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Foto: Divulgação desmatamento

Opiniões

15 DE AGOSTO DE 2021

Quem não consegue enxergar?

José Renato Nalini

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Desde a década de 60, notam-se efeitos climáticos extremos em todo o planeta, aponta a Organização Meteorológica Mundial, agência da ONU encarregada de monitorar o clima em âmbito global.

É o que justifica a ocorrência das chuvas que flagelaram a Alemanha na segunda quinzena de julho, as ondas de calor no Canadá e Estados Unidos, a pior seca das últimas décadas no Brasil. Tudo está interligado e a causa é uma só: o abuso humano em relação ao seu único habitat disponível.

Não se iludam os panglossianos, com as viagens realizadas estes dias pelos bilionários americanos. Eles vão e voltam. Ainda não têm condições de permanecer no espaço. Depois, onde arranjar um lugar acolhedor para sete bilhões de humanos?

Numa localidade alemã, Reifferscheid, a chuva chegou a 207 milímetros em 9 horas. Só para comparar, a maior precipitação pluviométrica em São Paulo registrou 36,3 milímetros. Por sinal que São Paulo enfrenta a maior falta de chuva em 91 anos. Tudo indica a necessidade de racionamento entre setembro e outubro.

O Primeiro Mundo se compenetrou de que a descarbonização é a única providência viável para minorar os efeitos da calamitosa ação dos homens nesta frágil e desprotegida esfera. Mas o Brasil parece não se dar conta da gravidade da situação.

É infame o registro de recordes de desmatamento, mês após mês, no bioma que o mundo tem direito a defender, pois a Amazônia é importante para toda a humanidade, não só para os brasileiros. Estes, teriam motivo a mais para defendê-la. São destinatários da norma do artigo 225 da Constituição da República, a assegurar a todos um ambiente ecologicamente equilibrado, direito titularizado inclusive por aqueles que ainda não nasceram.

Onde está a reação brasileira à criminalidade organizada que devasta a floresta, invade reservas florestais e áreas indígenas demarcadas, faz conluio com a delinquência internacional para exportar ilegalmente minério e madeira de lei, tudo sob a passividade do governo?

Não basta o “desmatamento zero”. É preciso punir os dendroclastas. E, mais urgente ainda, reflorestar. Se o Brasil tivesse juízo, plantaria ao menos dez árvores para cada uma que tivesse desaparecido, vítima da cruel motosserra ou do “correntão” puxado por dois tratores. Imagens do Brasil que extermina o seu amanhã.

José Renato Nalini é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras.

 

 

 

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