Pandemia

Contradições marcam período da pandemia e a população fica confusa

Ao longo deste período, algumas incoerências na política, no trabalho e nos serviços confundem a população

01 de abril de 2021 - 20:07

João Pedro Bezerra

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Incoerências deixaram a população confusa/ Foto: Arte

No Brasil, a politização, as incoerências e as contradições estão marcando o período da pandemia da Covid-19 que, infelizmente, já dura há mais de um ano. Certamente, uma das áreas com mais contradições é a política que tem sido um dos focos de debate da sociedade neste período.

Um dos casos mais lembrados pelas pessoas foram as eleições municipais do ano passado, quando os políticos, independente da ideologia, fizeram aglomerações, já que políticos que defendem o distanciamento social não cumpriram as recomendações e foram para as ruas pedir votos, causando concentração de pessoas, podemos citar, como o exemplo, o segundo turno nas principais capitais do país.

Vale destacar que mesmo com o uso de máscaras e a curva da pandemia ter diminuído naquele momento, a recomendação dos médicos sempre foi evitar as aglomerações. Além das contradições na campanha política para as prefeituras, a ação dos governadores tem sido questionada pela população. Em dezembro do ano passado, enquanto o Estado de São Paulo estava na fase vermelha para as festas de fim de ano, o governador João

Doria viajou para Miami, porém ele precisou voltar após o vice-governador Rodrigo Garcia testar positivo para a Covid-19. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Doria pediu desculpa pela atitude

Nesta semana, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, promoveu uma festa de aniversário particular. Ele também pediu desculpas pelo ocorrido.

Em âmbito nacional, o Governo Federal tem tido atitudes contraditórias constantemente. Uma dessas ações foi a crítica de Bolsonaro em relação à vacina Coronavac, na época que o Butantan ainda concluía o teste da fase 3 com o imunizante, segundo Bolsonaro, a vacina precisava ser aprovada cientificamente pela Anvisa para ser usada pelo Ministério da Saúde. Contudo, o próprio presidente fez recomendações do uso da cloroquina, medicamento que não tem comprovação científica contra a Covid-19.

Uso da cloroquina foi uma das principais contradições/ Foto: Divulgação

Inclusive, o médico infectologista Marcos Caseiro gravou um vídeo nas redes sociais da Prefeitura de Santos destacando que o tratamento contra o coronavírus deve ser estabelecido pela equipe médica.

“Não há medicamento aprovado para o tratamento e a prevenção da Covid-19. É preciso uma boa imunidade para enfrentar a doença, em caso de infecção”, salientou o médico.

Para o cientista político Fernando Chagas, o negacionismo do presidente tem peso fundamental na formação da opinião pública brasileira, e isso acabou criando uma enorme confusão na população, que ficou desorientada, sem saber qual era direção correta a seguir, atrapalhando as medidas sanitárias.

Além disso, Chagas destacou que resta ao Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF) tentarem juntos suprirem, na medida do possível e de suas competências constitucionais, a ausência deliberada do Governo Federal de combate à doença.

Transporte

Pessoas ficaram aglomeradas nos pontos de ônibus ao longo da pandemia/ Foto: João Pedro Bezerra

Em um momento que a maioria das atividades tiveram restrição por conta do distanciamento social, o transporte público continuou com pessoas em pé e ônibus lotados nos horários de pico, principalmente nas fases amarelas e laranja do Plano São Paulo.

Na cidade de Santos, uma das maiores reclamações dos passageiros refere-se ao tempo de espera, aglomeração nos pontos em horários de risco e falta do álcool em gel.

Em matérias publicadas ao longo da pandemia, o Boqnews mostrou a indignação de alguns passageiros que enfrentaram riscos na pandemia. Se faltou fiscalização no transporte, sobrou na orla da praia, onde muitos ciclistas foram abordados pela Guarda Municipal.

Comércio

Um dos setores com mais contradições é o comércio. Até o lockdown na Baixada Santista teve pontos discutíveis, como a restrição nos horários dos supermercados que não funcionam nos fins de semana e só podem atender de segunda a sexta até às 20h.

O resultado da medida foi a aglomeração de pessoas nas filas em diversos horários do dia e os trabalhadores de serviços essenciais não tiveram tempo de realizar as compras. O tema foi tão comentado pela população que as fotos dos supermercados lotados e a fila para entrar nos estabelecimentos ganharam destaque na internet.

Nesta semana, o Sindicato do Comércio Varejista da Baixada Santista (Sincomércio-BS) divulgou uma nota, com o posicionamento do presidente Omar Abdul Assaf, que destacou a necessidade de uma articulação de todas as instâncias do governo para a definição de critérios sanitários mais claros e homogêneos, garantindo mais transparência e previsibilidade para a população e as empresas. O presidente do Sincomércio-BS também citou que o varejo paulista terá um prejuízo bilionário neste período de fase emergencial “No cenário atual, o que se vê é aumento do desemprego, alta da inflação, fechamento de empresas e elevação do custo de vida das famílias”, destacou.

Vale destacar que a questão do comércio sempre deu margem para discussões. Por exemplo, uma barbearia e um restaurante com o cumprimento dos protocolos tem menos pessoas, por exemplo, do que diversas casas que comportam famílias enormes.

Trabalho e População

A pandemia deixou muitas pessoas sem fonte de renda, aumentando a pobreza, fome e desemprego. A primeira e segunda versões do auxílio emergencial demoraram para sair. Assim, milhares de brasileiros tiveram que buscar alternativas para driblar a crise. Enquanto muitos ganham pouco, outros preferem fazer verdadeiras guerras virtuais na internet. As redes sociais são o melhor retrato para demonstrar a incoerência e as contradições das pessoas.

Além disso, existem os influenciadores digitais, artistas e jogadores que participaram de campanhas contra a Covid-19, mas fizeram exatamente o contrário, como o jogador do Flamengo, Gabigol, flagrado em um cassino, e a cantora Anitta que causou aglomeração em festas, além de tantos outros. No tocante as medidas restritivas é importante frisar que muitas decisões das autoridades têm como base à falta de respeito de uma parcela da sociedade que realizou festas clandestinas na pandemia, resultando a elevação no número de casos.

Feriados

Por fim, a contradição dos feriados deu um verdadeiro nó na população da Baixada Santista, já que quando houve a antecipação dos feriados na Capital com intuito de aumentar o isolamento, milhares de turistas desceram rumo ao litoral, proporcionado congestionamento nas rodovias dos Imigrantes e Anchieta.

Outro ponto questionado nos feriados foi o funcionamento das repartições públicas, muitas pessoas ficaram confusas em relação a abertura dos serviços públicos municipais e estaduais que tiveram diferenças nos respectivos feriados antecipados.

 

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