Andor Stern: uma estrela no Holocausto | Boqnews
Andor Stern: uma estrela no Holocausto
Nem mesmo uma das épocas mais sombrias da história da humanidade apagou o brilho da alegria de Andor Stern, de 85 anos. Brilho esse que se reflete até mesmo no sobrenome. Em alemão, Stern se traduz por “estrela”. Mesmo assim, foi preciso reencontrar uma luz de esperança na escuridão do Holocausto, um dos maiores exemplos de intolerância religiosa e étnica, classificada como um dos principais crimes contra a humanidade.

Envolvido numa trajetória de múltiplas curiosidades, a estrela mais uma vez faz parte da vida de Andor – de forma menos ortodoxa, ele deixa claro: é a estrela de Davi, símbolo do judaísmo, religião da família. Judeu nascido em São Paulo, filho de pais húngaros, aos dois anos de idade se mudou com a família para a Índia em função do trabalho de seu pai, que era médico. 

No ano de 1936, quando tinha oito anos, o contrato de trabalho do pai terminou e Andor foi com a família a Budapeste, capital do país de origem de seus antecedentes. Como diz o ditado, “gato que nasce em forno, continua sendo gato”. Em outras palavras, filho de húngaro é húngaro. Para eles, a essência e o vínculo são os mesmos.

O objetivo da família Stern era um só: a união. Voltar ao Brasil, possibilidade descartada. Nem mesmo com as informações que chegaram em Budapeste sobre a invasão da Alemanha nazista à Polônia e que, na sequência, a Hungria era o próximo alvo. “Ninguém acreditava nessa possibilidade de sermos perseguidos. Mesmo porque os países eram aliados”, relembra Andor. 

Acontece que o antissemitismo era uma realidade. Com a ideologia do partido Nacional Socialista (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, em alemão), Adolf Hitler buscava a recuperação econômica e étnica da chamada “grande Alemanha”. Nessa grande Alemanha, judeus, negros, homossexuais, ciganos eram alguns dos grupos que passaram a ser perseguidos e marcados. Literalmente. Antor guarda até hoje as marcas no braço esquerdo, sistema esse padrão no regime da época. 

Foi para diversos campos de concentração. Primeiro, em Auschwitz-Birkenau, quando foi separado da sua família. Depois, ficou um tempo em Varsóvia. Em seguida, Dachau, próximo à Munique. Também foi ao sub-campo de Mühldorf. Os campos de concentração eram divididos entre várias funções, principalmente trabalho e extermínio.  
 
Narrativas 
Nos campos de concentração, viveu nas piores condições possíveis. A fome era latente. Por ironia, visionário, criou para si um “jantar virtual” para sobreviver à ela. Às vezes, quando não tinha “nenhum fio de capim”, como mesmo menciona, Antor fechava os olhos imaginando um local com um longo armário – não chegava a imaginar uma geladeira – e nesse local, havia uma enorme variedade de pães: de milho, centeio, doce, ciabatta, além de salames, presuntos e geleias. "Na minha mente, fabricava meus próprios pães", diz. 

Mas a luz que carregava representou uma fortaleza não só contra a fome, mas também contra o frio. Contou, também, que a sensação de ter acesso a um vestuário limpo é a sua sensação plena de prazer diária.

Volta por cima
Chega o dia 1º de maio de 1945. Os americanos, aliados dos judeus, libertam os sobreviventes. Antor perdera a noção se sua brava estrela brilhava na terra ou no Paraíso. “Quando percebi a liberdade, tive medo de encarar. Cheguei a pesar 28 quilos”, comenta. Hoje, encara a vida da melhor maneira possível. Trabalha até hoje em período regular, reconstruiu uma família - teve cinco filhos - e mora no bairro do Brooklin, na Capital, com sua esposa.

“Vivo cada dia maravilhado. Cada um faz a sua história. Não importa se perdi patrimônio”, diz. "Sinto mesmo é a falta da minha mãe. Todos os dias", diz. (NG)
14 de novembro de 2013

