Estudo

30 DE DEZEMBRO DE 2020

Rio e Santos lideram ranking de mortes por Covid entre as mais populosas do País

Rio e Santos são as cidades mais populosas do Brasil que registram o maior volume de mortes pela Covid-19, em termos proporcionais à taxa de 100 mil habitantes, segundo estudo da Abramet

Por: Fernando De Maria

array(1) {
  ["tipo"]=>
  int(27)
}

As cidades do Rio de Janeiro e Santos, no litoral paulista, ultrapassaram a média de 200 mortes por 100 mil habitantes, conforme estudo realizado pela Comissão de Estudos Epidemiológicos para Enfrentamento da Covid-19 da Abramet – Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.

Ou seja, a população de ambas as cidades têm maior chance de morrer pela Covid-19 entre os 95 maiores municípios brasileiros.

O Rio de Janeiro é a segunda cidade mais populosa do País. Santos, a 55ª.

São José do Rio Preto, no interior paulista, também caminha para atingir esta triste marca nos próximos dias, assim como Cuiabá, a capital mato-grossense.

O quarteto tem mais que o dobro da média nacional (91/100 mil habitantes) de mortalidade.

A título de comparação, nas Américas e na União Europeia, epicentro da doença, o índice de mortes é de 80/100 mil habitantes.

Por sua vez, na África, chega a 4,5/100 mil e na Oceania, 2,3/100 mil.

 

Rio e Santos são as únicas cidades – até o momento – que ultrapassaram a média de 200 mortes/100 mil habitantes, segundo estudo da Abramet

 

 

 

Cidades acima de 300 mil habitantes

O levantamento da Abramet foi feito com base nas 95 cidades brasileiras cuja população supera 300 mil habitantes.

Petrolina (PE) e Camaçari (BA) são as que apresentam os melhores resultados entre os municípios brasileiros mais populosos.

A cidade do Rio de Janeiro chega a 216/100 mil habitantes.

Santos vem logo atrás, com média de 204/100 mil moradores (conforme o estudo, concluído no sábado (26) ).

No entanto, com o aumento de mortes em Santos – foram 21 confirmadas somente hoje (30), estes indicadores vão crescer no próximo levantamento.

Afinal, já são 909 vítimas fatais para a doença no município santista.

Isso significa que 0,2% da população santista morreu de Covid-19 desde março deste ano.

Ou seja, de cada mil moradores, dois perderam as vidas para a Covid-19 neste curto espaço de tempo.

Segundo o coordenador da pesquisa, Carlos Eid, especialista em Saúde Pública, e representante da Abramet, o estudo busca identificar quais as cidades que estão melhor lidando com a doença e as que estão enfrentando sérios problemas na mortalidade, como os casos do Rio de Janeiro e Santos.

Ofícios foram encaminhados aos prefeitos das 25 cidades melhores ranqueadas para divulgar os resultados.

O estudo repercutiu em cidades, como Florianópolis, capital brasileira com o menor índice de mortes pela doença.

E o prefeito Gean Loureiro compartilhou a informação, ampliando a divulgação.

“Hoje o foco não é mais a falta de leitos, mas os motivos dos números de mortes continuarem tão elevados em determinadas cidades. Elas devem trocar informações sobre as boas práticas que estão sendo adotadas nos municípios melhores ranqueados”, destaca Eid.

909 mortes de santistas apenas pela Covid até o momento, o que torna Santos a vice-líder entre as maiores cidades brasileiras, segundo o estudo

 

Passando de 900 mortes

Nesta quarta (30), mais 21 mortes foram confirmadas pela doença em Santos, totalizando 909 óbitos pela Covid – o que dá uma média aproximada de quase  210 óbitos/100 mil santistas apenas para a Covid-19.

Na entrevista ao Notícias do Dia, da Boqnews TV, Eid também critica a ausência de um plano de discussão dos estados com as cidades onde os números são maiores que a média.

“É nos municípios que as coisas acontecem. As ações de cada estado devem se atentar à situação de cada cidade e não generalizar como um todo”, destaca.

Isso explica, por exemplo, o fato de alguns municípios como Santos, São Vicente e Guarujá fecharam a orla da praia durante o Réveillon, enquanto Praia Grande não o fará.

Há até uma explicação lógica para tais atitudes.

São Vicente (142 mortes/100 mil habitantes) e Guarujá (149 mortes/100 mil habitantes) estão na 81ª e 84ª colocação, respectivamente deste triste ranking.

Já Praia Grande, ocupa o 34º lugar.

Ou seja, cidades vizinhas e tão próximas, mas com resultados tão distintos.

Em Praia Grande, além do trabalho realizado pelas equipes da Saúde da Família, o comitê de contingenciamento da cidade atua na internação precoce em pacientes do grupo de risco e com morbidades, segundo revela um dos integrantes do grupo, o médico Eduardo Yabuta.

Isso ajuda na obtenção de resultados melhores que nos municípios vizinhos, a despeito do elevado número de moradores (mais de 330 mil).

 

Mortalidade x letalidade

 

Além disso, Eid enfatiza a diferença existente entre letalidade e mortalidade, geralmente usada por gestores públicos para apresentar resultados. entre outros temas.

“Hoje não há razão para se bater na tecla da letalidade, que fica clara que ficará entre 1% a 2% do total de infectados. O foco é a mortalidade, ou seja, quantas pessoas morrem pela doença”, alerta.

Confira a entrevista completa com o médico na Boqnews TV.

 

 

Notícias relacionadas

ENFOQUE JORNAL E EDITORA © TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

desenvolvido por:
Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.