Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Qual é o seu tipo?

11 de agosto de 2014 - 15:30

Compartilhe

Peço licença aqueles que costumam ler esta coluna para homenagear o melhor amigo do ser humano: o cão. Nos últimos anos, passeando diariamente com o meu Poodle, tenho observado tipos curiosos desfilando com seus cachorros.

Sabe tudo – é o especialista em animais. Ensina a todos, sem ser perguntado, como segurar a guia com total segurança, como evitar os lugares infiltrados de carrapatos, a melhor ração, entre outras dicas. Ao lhe perguntarem se deixou seu cãozinho em casa, responde com a maior “cara de pau” que nunca teve cachorro, mas que gosta muito deles.

Zangado – está sempre muito bravo por se sentir obrigado a caminhar com o cachorro. Ao encontrar alguém com seu animal, lança aquele olhar raivoso tipo “porque nãopasseia em outrolugar?” e afasta com rapidez seu animal do “intruso”.

Distraído – está sempre perdido em seu mundo. Parece estar segurando um pedaço de couro sem nada na extremidade. Leva um susto muito grande quando percebe que seu cachorrinho pára e cheira algo interessante, continuando a andar absorto em seus devaneios. Limpar a sujeira? Nem pensar, pois ele não percebe quando ela aparece e não trouxe qualquer papel ou plástico para isso.

Metódico – faz sempre o mesmo trajeto, atravessando a rua exatamente nos mesmos locais. Para ele é um pecado mortal mudar o percurso e acredita que tudo ficaria mais fácil se o seu animal satisfizesse suas necessidades fisiológicas nos mesmos lugares.

Controlador – mantém seu cachorro de pequeno porte, com “rédeas curtas”. A guia é segura na metade da extensão e seu cãozinho é obrigado a andar no meio da calçada sem poder se aproximar dos muros e postes. Provavelmente é um fã do programa de TV “encantador de cães”.

Enganador – seu cachorro de pequeno ou médio porte é o animal mais “manso” do mundo. Perguntado se o cão é bravo, responde que não. Quando este ataca o coitado do “amiguinho” que se aproxima alegre para fazer amizade, responde com um sorriso mentiroso e ar de falsa surpresa que seu cachorro nunca agiu assim.

Preguiçoso – nunca tem tempo para levar seu cachorrinho a passear. Quando o faz, após 50 metros já começa a brigar com o animal para voltar. Ele acha que seu cão deve satisfazer suas necessidades fisiológicas logo após sair de casa e fica muito chateado quando isso não acontece.

Antipático – acha que seu animal não deve se aproximar dos outros, pois provavelmente será infectado por uma doença mortal. Ao perceber algum cachorrinho se aproximando, olha feio para o seu dono e atravessa para o outro lado da rua. No entanto, em lugar de andar com seu cão nos horários menos utilizados, passeia sempre na hora mais movimentada.

Apressado – anda acelerado e sempre com muita pressa, esquecendo a diferença de tamanho entre suas pernas e as do animalzinho. Após a primeira quadra o cãozinho já está super cansado e “apertado”, pois a mãe natureza mesmo sábia, ainda não conseguiu ensinar os animais a urinar correndo.

Machão – para este tipo só existem cachorros enormes ou ferozes como o Pitbull e o Rottweiler. Ele se sente orgulhoso pela força e coragem necessária para segurar as investidas destes animais contra os pequenos. Sua imagem não pode ser maculada pelo contato com cãezinhos insignificantes. Olha com desprezo e pena para os “fracos” que passeiam com seus cachorrinhos.

Protetor – ama seu animal e gosta de levá-lo a passear. Entende que o cão não precisa sair somente para deixar o apartamento limpo, mas também para se socializar e usufruir os inúmeros cheiros da rua. Tem paciência para deixar seu animal conduzir a caminhada com relativa liberdade, somente afastando-o dos locais sujos e perigosos.

Em minha opinião, sujeita a qualquer crítica, o importante é respeitar aquele que considera seu dono como herói, aquele que o ama acima de tudo, aquele que não percebe seus mínimos defeitos e enfim tentar se colocar no lugar dele para entendê-lo melhor. Nunca esquecer que o cachorro não precisa de um proprietário e sim de um protetor.