Andor Stern: uma estrela no Holocausto

Nem mesmo uma das épocas mais sombrias da história da humanidade apagou o brilho da alegria de Andor Stern, de 85 anos. Brilho esse que se reflete até mesmo no sobrenome. Em alemão, Stern se traduz por “estrela”. Mesmo assim, foi preciso reencontrar uma luz de esperança na escuridão do Holocausto, um dos maiores exemplos de intolerância religiosa e étnica, classificada como um dos principais crimes contra a humanidade.
Envolvido numa trajetória de múltiplas curiosidades, a estrela mais uma vez faz parte da vida de Andor – de forma menos ortodoxa, ele deixa claro: é a estrela de Davi, símbolo do judaísmo, religião da família. Judeu nascido em São Paulo, filho de pais húngaros, aos dois anos de idade se mudou com a família para a Índia em função do trabalho de seu pai, que era médico. 
No ano de 1936, quando tinha oito anos, o contrato de trabalho do pai terminou e Andor foi com a família a Budapeste, capital do país de origem de seus antecedentes. Como diz o ditado, “gato que nasce em forno, continua sendo gato”. Em outras palavras, filho de húngaro é húngaro. Para eles, a essência e o vínculo são os mesmos.
O objetivo da família Stern era um só: a união. Voltar ao Brasil, possibilidade descartada. Nem mesmo com as informações que chegaram em Budapeste sobre a invasão da Alemanha nazista à Polônia e que, na sequência, a Hungria era o próximo alvo. “Ninguém acreditava nessa possibilidade de sermos perseguidos. Mesmo porque os países eram aliados”, relembra Andor. 
Acontece que o antissemitismo era uma realidade. Com a ideologia do partido Nacional Socialista (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, em alemão), Adolf Hitler buscava a recuperação econômica e étnica da chamada “grande Alemanha”. Nessa grande Alemanha, judeus, negros, homossexuais, ciganos eram alguns dos grupos que passaram a ser perseguidos e marcados. Literalmente. Antor guarda até hoje as marcas no braço esquerdo, sistema esse padrão no regime da época. 
Foi para diversos campos de concentração. Primeiro, em Auschwitz-Birkenau, quando foi separado da sua família. Depois, ficou um tempo em Varsóvia. Em seguida, Dachau, próximo à Munique. Também foi ao sub-campo de Mühldorf. Os campos de concentração eram divididos entre várias funções, principalmente trabalho e extermínio.  
 
Narrativas 
Nos campos de concentração, viveu nas piores condições possíveis. A fome era latente. Por ironia, visionário, criou para si um “jantar virtual” para sobreviver à ela. Às vezes, quando não tinha “nenhum fio de capim”, como mesmo menciona, Antor fechava os olhos imaginando um local com um longo armário – não chegava a imaginar uma geladeira – e nesse local, havia uma enorme variedade de pães: de milho, centeio, doce, ciabatta, além de salames, presuntos e geleias. “Na minha mente, fabricava meus próprios pães”, diz. 
Mas a luz que carregava representou uma fortaleza não só contra a fome, mas também contra o frio. Contou, também, que a sensação de ter acesso a um vestuário limpo é a sua sensação plena de prazer diária.
Volta por cima
Chega o dia 1º de maio de 1945. Os americanos, aliados dos judeus, libertam os sobreviventes. Antor perdera a noção se sua brava estrela brilhava na terra ou no Paraíso. “Quando percebi a liberdade, tive medo de encarar. Cheguei a pesar 28 quilos”, comenta. Hoje, encara a vida da melhor maneira possível. Trabalha até hoje em período regular, reconstruiu uma família – teve cinco filhos – e mora no bairro do Brooklin, na Capital, com sua esposa.
“Vivo cada dia maravilhado. Cada um faz a sua história. Não importa se perdi patrimônio”, diz. “Sinto mesmo é a falta da minha mãe. Todos os dias”, diz. (NG)
Da Redação
Da Redação
Compartilhe:

Quem Somos

Boqnews.com é um dos produtos da Enfoque Jornal e Editora, que edita o Boqnews, jornal em circulação em Santos, no litoral paulista, desde 1986.

Fundado pelo jornalista Jairo Sérgio de Abreu Campos, o veículo passou a ser editado pela Enfoque desde 1993, cujos sócios são os jornalistas Humberto Challoub e Fernando De Maria dos Santos, ambos com larga experiência em veículos de comunicação e no setor acadêmico, formando centenas de gerações de jornalistas hoje atuando nos mais variados veículos do País e do exterior.

Seguindo os princípios que nortearam a origem do Jornal do Boqueirão nos anos 80 (depois Boqueirão News, sucedido pelo nome atual Boqnews) como veículo impresso, o grupo Enfoque mantém constante atualização com as novas tendências multimídias garantindo ampliação do leque de conteúdo para os mais variados públicos diversificando-o em novas plataformas, mas sem perder sua essência: a credibilidade na informação divulgada.

A qualidade do conteúdo oferecido está presente em todas as plataformas: do jornal impresso ou digital, dos programas na Boqnews TV, como o Jornal Enfoque - Manhã de Notícias, e na rádio Boqnews, expandido nas redes sociais.

Aliás, credibilidade conquistada também na realização e divulgação de pesquisas eleitorais, iniciadas em 1996, e que se transformaram em referência quanto aos resultados divulgados após a abertura das urnas.

Não é à toa que o slogan do Boqnews sintetiza o compromisso do grupo Enfoque com a qualidade da informação: Boqnews, credibilidade em todas as plataformas.

Expediente

Boqnews.com é parte integrante da Enfoque Jornal e Editora (CNPJ 08.627.628/0001-23), com sede em Santos, no litoral paulista.

Contatos - (13) 3326-0509/3326-0639 e Whatsapp (13) 99123-2141.

E-mail: [email protected]

Jairo Sérgio de Abreu Campos - fundador / Humberto Iafullo Challoub - diretor de redação / Fernando De Maria dos Santos - diretor comercial/administrativo.

Atenção

Material jornalístico do Boqnews (textos, fotos, vídeos, etc) estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610 de 1988). Proibida a reprodução sem autorização.

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.