Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Saber ouvir

31 de maio de 2012 - 21:26

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Saber ouvir é uma das habilidades mais difíceis de serem aplicadas corretamente. 
Ouvir é um ato de renuncia que exige atenção de corpo e alma sobre o que o interlocutor está falando. Não é possível ouvir mais ou menos. Tentar ouvir e ao mesmo tempo pensar na resposta é um dos erros mais comuns daqueles que não se preocupam em melhorar a competência em saber ouvir.
Ouvir, muitas vezes é chato e desagradável e está associado aos processos de compreender e orientar. Falar é muito mais “gratificante” e se relaciona aos autocratas que adoram dominar e controlar as pessoas a sua volta.
A tentação em não ouvir é facilitada pelo fato que a velocidade do pensamento – 500 palavras/minuto – é 4 vezes superior à velocidade normal da fala – 120 palavras/minuto. Isto acontece, por que o ser humano pensa em ideias e não em palavras. Assim, a pessoa acha que consegue ouvir o interlocutor ao mesmo tempo em que reflete sobre outras coisas. 
Alguns comportamentos básicos devem ser seguidos por aqueles que realmente desejam se transformar em bons ouvintes: Demonstrar ao interlocutor que está prestando atenção. Aproximar-se caso esteja de pé, inclinar-se ligeiramente para frente se estiver sentado. Sorrir e confirmar seu entendimento com meneios afirmativos de cabeça. Olhar o outro diretamente nos olhos sem agressividade
Ter consciência de que o importante naquele momento é ouvir o que o seu interlocutor tem a dizer e não o som de sua própria voz. Não se preocupar caso perceba alguma ironia ou agressividade no interlocutor. Controlar suas emoções ouvindo com atenção o raciocínio dele até o final, “segurando” a ansiedade para não ficar imaginando as respostas antes da hora.
Aceitar a realidade de que o ato de ouvir não é tão estimulante como o de falar. Ficar atento para não parar de ouvir após as colocações iniciais do problema, pensando que já possui todas as informações importantes.
Controlar sua impaciência não desmotivando o interlocutor por meio de expressões não verbais como olhar distante, dedos tamborilando sobre a mesa, movimentos de contrariedade com os lábios, olhar agressivo, entre outras.
Combater suas emoções com afinco. A pessoa pode ficar tão encantada com a opinião do interlocutor que deixa de ouví-lo para pensar no quanto aquilo é importante. Ou então ela fica com tanta raiva pela imbecilidade da colocação, que deixa de ouvir para pensar nas razões que provocaram tal absurdo.
Evitar ouvir seletivamente, ou seja, somente aquilo que confirme ou se relacione diretamente as suas próprias certezas. Procurar não ouvir somente aqueles aspectos que, no momento, possam fazer sentido para as idéias em que você está pensando. Tomar cuidado para não ouvir somente aquilo que gostaria de ouvir.  Prestar atenção para não ouvir aquilo que você imagina que o interlocutor irá dizer.
O importante é o compromisso com o autodesenvolvimento, tendo consciência de que para melhorar a capacidade em ouvir será suficiente começar a corrigir os comportamentos inadequados com perseverança.