem pessoas que não conseguem se desgarrar do passado, e não tem consciência que só conseguem valorizar as coisas que já ocorreram. Com isso jamais se alegram com o que está acontecendo no presente, pois ficam esperando e esperando para lembrar o momento feliz que já se foi…

É certo olhar para o passado e refletir sobre as situações positivas ou tirar lições da experiência para não cometer os mesmos erros no presente.

Entretanto, não é correto analisar o passado lamentando a falta de sorte ou sentindo-se culpado pelos enganos num ciclovicioso de sentimentos negativos sem sentido.
Muitas pessoas vivem esperando o futuro para serem felizes. “Quando eu conseguir meu diploma…”. “Quando eu comprar meu primeiro carro…”. “Quando eu me casar…”. Elas nunca se sentem satisfeitas, pois ao atingir aquele objetivo desejado durante anos, em lugar de usufruírem o desafio vencido, começam a pensar em outro ainda mais difícil…

E importante considerar as metas de médio e longo prazo como um conjunto de metas menores de curto alcance. Cada meta atingida provocará a satisfação merecida. Alguém, por exemplo, precisa emagrecer 20 quilos em seis meses. Será muito mais prático e motivador estabelecer metas semanais ou quinzenais de emagrecimento.

Em cada semana haverá uma conquista a ser celebrada. Para subir uma longa escada, é melhor a concentração em um degrau de cada vez. Aquele que mantém seus olhos focados num horizonte distante, provavelmente não enxergará um passo à frente, tropeçando e caindo de costas num buraco.

Ter um sonho dignifica o homem, mas se ele tiver certeza que esse sonho é impossível de ser alcançado, nada mais pragmático do que trocá-lo por outroviável. Acreditar que o pensamento positivo será suficiente para fazer o impossível é uma característica de auto ajuda própria dos tolos e ingênuos.

Fazer planos para o futuro é fundamental, seja a definição de uma visão da organização, o planejamento da carreira profissional ou os planos de ação para a melhoria da qualidade de vida pessoal.

Certas pessoas acreditam que viver o presente, significa desfrutar de maneira fútil cada dia como se fosse o último, renegando qualquer lembrança do passado e sem sonhar com o futuro para não se decepcionar. Cada momento de alegria ou tristeza, medo ou raiva deve ser realmente vivido com o espírito aberto para o aprendizado e amadurecimento. A verdadeira razão de viver se materializa nos momentos felizes do cotidiano, cuidando do passado com otimismo e não gerando expectativas inatingíveis para o futuro.

A chave da felicidade é aproveitar a vida com sabedoria sabendo se posicionar no hoje, mas não esquecendo o ontem que um dia foi hoje ou deixando de planejar o amanhã que um dia será hoje.