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Economia

11 DE SETEMBRO DE 2014

Comércio deve fechar o ano com pior resultado desde 2003

O mais fraco dinamismo do setor está ligado à piora da confiança dos consumidores, à escassez do crédito, aos juros mais elevados e à inflação

Por: Pedro Soares
Folhapress

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Num momento de incertezas em relação à economia, os consumidores estão menos dispostos a gastar, o que compromete o desempenho do comércio neste ano. O setor, mantido o atual ritmo, deve fechar o ano com o pior resultado desde 2003, quando as vendas caíram 3,7%.

Pelos cálculos de economistas, o varejo tende a crescer 4% neste ano, abaixo dos 4,5% de 2013. De janeiro a julho, as vendas subiram 3,5%. Em 12 meses, acumulam alta de 4,3%.

O mais fraco dinamismo do setor está ligado à piora da confiança dos consumidores, à escassez do crédito, aos juros mais elevados e à inflação ainda em patamar alto -embora tenha cedido nos últimos meses.

Para Aleciana Gusmão, técnica do IBGE, a Copa do Mundo afetou o setor tanto em junho como em julho -quando as vendas caíram 0,7% e 1,1%, respectivamente. Isso porque os feriados e dispensas antecipadas em dias de jogos prejudicaram o setor.

Gusmão disse que o crédito mais fraco também abateu o varejo. Um dos sinais é a retração das vendas de móveis e eletrodomésticos de junho para julho -de 4,1%, a mais intensa dentre as categorias pesquisadas.

“O ano de 2014 tem se mostrado menos favorável para o comércio”, disse a técnica do IBGE.

Desaceleração
Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco, ressalta que “o desempenho do comércio reforça a expectativa de desaceleração gradual do consumo ao longo de 2014.”

Nos últimos dados do PIB, tal tendência de moderação do consumo já estava presente e tende a ganhar força após esse fraco resultado do comércio em julho.

O Bradesco diz, porém, que a queda do varejo “não foi generalizada”, com destaque especialmente para o setor de supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,3% de junho para julho) e de móveis e eletrodomésticos (-4,1%).

O resultado de julho do comércio veio, porém, pior do que as projeções mais pessimistas, que indicavam um recuo na faixa de 0,5%. O Bradesco previa uma alta de 1,1%.

Varejo ampliado
Apesar de sinais de piora do crédito, as vendas de veículos subiram 4,3% e reagiram, após dois meses em queda. “Isso é resultado de promoções que o setor fez para desovar estoques”, disse Gusmão.

O dado compõe o chamado comércio varejista ampliado, que inclui setores cujas vendas também são destinadas ao atacado. O índice também inclui o comércio de materiais de construção, que teve alta de 3,8% no mês de julho.

Impulsionadas pelos resultados positivos destas atividades, as vendas no varejo ampliado subiram 0,8% no mês.

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