Dr. Bruno Pompeu

Pedras na vida

Novo artigo do médico Bruno Pompeu trata sobre a importância do consumo da água para os seres humanos.

21 de agosto de 2018 - 14:15

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Antes de Cristo, crianças brincavam com pedrinhas de calcário, chamadas “khalix” (palavra do grego antigo que significa “pedra pequena”), em que o jogador, muito habilidoso com as mãos, jogava pra cima e pegava embaixo, saindo vitorioso aquele que arrecadasse mais seixos.

Na mesma época, criadores de ovelhas e cabras carregavam bolsas com o número de cálculos correspondente à quantidade exata de bichos do rebanho.

Eram as formas mais primitivas de controle e cálculo dos animais.

Não por acaso, vem daí a palavra calculadora.

O tempo avança, vem o cristianismo, a Inquisição e a brutal perseguição, por séculos, de judeus e árabes pela Santa Igreja.

Ávidos por conhecimentos de anatomia e proibidos de dissecar cadáveres, corpos de falecidos eram amarrados em troncos na beira de rios com água corrente de forma que, com o passar dos dias, a decomposição progressiva das vísceras fazia com que o estudo anatômico fosse, embora secreto, muito bem observado, descrito e desenhado.

O apodrecimento da carne favorecia a exploração da vesícula, dos rins, do pâncreas e de outros órgãos.

Ao se depararem com uma vesícula cheia de cálculos, semelhantes aos cálculos citados no começo do texto, faziam analogias com pedras comuns encontradas na natureza.

Daí “pedra nos rins” ou “pedra na vesícula”.

E assim tudo na medicina foi escrito e comparado com natureza viva ou morta.

Cálculo renal ou cálculo de vias biliares são uma pedra no sapato do médico e na vida do paciente.

A pedra da vesícula, com um bom cirurgião e um bisturi bem afiado numa pedra de amolar, meio caminho andado.

Já a pedra no rim, com o vai e volta das dores, destrói a “saúde de pedra” do paciente valente.

Após a crise de dor, pacientes resolvem “colocar uma pedra em cima” de tudo e seguem uma linha de expectativa.

Desde o homem primitivo, da idade da “pedra lascada”, conhecemos a dor da cólica renal e cólica biliar.

São dores típicas muito fortes, de fácil diagnóstico clínico (histórico, palpação, percussão), fáceis de se tratar.

Mas que necessitam de acompanhamento médico regular.

“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura” não vale nesses casos… Por isso, beba muita água!